Home TVEpisódio Crítica | The Walking Dead – 9X05: What Comes After

Crítica | The Walking Dead – 9X05: What Comes After

por Gabriel Carvalho
239 views (a partir de agosto de 2020)

  • Observação: Há spoilers do episódio e da série. Leiam, aqui, as críticas de todas as demais temporadas, dos games e das HQs. E, aqui, da série spin-offFear the Walking Dead.

O que vem depois? O encontro do homem com o seu próprio fim preenche o conteúdo dramático de What Comes After, o prometido último episódio de Rick Grimes (Andrew Lincoln) na série – aparentemente, o destino do personagem permitirá um retorno futuramente, ainda incerto. Um capítulo, portanto, tematicamente coeso, dada as diferentes possibilidades de destino que são traçadas pelas pontuações narrativas, caminhando de acordo com uma conversa entre o passado, o presente e, ao término do episódio, o futuro desse mundo pós-apocalíptico e seus indivíduos transformados. O que viria depois do assassinato de Negan (Jeffrey Dean Morgan), ansiado desesperadamente por Maggie (Lauren Cohan)? A conversa da personagem com Michonne (Danai Gurira) evidencia essa disposição do passado que afeta o presente, porém, igualmente enaltece que o presente afetará o futuro. As comunidades serão capazes de conviver com esse futuro? Maggie será capaz de conviver com esse futuro? O que viria depois da vida, acima de todas essas coisas?

O homem quase morto se esforça para se manter vivo, enquanto o homem vivo se esforça para morrer. What Comes After decide resolver o confronto entre Maggie e Negan separadamente, sem permitir um intercalamento entre essa trama e a principal. O momento entre os dois, após a viúva conseguir as chaves da cela do personagem, é suficiente para um entendimento, por parte do espectador, de um antagonista completamente quebrado. Jeffrey Dean Morgan, devido a carga dramática presente na cena, consegue se transportar, de um sarcasmo intencionalmente entendido a irar Maggie, a um desespero pungente, quando começa a perceber que seu destino não será a morte, como absurdamente esperava. Ao mesmo tempo, Anne (Pollyana McIntosh) mostra ao que veio como personagem misteriosa, porque sua narrativa se mescla com uma outra, encorajando o público a pensar na série por mais algum tempo, imaginando as possibilidades existentes no transporte de um ex-policial moribundo a consequências nunca antes pensadas? O helicóptero como símbolo de esperança.

What Comes After é um episódio cheio de simbolismos, referências ao passado para justamente trabalhar o futuro – algumas tomadas idênticas. Uma série com muitas temporadas acaba se esquecendo do que veio antes, entretanto, The Walking Dead parece, sem vergonha alguma, se relembrar constantemente das minúcias anteriores, mesmo sem qualquer interesse em conversar – o que não é o caso daqui. O cavalo como meio de transporte é retomado. A música que surge quando o enredo se encaminha para o seu fim – a mesma que tocava enquanto o protagonista se encontrava preso no tanque de guerra do primeiríssimo episódio da série. As alucinações, em seu próprio meio, permitem uma interação entre vivos e mortos que, em um plano terreno, seria impossível. What Happened and What’s Going On, sobre a morte de Tyreese, é um comparativo poderoso. What Comes After não consegue igualar-se emocionalmente ao encerramento da jornada daquele personagem quase ordinário, contudo, um destaque existe no paralelo aberto entre as famílias do antes e do agora.

O saudoso Hershel Greene (Scott Wilson) recebe Rick Grimes em seu celeiro – as reações do protagonista são bastante harmoniosas com a carga dramática existente, assim como no caso de Shane (Jon Bernthal). Já a presença de Sasha (Sonequa Martin-Green), notando uma discordância clara, é dramaticamente injustificável, desmontando o envolvimento do público com a situação onírica retratada. O encontro a sua família, aparentemente, remete ao passado, à premissa de The Walking Dead – um protagonista à procura de sua esposa e de seu filho. O encontro a uma família morta? O convite do fazendeiro, portanto, é um convite de conciliação pós-vida, ao lado de pessoas que amou e não mais pode amar profundamente – nesse ponto, o episódio conversa com as duas tramas existentes nele. A subversão desse pretexto nos garante ainda mais crença no amor nutrido pelo protagonista aos seus outros familiares, os ainda vivos, completamente não-tradicionais, de um mundo avulso ao de outrora. A criança que carrega o sobrenome do pai como nenhuma outra pessoa carregou antes.

Os ajustes técnicos, em última instância, decepcionam no intuito de nos contar essa história sentimental. A defeituosa computação gráfica prejudica a composição visual de cenas contemplativas – por exemplo, certos horizontes. Os diálogos também se redundam nessas alucinações, porque o roteiro não consegue, em mais uma oportunidade fracassada, evidenciar um texto coerente com uma construção de discurso completa. Os personagens falam e falam – coisas pertinentes, de fato -, mas em quais sentidos a retomada do protagonista sanguinolento, de temporadas passadas, relembrado por Shane, conversa com as alucinações do ex-policial, voltadas a “encontrar minha família”? O elenco integral da série, abruptamente, surge para resgatar o herói, enfim – um roteiro despreocupado com isso. O sacrifício do cavaleiro montado em um cavalo branco. A ponte é destruída, no entanto, Negan permanece vivo. Guia à Atlanta em Days Gone Bye, um novo helicóptero surge para guiar o protagonista, mas, agora, a um destino desconhecido. “Eu sou Judith Grimes” significa legado.

The Walking Dead – 9X04: What Comes After — EUA, 5 de novembro de 2018
Showrunner: Angela Kang
Direção: Greg Nicotero
Roteiro: Matt Negrete, Scott Gimple
Elenco: Andrew Lincoln, Norman Reedus, Jon Bernthal, Scott Wilson, Sonequa Martin-Green,Lauren Cohan, Danai Gurira, Melissa McBride, Josh McDermitt, Christian Serratos, Alanna Masterson, Seth Gilliam, Ross Marquand, Katelyn Nacon, Tom Payne, Khary Payton, Cooper Andrews, Pollyanna McIntosh, Traci Dinwiddie, Callan McAuliffe, Kerry Cahill, Rhys Coiro, Avi Nash, Matt Mangum, Aaron Farb, Mimi Kirkland, Briana Venskus, Mandi Christine Kerr, Jennifer Riker, Jeffrey Dean Morgan
Duração: 60 min.

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13 comentários

Al_gostino 12 de novembro de 2018 - 10:08

5 estrelas fácil pro episódio, mesmo algumas cenas desnecessárias (Sasha????)….e o episódio 6, achei melhor ainda!

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Massy Andrade 5 de novembro de 2018 - 23:24

Nunca chorei tanto num episódio como nesse. Vai Judith!!

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Duque Leto 5 de novembro de 2018 - 20:57

na última alucinação dele, com o grupo chegando e salvando ele, foi sensacional
Eu nem assistir as duas últimas, apenas episódios pontuais, como o a chegada do negan na finale, o episódio que mostrou o glen sendo lucilizado e a primeira visita do negan a Alexandria, finalmente twd está boa
Quanto tempo será que foi o salto do tempo da ” morte ” do Rick até a chegada do grupo da Magna ?
Queria ver um episódio deles lidando com a morte do Rick, o luto, uma homenagem definitiva dos roteiristas aos fãs de twd

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Rômulo Estevan 6 de novembro de 2018 - 04:10

Passou 6 anos,e parece que os 3 filmes que o Rick vai estrelar vai contar o que aconteceu com ele nesse meio tempo, ansiosidade a mil.

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Duque Leto 7 de novembro de 2018 - 20:38

6 ?
Sobre os filmes, vai depender muito dos roteiristas e a classificação indicativa, cada filme poderia ter um tom específico, com o último voltado ao científico, talvez uma possível cura, abrindo caminho para um retorno dele a série e depois o fechamento

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Elton Miranda 5 de novembro de 2018 - 18:52

Abandonei a serie na 4 temporada. So tenho lido algumas criticas, e acompanhado de longe a serie. Irei ver esses 5 ep dessa temporada e ver essa despedida

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3921_Y 12 de novembro de 2018 - 14:46

Mas velho, as temporadas 5 e 6 são sensacionais e possuem os melhores episódios da série.

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Cahê Gündel 5 de novembro de 2018 - 17:46

Realmente tá falando a pena a nona temporada? TWD durante muito tempo foi uma das minha séries preferidas, mas acabei largando em meados do ano passado devido a chatice da história. Pelo que vejo nas críticas daqui, ela voltou a sua forma.

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Rômulo Estevan 5 de novembro de 2018 - 15:44

Não consegui ver estes defeitos que você apontou,para mim o episódio foi épico e está sendo considerado por muitos como um dos melhores episódios de toda a série,e o futuro de Rick não é incerto,já foi confirmado que a história dele vai continuar em uma trilogia de filmes para o cinema,inclusive já começam a gravar o primeiro em 2019.

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Junito Hartley 5 de novembro de 2018 - 13:47

O ator que faz o shane tem um carisma monstro, melhor cena do episodio foi a conversa dele com o Rick, deu saudade dele em TWD. A serie ta excelente!

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Huckleberry Hound 5 de novembro de 2018 - 13:34

Não tiveram coragem de eliminar Rick,pelo menos não antes da última temporada kkk

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Davi 5 de novembro de 2018 - 12:05

Foi um excelente episódio, queria que fosse apenas uma bait essa morte do Rick e fico feliz que tenha sido o caso. O ator provavelmente vai voltar numa futura temporada depois de dar um tempo com a série. Ele morrer seria uma perda irreparável na história, o Daryl ou a Meggie não tem o mesmo peso pra conseguirem carregar a série nas costas no momento. Por mais que o Daryl provavelmente terá que fazer esse papel por umas temporadas. Torço que façam um bom trabalho com o mesmo.
Esse episódio renova e muito a série, era um episódio que precisava a tempos, que dá novos ares e pode ser bastante positivo para os telespectadores. Mas já começou questionável, aquele final com a Judith acaba com toda a cena dos mocinhos salvando aqueles novatos usando táticas do Eugene. Isso seria algo novo, o contrário de alguém atirar em zumbis e salvar pessoas desconhecidas.
O preview do próximo episódio também não me passou a sensação de Alexandria que tem na hq, com aquela horta enorme e muito verde. De todo modo, esse ainda pode ser o começo de uma nova fase em TWD, onde todo o estilo e clima da obra muda, os vilões permitem que saia algo de ótima qualidade nos próximos episódios e temporadas, eu estou confiante quanto a isso, também estou curioso e interessado pra assistir.

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Isac Marcos 5 de novembro de 2018 - 11:32

Compreendo sua ótica no texto, Gabriel, inclusive muito próxima aos demais fãs/espectadores de TWD quanto a aparição da Sasha, mas acho que não foi desconexa ou injustificável, pois ela trouxe a ele a lembrança do sacrifício por uma “família” (haja vista que ela preferiu se matar e estragar os planos do Negan, até tentando matá-lo com isso, do que ver mais gente que ela amava ser ferida/morta por ele) e que havia cobrança demais dele, sendo que todos mudaram, ajudaram e melhoram uns aos outros. Tanto que ao final, temos o Rick fazendo isso, sacrificando-se por quem amava.
Quanto ao que falou sobre legado/Judith Grimes, fico meio em dúvida como isso vai ser contado agora, pois esperávamos ser o Carl, até o banho de água fria na temporada passada, tomara que essa nova fase não cometa os mesmos erros.

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