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Crítica | The Walking Dead: World Beyond – 2X08: Returning Point

Só faltou alguém morrer.

por Iann Jeliel
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  • Há SPOILERS. Leiam aqui as críticas de World Beyond e aqui as de todo o universo The Walking Dead.

Finalmente temos um episódio de World Beyond que corresponde à crescente de tensão gerada pelo anterior. Returning Point, na verdade, até gera uma outra mais forte que a passada através do senso tirano de comando de Jadis (Pollyanna McIntosh), que não quer saber de conversar ou administrar a situação. É intimidação e morte como exemplo do que acontece com traidores. Esse sentimento de periculosidade gerado pelo personagem adere ao episódio em todos os seus núcleos (vulgo basicamente todos os presentes na temporada), carregando o poder do suspense por detrás da execução do plano de fuga do grupo na CRM. Acho que em nenhum episódio do spin-off ficou tão forte o sentimento de que alguém importante iria morrer. Um sentimento que sinceramente fazia algum tempo que a franquia em si não me proporcionava com tamanha imprevisibilidade.

Justamente por essa construção cuidadosa de Lily Mariye (diretora do episódio passado, o melhor da série) que o desapontamento ao ter poucas consequências perante esse presságio é um tanto inevitável, embora não seja suficiente para diminuir a qualidade do episódio. Contudo, certamente abre mais nossos olhos para os defeitos do capítulo, que acaba sendo a justificativa para as escolhas frouxas da narrativa. Bem como a exposição dos diálogos no episódio passado, aqui temos soluções simples demais para grandes barreiras, ou caminhos para soluções que não encontram qualquer dificuldade. Entendo certas escolhas como forma de simplificação narrativa válida para a proposta, mas se as explicações soavam orgânicas e necessárias nos desdobramentos do episódio passado, neste o salto de alguns problemas que poderiam ser mais complicados, parece apenas conveniente.

Por exemplo, foi muito fácil Leo (Joe Holt) convencer os demais cientistas das más intenções da CRM e fazê-los participar da fuga, abandonando todos os privilégios que provavelmente tinham ali. Tudo bem que ele tinha aquela papelada que Huck pegou, mostrando qual coisa errada havia ali, mas além de não serem evidências concretas (papéis codificados), o mesmo episódio apresenta Brody (Lee Spencer) como um traidor, entregando o pessoal do Perímetro, e discute como Huck pode se safar caso seja descoberta de traição por haver outros soldados discordando, com a CRM – Barca (Al Calderon) que foi capturado por isso e ela o identificou como o zumbi que matou Lyla (Natalie Gold) – podendo ajudá-la. Ou seja, a possibilidade de algum dos cientistas discordar da ideia era alta, mas para não ocorrerem outras complicações, todos ficam de mãos dadas, e história que segue.

Outro exemplo foi a forma muito fácil como Dennis (Maximilian Osinski), Silas (Hal Cumpston) – que nem quis enfrentar e questionar Huck (Annet Mahendru) em mais um problema sendo pulado – e Will (Jelani Alladin) basicamente sozinhos derrotaram todo o batalhão da CRM, que iria exterminar os membros do Perímetro depois de Jadis descobrir o envolvimento de Indira (Anna Khaja) promovendo esconderijo aos personagens principais. Era esse o momento para uma sequência de impacto de perda, afinal, verdade seja dita, Elton (Nicolas Cantu) ficou sem muito o que fazer na temporada além do seu romance fofo com Asha (Madelyn Kientz). É um personagem carismático, então seria uma morte bem trágica (sentida ainda mais por estar ao lado do crush), marcante pela ótima construção da cena antes dos soldados atirarem, com Huck desesperadamente contida (para não desconfiarem dela) tentando barganha com Jadis para não dar a ordem de chacina. Aliás, os melhores momentos de Returning Point são nas interações entre as duas, com destaque para aquele em que Huck é forçada a matar Brody antes que ele a entregue.

Só que é aquilo, por que ele não entregou Huck antes? Possivelmente pela informação que deu, ele receberia os privilégios que pedia, de qualquer forma. Enfim, a lista de conveniências é grande em Returning Point. O próprio plano de ganhar tempo na Unidade de Biocontenção contava com o fato de Jadis iniciar um protocolo de lockdown que iria prender todos eles dentro da unidade e deixar os militares do lado de fora. Contudo, há uma facilitação em particular que não me incomodou e até conseguiu surpreender: a facilidade com que Hope (Alexa Mansour) convence Mason (Will Meyers) a segui-la para virar refém acabou sendo uma subversão do que poderia ser uma decisão irritante da jovem, arriscando a vitalidade do plano de fuga somente por conta de que achava o rapaz legal. Nem me toquei no momento de ele ser filho do Major General Beale (informação recentemente falada) e que isso seria usado com esse intuito na narrativa.

Essa barganha deve acontecer no próximo episódio em que as coisas pretendem esquentar ainda mais. Jadis já está “p” da vida por descobrir que os cientistas levaram todo o histórico de pesquisa e apagaram os dados do sistema da CRM, imagine quando precisar lidar com a negociação com o filho do chefe. Apesar dos problemas com a comodidade, Returning Point, e final de World Beyond em geral, tem a previsibilidade ao seu favor, até porque seria sacanagem nessa altura do campeonato se o intuito do spin-off se tornasse destruir as possibilidades de uma solução científica ao apocalipse com a derrota desses personagens, sendo que antes dele isso nunca havia sido cogitado. Os dois últimos episódios prometem!

The Walking Dead: World Beyond – 2X08: Returning Point | EUA, 21 de Novembro de 2021
Criação: Scott M. Gimple, Matthew Negrete
Direção: Lily Mariye
Roteiro: Eddie Guzelian
Elenco: Aliyah Royale, Alexa Mansour, Hal Cumpston, Nicolas Cantu, Nico Tortorella, Annet Mahendru, Joe Holt, Jelani Alladin, Ted Sutherland, Julia Ormond, Pollyanna McIntosh, Maximilian Osinski, Anna Khaja, Madelyn Kientz, Lee Spencer,  Will Meyers, Robert Palmer Watkins, Gissette Valentin, Allan Edwards, Susan Savoie, Gilbert Cruz, Adam Lindo, Wes Jetton, Victor Dobro
Duração: 45 minutos

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