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Crítica | The Walking Dead – 11X24: Rest in Peace

O fim...?

por Kevin Rick
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  • SPOILERS do episódio e da série. Leiam, aqui, as críticas de todos os episódios da série e, aqui, de todo nosso material do universo The Walking Dead.

Durante minhas críticas desta reta final de The Walking Dead, falei bastante sobre o péssimo melodrama do seriado. Já faz muitas temporadas que a obra perdeu profundidade dramática e diálogos realistas, com personagens fazendo discursos cafonas e expositivos, muitos romances piegas e uma abordagem visual apelativa com gente constantemente chorando. Ambiguidade e angústia foram perdidos há muito tempo pelos roteiristas. Essa falta de latitude dramática e uma dramaturgia preguiçosa é claramente vista no desfecho da série, mas vamos por partes.

Fiquei decepcionado pela forma que Greg Nicotero finalizou o segmento dos personagens correndo pela rua até o hospital, com uma direção desprovida de qualquer plano que determine algum tipo de espaço ou alguma construção de clímax. A sequência, muito bem iniciada por Sharat Raju no episódio passado, termina em 2-3 minutos, com a morte de um casal desinteressante e sem nenhum tipo de complicação. O mesmo vale para a fuga do grupo posteriormente.

Vejo a mesma preguiça com a despedida de Rosita. Aquela cena dela heroicamente fugindo dos zumbis não é completamente ruim, apesar de um pouco forçada, mas a maneira como decidem matar a personagem com uma simples mordida é de uma característica ordinária e anticlimática que não estava esperando. Parece uma desculpa para assistirmos todos à sua volta chorando e dando adeus, porque alguém importante tinha que morrer, considerando que TODO mundo está ganhando spin-offs (mais disso à frente). Os roteiristas também se esqueceram do cinismo que o drama e a morte carregavam nos anos iniciais.

Mas o pior de tudo é a resolução do arco de Commonwealth. Mercer e alguns personagens são soltos, todos se reúnem e tomam o controle de Pamela na praça, libertando os “milhares” (HAHAHAHA) de membros da comunidade. Tudo simplesmente acontece. Não existe conflito narrativo, nenhum tipo de obstáculo ou reviravolta. Chega a ser fácil. O mais engraçado de tudo é a falta de suspense e tensão com a forma que os personagens lidam com a manada de zumbis: uma grande explosão com CGI ruim ao som de rock’n’roll, como se estivéssemos vendo um filme de ação do Snyder ou uma sátira à la Zumbilândia. Tenebroso não começa nem a definir.

O terceiro ato do episódio é uma dieta insuportável de declarações de amor, gente se abraçando e tendo filhos, discursos insuportáveis de lições morais e breguice, e, claro, muitos choros com close-ups apelativos – percebam como nenhum tivemos um arco de personagem bem finalizado. Como falei na abertura da crítica, o seriado termina numa nota terrivelmente melodramática, não muito distante de uma novela global das nove. Suspense? Horror? Escopo? Desespero? Senso de perigo? Qualquer vislumbre do que fez TWD ser TWD? Nada disso a ser visto.

De alguma maneira, Rest in Peace se torna ainda pior por não ser um final de série. Pode até ser no papel, mas os criadores foram completamente covardes ao transformarem o último episódio de uma grande série em um desfile de futuros spin-offs. ODIEI a participação de Michonne e Rick, que estão ali para dar uma carga nostálgica superficial, e para tentar ludibriar o público de que existe algum tipo de história interessante com o futuro desses personagens. Eu não caio nessa. Destruíram The Walking Dead e muito possivelmente vão destruir o legado de grandes personagens com esses derivados que ninguém pediu. No final, acaba sendo um final digno de uma obra que perdeu a qualidade há muito tempo e que vem fazendo hora extra.

The Walking Dead – 11X24: Family | EUA, 20 de novembro de 2022
Diretor: Greg Nicotero
Roteiro: Magali Lozano, Erik Mountain, Kevin Deiboldt
Elenco: Norman Reedus, Lauren Cohan, Josh McDermitt, Seth Gilliam, Ross Marquand, Khary Payton, Jeffrey Dean Morgan, Nadia Hilker, Cassady McClincy, Lauren Ridloff, Lynn Collins, Josh Hamilton, Margot Bingham, Laila Robins, Angel Theory, Medina Senghore, Okea Eme-Akwari, Avianna Mynhier, Teo Rapp-Olsson, Gonzalo Menendez, Matt Bushell, Kien Michael Spille, Gustavo Gomez, John Gettier
Duração: 45 min.

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