Crítica | The Walking Dead – 9X12: Guardians

  • Observação: Há spoilers do episódio e da série. Leiam, aqui, as críticas de todas as demais temporadas, dos games e das HQs. E, aqui, da série spin-offFear the Walking Dead.

Guardians soa menor até em como explora imageticamente suas possibilidades, tanto a visita ao núcleo dos Sussurradores pensada por Henry (Matt Lintz), quanto a missão de Daryl (Norman Reedus) e Connie (Lauren Ridloff) para resgatar o garoto de si mesmo. É um capítulo mais de contextualização em muitos sentidos, de repensar e mover certos personagens narrativamente, do que instigante por meio da linguagem. Connie, que é surda, por exemplo, não é usada de maneira inventiva como no episódio passado. Uma das cartas na manga da direção seria, aqui, misturar a infiltração no meio dos mortos, que a dupla faz para salvar Henry, com a surdez da personagem, usando planos subjetivos ou planos fechados. Então, o som seria um impulso para a claustrofobia.

Contudo, nesse núcleo especialmente, Guardians apenas quer contextualizar como é a vida entre os Sussurradores, suas leis e afins. E nem faz isso tão bem. Henry espia os antagonistas da temporada por pouquíssimo tempo até ser capturado por Beta (Ryan Hurst), segundo em comando entre os membros daquele grupo. Em contrapartida, Michael Satrazemis apresenta esse vilão de um modo imponente, embora, curiosamente, um engrandecimento mais escrachado possivelmente casasse mais com a cena da captura de Henry. Lydia (Cassady McClincy), por outro lado, possui pouquíssimo a fazer. Sua fuga com Henry, ao fim do episódio, apenas complica tudo ainda mais. O garoto é um burro mesmo. Já Samantha Morton, como Alpha, reitera sua provocante interpretação.

Em termos narrativos, o que acontece em Alexandria é mais promissor. Gabriel (Seth Gilliam) se vê em um impasse após descobrir sobre a gravidez de Rosita (Christian Serratos) e termina sendo orientado por Eugene (Josh McDermitt), um personagem que o futuro é incerto, a continuar com a personagem. Será uma premeditação para a sua morte, com esse auxílio moral tornando-se um ato de bondade que reverberá no futuro? Ou então um destino mais trágico espera essa trama secundária à temporada? Novamente, um texto bom mostra-se suficiente para interações tornarem-se orgânicas, menos óbvias também. O que será desse relacionamento? Bom saber que, antecipando as catástrofes posteriores, The Walking Dead se preocupa com essa carga dramática.

Como um drama acima da média, e mais relevante para o prosseguimento da temporada, o arco de Michonne é uma surpresa muitíssimo agradável. A atual líder de Alexandria permite, após entender as contradições de sua liderança, que as pessoas da comunidade votem novamente se querem participar da Feira, que acontecerá no Reino. A mudança não é de opinião, uma saída mais coerente do que a contrária. Danai Gurira cresceu na série, como artista mesmo, e o texto, novamente um ponto positivo, alavanca sua interpretação durante ótimos momentos em que conversa, numa cena, com Negan (Jeffrey Dean Morgan), e, noutra, com Judith (Calley Fleming). E Aaron (Ross Marquand) mostra ser um bom apoio à trama. Guardians acertou no básico, portanto.

The Walking Dead – 9X12: Guardians — EUA, 3 de março de 2019
Showrunner: Angela Kang
Direção: Michael Satrazemis
Roteiro: LaToya Morgan
Elenco: Norman Reedus, Danai Gurira, Calley Fleming, Melissa McBride, Josh McDermitt, Christian Serratos, Alanna Masterson, Seth Gilliam, Ross Marquand, Katelyn Nacon, Tom Payne, Khary Payton, Cooper Andrews, Matt Lintz, Traci Dinwiddie, Callan McAuliffe, Kerry Cahill, Rhys Coiro, Avi Nash, Matt Mangum, Aaron Farb, Mimi Kirkland, Briana Venskus, Mandi Christine Kerr, Jennifer Riker, Jeffrey Dean Morgan, Eleanor Matsuura, Nadia Hilker, Dan Fogler, Lauren Ridloff, Cassady McClincy, Samantha Morton, Steve Kazee, Ryan Hurst
Duração: 60 min.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.