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Crítica | The Walking Dead: World Beyond – 2X04: Family Is a Four Letter Word

Reencontro mais morno do que deveria.

por Iann Jeliel
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Family Is a Four Letter Word

  • Há SPOILERS. Leiam aqui as críticas de World Beyond e, aqui, as de todo o universo The Walking Dead.

Não sei fui eu que criei expectativas erradas perante a enorme surpresa que foi a qualidade apresentada por esse início de segunda temporada de World Beyond, ou se a proposta de Family Is a Four Letter Word nunca foi de gerar um meio de clímax e eu acabei julgando errado. Dava a entender que a reunião nos sentimentos divididos dos personagens naquele momento iriam gerar tensões ou situações mais sérias do que as que aconteceram. Pelo menos, que o episódio ameaçasse mais a gerar conflitos como maneira de tensão e encarasse aquele reencontro de maneira mais completa, intensa.

O grande problema é que no fim das contas é um “episódio de meio”, que basicamente só reúne os personagens para situá-los do quanto mudaram, não gerando um atrito por essas mudanças, apenas flertando com desentendimentos maiores no futuro. É o caso de Huck (Annet Mahendru) ao descobrir que Will (Jelani Alladin) estava vivo e ouvir outros depoimentos dos demais desconfiados da CRM, pensando em mudar de lado pela mãe. Afinal Felix (Nico Tortorella) encuca sua cabeça quando a confronta, dizendo que se ela viveu para saber mentir para os outros, por que Elizabeth (Julia Ormond) – que podia ter sido um elemento de suspense no episódio, se colocasse para ela souber que Huck saiu – não faria o mesmo com a filha? Há uns flashes misteriosos no início do episódio, que não dá para saber se é passado ou um futuro que esse enfrentamento já deu ruim. Enfim, o desentendimento dos outros por sua traição só ter gerado isso mesmo ficou barato. Félix até ameaça matá-la usando um zumbi, mas a cena é mal coordenada geograficamente. Conhecendo a capacidade de Huck, facilmente ela contornava a situação criada ali, mas nem precisou, pois Felix não estava levando a ameaça a sério e não há nem o esforço da construção da cena para fingir que estava.

Podia ter colocado uma briga mesmo, em que Felix hesitasse no final. Como foi na sequência em que Percy (Ted Sutherland) pega uma arma e tenta matar Huck escondido. Ali existe tensão, embora nunca o suficiente para sentirmos uma real chance de Percy puxar o gatilho. Contudo, é uma cena boa, ao contrário da que vem mais à frente, quando ele compartilha sua hesitação com Íris (Aliyah Royale) e eles se beijam. Não compro nada esse romance: ambos seriam melhores personagens sem ele. Como estão sendo isoladamente. Íris, após ter matado, parece ter saltado de maturidade. A conversa entre ela e Hope (Alexa Mansour) está entre os melhores momentos do episódio, porque há um atrito, não só nas ideias das duas, mas pelo sentimento dividido entre a vontade de tentar forçar a outra a ir para seu lado, impedido pelo respeito mútuo e sentimental que ambas carregam na relação. Hope sai da conversa ainda balanceada, agora menos para o lado do CRM ao saber que tentaram matar Will. Não sei por quanto tempo será legal persistir nesse sentimento de ambiguidade na personagem, mas até o momento, funciona.

Só faltou mesmo uma ceninha dela com Elton (Nicolas Cantu), necessária depois do que aconteceu entre eles e a história da mãe de Elton (Christina Brucato). Ou mesmo uma cena de reencontro com Percy. Melhor: que tivesse uma ceninha com todo mundo reunido para situar a situação de todos com todos. Penso nisso acontecendo nos próximos episódios, quando vier a oportunidade de juntá-los com Silas (Hal Cumpston) – Huck comenta sobre seu paradeiro com todo mundo, como previ –, que surpreendentemente, carrega a parte mais interessante de Family Is a Four Letter Word com suas interações com Dennis (Maximilian Osinski) e os demais adolescentes que trabalham naquele “posto avançado”. Gosto de como o episódio vai criando simpatia entre os dois e já gera um possível conflito à frente, quando Silas conta sua história com Huck e Dennis não faz ideia de que esse é o apelido de Jennifer. Gostei bem da cena dos zumbis também, que acabou sendo a mais tensa do episódio pela sugestão de que os personagens ali fossem babacas punindo Silas por tentar fugir. Achei legalzinha a subversão de aquilo ser, na verdade, uma ajuda/convencimento para ele ficar.

Ademais, vale comentar de Elton descobrindo recursos da CRM roubados (?) pela comunidade do perímetro para o tratamento de Indira (Anna Khaja) – no caso, Asha (Madelyn Kientz) fala que é para ela, visando que Elton não espalhe aquilo para ninguém porque pode dar algum problema e, se foi algo apresentado, é porque vai dar problema. Como não houve interação dele com Hope, queria ter visto mais do personagem interagindo com Asha sem ser sobre esse assunto da cabana escondida, pois parece ser o casal adolescente mais simpático da série até o momento. Family Is a Four Letter Word acabou sendo morno demais, embora qualitativamente, perante o que essa série já apresentou, seja um capítulo equiparável aos três primeiros, mantendo a série numa boa constante.

The Walking Dead: World Beyond – 2X04: Family Is a Four Letter Word | EUA, 24 de Outubro de 2021
Criação: Scott M. Gimple, Matthew Negrete
Direção: Aisha Tyler
Roteiro: Maya Goldsmith
Elenco: Aliyah Royale, Alexa Mansour, Hal Cumpston, Nicolas Cantu, Nico Tortorella, Annet Mahendru, Jelani Alladin, Ted Sutherland, Julia Ormond, Maximilian Osinski, Anna Khaja, Madelyn Kientz, Jesse Gallegos, Ry Chase, Kellen Joseph, Kurt Rhoads, Nance Williamson
Duração: 45 minutos

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