Crítica | The Walking Dead – 9X10: Omega

  • Observação: Há spoilers do episódio e da série. Leiam, aqui, as críticas de todas as demais temporadas, dos games e das HQs. E, aqui, da série spin-offFear the Walking Dead.

Ao apresentar Negan (Jeffrey Dean Morgan) no último episódio da sua sexta temporada, The Walking Dead competentemente executara uma missão narrativa que é parecida com a presente em Omega. Agora, quem surge é a cabeça que comanda os assombrosos Sussurradores, Alpha (Samantha Morton). O processo em questão, querendo originar uma grande antagonista já à primeira vista, necessita que o temor do público pela mulher seja verdadeiro. Pois através do passado, Omega nos desnorteia com seus contrapontos presentes, em um sagaz jogo de possíveis identidades que constrói, enfim, um ser enormemente cruel, mas ainda muito inesperado.

Lydia (Cassady McClincy) é uma garota atormentada, sem sombras de dúvidas. E Henry (Matt Lintz) é um garoto bobão, obviamente. O episódio começa com a premissa de revisita ao passado, ao passo que Lydia conta para o seu parceiro de cela, buscando conseguir encontrar alguma forma de fugir, sobre sua história. Sua narrativa, no entanto, é pontualmente inverdadeira, o que celebra, em uma única oportunidade, várias possíveis conjunturas de personalidade à personagem de Alpha. Uma resolução chega: Alpha é uma mulher ruim, que não precisou ser destruída pelo apocalipse, e as regras dos Sussurradores não preveem retornar por alguém. Lydia está sozinha?

Contendo longos trechos de cenas no passado, confusas em uma cabeça igualmente confusa, Omega propõe uma personagem de uma forma tão segura que parece ilógico o que acontece ao seu fim: o retorno de Alpha por sua filha. E que retorno! Os Sussurradores, agora querendo ser vistos como tais, são criaturas tão tenebrosas quanto os mortos-vivos em si. Na cena conclusiva, vários membros desse grupo aparecem em frente a Hilltop, porém, sem se comportar como zumbis, mas trajando um semblante de tristeza que ainda assim esvazia a humanidade deles. Nem parecem ser mortos-vivos com algum traço de vida, apenas mortos que andam perdidamente e só.

Quando a série ainda tinha um rumo promissor, a presença de Negan, em minutos tão assustadores, também derradeiros para certos rostos conhecidos, acompanhava uma confusão na cabeça dos seus espectadores. O que esperar, enfim, de um maníaco com um taco de beisebol enrolado em arame farpado? Em seu capítulo seguinte, na temporada sucessora, o seriado continuaria a apresentação desse antagonista. E continuou prosseguindo com Negan e seus xingamentos, mas aos trancos e barrancos, porque uma redundância grave começava a ser notada ao redor do personagem. Aqui, o que é uma mãe que não ama, mas retorna por sua filha?

Omega principia possibilidades para os próximos capítulos, novamente esperados para os fãs, que conseguem ser tão interessantes quanto o começo de Negan. Tenta, paralelamente, até traçar um arco envolvendo o sumiço de Luke (Dan Fogler), que não parece muito orgânico, contudo, ao menos não desmorona o restante do todo. O mais interessante é ver como o roteiro soube explorar Daryl (Norman Reedus) e usar Henry sem o imbecilizá-lo. Ao invés do garoto fazer burrada porque sim, tudo torna-se um plano, importante para Hilltop. Resta saber se a série irá tentar reinventar a vilanesca Alpha proceduralmente ou se a novíssima vilã continuará sendo a mesma para sempre.

The Walking Dead – 9X10: Omega — EUA, 17 de fevereiro de 2019
Showrunner: Angela Kang
Direção: Channing Powell
Roteiro: David Boyd
Elenco: Norman Reedus, Danai Gurira, Calley Fleming, Melissa McBride, Josh McDermitt, Christian Serratos, Alanna Masterson, Seth Gilliam, Ross Marquand, Katelyn Nacon, Tom Payne, Khary Payton, Cooper Andrews, Matt Lintz, Traci Dinwiddie, Callan McAuliffe, Kerry Cahill, Rhys Coiro, Avi Nash, Matt Mangum, Aaron Farb, Mimi Kirkland, Briana Venskus, Mandi Christine Kerr, Jennifer Riker, Jeffrey Dean Morgan, Eleanor Matsuura, Nadia Hilker, Dan Fogler, Lauren Ridloff, Cassady McClincy, Samantha Morton, Steve Kazee
Duração: 60 min.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.