Home Audiodramas Crítica | The War Doctor – 1ª Temporada: Only the Monstrous

Crítica | The War Doctor – 1ª Temporada: Only the Monstrous

por Luiz Santiago
136 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 5,0

NOTA INICIAL: CONTO THE STRANGER (2015)

Esta aventura se passa no 1º Segmento do Tempo, o que corresponde a um futuro distante (para nós) e algo próximo aos primeiros momentos da Time War. O War Doctor volta no tempo, para esse momento, e tenta impedir que algumas crianças de Gallifrey sejam mortas por Daleks que conseguiram passar pela atmosfera do planeta. Vejam que estamos bem antes do lugar supostamente bem protegido que vemos em The Last Day. Essa foi uma das primeiras ações do Doutor regenerado em termos de mudar as coisas ruins que os Daleks fizeram e, claro se colocar em um front de batalha contra essas criaturas.

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ANÁLISE DE ONLY THE MONSTROUS

Quando a figura de John Hurt apareceu pela primeira vez em Doctor Who, na cena final de The Name of the Doctor, foi como se nossa percepção de todo o show tivesse sido alterada. Demorou algum tempo para que a contagem dos Doutores e o “problema de Trenzalore” se acertasse, mas as respostas vieram. E veio também o Especial de 50 anos da série, The Day of the Doctor, e então vimos o War Doctor em ação pela primeira vez, após um leve vislumbre de sua aparição em The Night of the Doctor, onde o Guerreiro foi criado, no Planeta Karn.

Nascido das batalhas da Time War, forjado pela guerra, o Guerreiro assumiu a sua personalidade monstruosa, batalhando contra os Daleks, tentando salvar planetas e pessoas do fogo cruzado, planejando ataques e vendo crescer ainda mais dentro de si (se é que isso é possível) o ódio pelo seus maiores maiores inimigos, bem como o ódio pelos próprios Time Lords, alguns deles enlouquecidos pela guerra e determinados a agir de forma irresponsável, colocando em risco milhares de vidas apenas para testar um plano de ataque, uma missão misteriosa, uma tentativa bélica de estabelecer a paz.

Theinnocent doctor who war doctor

Todas essas coisas estão mais ou menos divididas em cada um dos três episódios de 1h que formam Only the Monstrous, a 1ª Temporada da série do War Doctor. Escrita e dirigia por Nicholas Briggs, esta temporada mostra o Guerreiro ainda no início de suas aventuras durante a Guerra do Tempo, considerando as aparições disponíveis desta encarnação até o lançamento desta Only the Monstrous. Abaixo, segue um pequeno esquema comentado da linha do tempo do War Doctor até o lançamento de Only the Monstrous, em dezembro de 2015.

  • Assumimos que o Doutor não especificado no livro The Dalek Factor (2004) seja o War Doctor, o que faz desta aventura o início de sua jornada. Este ponto, porém, é polêmico e perfeitamente aberto a discussões e mudanças.
  • O conto The Stranger, da antologia Heroes and Monsters Collection, lançado em 2015.
  • Only the Monstrous (as três aventuras em ordem de acontecimentos), que está localizada pouco tempo depois de The Stranger.
  • O livro Máquinas de Guerra (2014) e a companion Cinder vem logo depois.
  • E por fim, The Day of the Doctor.

Esta é a sequência de eventos que Briggs teve de considerar para escrever uma história coesa, orgânica e épica para o Doutor da guerra, tarefa em que se saiu maravilhosamente bem.

Um dos aspectos mais incríveis desta temporada foi a forma como a colocação dos Daleks e outros vilões menores foi arquitetada para mostrar a guerra em todos os seus horrores cotidianos e ininterruptos; as terríveis destruições de mundos ao redor da Galáxia (o Universo de Doctor Who durante a Time War e o Universo de Star Wars durante a Rebelião dividem muitas semelhanças narrativas, note bem) e a mudança que essa guerra causa em combatentes de ambos os lados, chegando a um ponto onde fica terrivelmente difícil confiar em alguém, mesmo que este alguém seja, aparentemente, seu aliado.

Thethousandworlds doctor who the war doctor

Esta múltipla visão da guerra tem no episódio de abertura, The Innocent, o seu maior contraste e este é definitivamente o meu favorito da temporada. O Doutor passa de Gallifrey e Omega One para o planeta Keska, onde é assistido pela doce e sonhadora Rejoice, uma keskaniana com enorme potencial para se tornar companion, mas que é impedida — pelo menos até esta temporada, nunca sabemos o que o Doutor poderá fazer no futuro — pela guerra e pela Cardeal Ollistra, uma Time Lady manipuladora que faz o jogo da guerra da forma mais inteligente e… diabólica possível.

A relação do War Doctor com Gallifrey é ampla e perfeitamente localizada no episódio seguinte, The Thousand Worlds, que é praticamente um filme de guerra sem imagens. Nicholas Briggs cria os mais incríveis campos de batalha e problematiza toda e qualquer instância militar, o que acrescenta ainda mais camadas de significado ao enredo em andamento. O exemplo dado pelo Doutor, utilizando a justificativa dos nazistas capturados (“eu só estava seguindo ordens“) para explicar que nem tudo é válido na guerra, toca o espectador de forma precisa e intensa, da mesma maneira que aumenta seu horror por hierarquias e a altos cargos de comando, normalmente abusivos.

Em The Heart of the Battle toda a docilidade que porventura ainda sobrasse em cena foi colocada de lado. A grande batalha final toma conta de praticamente todo o roteiro, sobrando apenas um acalentador espaço ao final, para uma visita do Doutor e da Cardeal Ollistra a Keska, que depois desta saga torna-se mais um planeta que com certeza estará na memória afetiva do Doutor e, claro, de qualquer whovian que ouvir esta história.

Theheartofthebattle doctor who the war doctor

Com excelente produção técnica, divina atuação de John Hurt e Jacqueline Pearce e roteiros incrivelmente concebidos para caber em uma timeline que conte os dramas televisionados, Only the Monstrous traz o War Doctor agora em sua própria série, uma estreia digna de aplausos pela sua produção impecável e pela oportunidade de nos mostrar mais sobre esse misterioso Doutor. E acreditem: ele é o Time Lord mais badass que você já ouviu falar.

Adendo: a adaptação musical feita para a abertura oficial da série, com maior destaque para o metais e percussão, criando uma peça sonora de guerra, uma marcha militar, ficou perfeita! Não tirou a essência do lendário tema e ao mesmo tempo fez uma versão que é perfeitamente aplicada ao War Doctor e sua era. Well done, Howard Carter!

The War Doctor – Series 1: Only the Monstrous (Reino Unido, dez, 2015)
Direção: Nicholas Briggs
Roteiro: Nicholas Briggs
Elenco: John Hurt, Jacqueline Pearce, Lucy Briggs-Owen, Carolyn Seymour, Beth Chalmers, Nicholas Briggs, Alex Wyndham, Kieran Hodgson, Barnaby Edwards
Duração: 60 min. (cada episódio)

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14 comentários

Mônica Barros 28 de março de 2020 - 00:05

Eu simplesmente adoro os áudios do War Doctor. São tristes, dramáticos, mas muito apaixonantes. É o Doutor em becos sem saída, com poucas opções, mas sempre querendo dar o melhor de si. E a Cardeal Ollistra – poxa, a personagem mais maravilhosa que existe. Ela tem o toque exato de inflexibilidade e crueldade que se esperaria de um grande general junto com uma capacidade infinita de manipulação. Incrível. Only The Monstrous é só um aperitivo das histórias excelentes que vêm por aí.

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Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 28 de março de 2020 - 14:28

Quando eu embarquei nessa viagem não fazia ideia do quanto iria gostar. Como você disse, são áudios tristes, dramáticos, apaixonantes. Ollistra é uma personagem tão maravilhosa que nem sei falar direito. Adoraria vê-la na TV!

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Tiago Lima 28 de maio de 2016 - 15:03

Estou no chão! Segurem este forninho. QUE AUDIODRAMA MARAVILHOSO!

Não nego que gostei muito mais de Only The Monstrous do que The Diary of River Song. Apesar de serem histórias com propostas e focos diferentes, a 1° Temporada do War Doctor me agradou muito mais.

E fico encantado como John Hurt é um excelente ator. Tão shakesperiano! E isso para nós, que não temos a inglês como língua materna é otimo. A articulação das falas é mais precisa, pausada, clara e assim fácil de assimilar e entender.

Gostei bastante do roteiro de Briggs e prestarei mais atenção em seus trabalhos. É interessante como ele coloca o Doutor em determinadas situações que exigem sacrifícios para “um bem maior” e sempre se questionando o quanto isso pode ser justificável. O momento em que ele lança os explosivos para detonar a nave com os Keskesianos cientistas foi de partir o coração. Assim como seus rompantes quando o chamam de Doutor.

Adoraria ver na tv não só o planeta Keska como Rejoice, os Taalyens e Cardinal Ollistra, que já entra naquela lista de personagens que amamos odiar.

Responder
Luiz Santiago 28 de maio de 2016 - 19:47

Cara, esta foi a minha reação ao terminar essa temporada. Foi um negócio simplesmente encantador. E o que você fala do John Hurt é mesmo uma coisa de outro mundo. Esse cara é sensacional demais, meu Deus!!!

Ah, a Ollistra VAI TER QUE aparecer em algum momento da série, por favor!

Responder
Luiz Santiago 28 de maio de 2016 - 19:47

Cara, esta foi a minha reação ao terminar essa temporada. Foi um negócio simplesmente encantador. E o que você fala do John Hurt é mesmo uma coisa de outro mundo. Esse cara é sensacional demais, meu Deus!!!

Ah, a Ollistra VAI TER QUE aparecer em algum momento da série, por favor!

Responder
Tiago Lima 28 de maio de 2016 - 15:03

Estou no chão! Segurem este forninho. QUE AUDIODRAMA MARAVILHOSO!

Não nego que gostei muito mais de Only The Monstrous do que The Diary of River Song. Apesar de serem histórias com propostas e focos diferentes, a 1° Temporada do War Doctor me agradou muito mais.

E fico encantado como John Hurt é um excelente ator. Tão shakesperiano! E isso para nós, que não temos a inglês como língua materna é otimo. A articulação das falas é mais precisa, pausada, clara e assim fácil de assimilar e entender.

Gostei bastante do roteiro de Briggs e prestarei mais atenção em seus trabalhos. É interessante como ele coloca o Doutor em determinadas situações que exigem sacrifícios para “um bem maior” e sempre se questionando o quanto isso pode ser justificável. O momento em que ele lança os explosivos para detonar a nave com os Keskesianos cientistas foi de partir o coração. Assim como seus rompantes quando o chamam de Doutor.

Adoraria ver na tv não só o planeta Keska como Rejoice, os Taalyens e Cardinal Ollistra, que já entra naquela lista de personagens que amamos odiar.

Responder
Felipe Maistro 14 de fevereiro de 2016 - 20:06

Acabei de ouvir os três áudios e achei eles… não consigo definir. Adorei as histórias, mas tirando alguns poucos momentos, o War Doctor ta mais pro 8º com a voz do John Hurt, não consegui enxergar esse Time Lord que vai matar todo mundo e não liga pras consequências, porque ele se preocupou bastante com a Rejoice no fim das contas. Apesar dos pesares eu gostei, estarei esperando as próximas temporadas e o prequel com o 8º Doctor.

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Luiz Santiago 14 de fevereiro de 2016 - 20:34

Curioso isso, porque eu consigo ver bastante diferença entre ele e o 8º Doutor, menos considerando os momentos mais densos e mais raivosos do 8º. A questão que marca o Doutor aqui é mais o isolamento, um isolamento bem diferente daquele a que o 8º queria antes de Dark Eyes, sabe.

Ele não é inconsequente, se foi isso que eu entendi que você falou. E nesse caso, eu concordo com você. Ele não quer sair matando nem nada. Mas ele dá menos importância à diplomacia do que qualquer outro Doutor, na minha opinião. Isso não quer dizer que ele não tente, nem nada. Porque ele tenta e se preocupa, como você disse. Mas é uma preocupação e uma tentativa com um pé no ataque…

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Felipe Maistro 14 de fevereiro de 2016 - 23:15

Não digo que ele é inconsequente, mas pra “mudar de nome” e não querer ser chamado mais de Doctor, achei que os ideais dele seriam totalmente mais extremos e tal, sendo que antes ele até fez coisas piores. A primeira vez que eu literalmente vi o War Doctor foi no fim do primeiro áudio que ele discute com a Rejoice fazendo ela cair do barco, mas creio que esse jeito mais calmo foi só nessa primeira temporada mesmo, pra introduzir o personagem, que nas próximas ele mostre para o que veio.

Como eu disse, gostei bastante das histórias, mas só isso mesmo que não me fez gostar 100%, não que tenha estragado a história, porque o John Hurt estava divino e sassy no personagem, só algumas coisinhas que eu mudaria ou teria que me acostumar mesmo, dependendo do caso, afinal não temos muita coisa do War, só a participação dele no especial, estão moldando o personagem ainda.

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Luiz Santiago 14 de fevereiro de 2016 - 23:43

Essa falta de material para a gente ir se acostumando é mesmo complicado. Estou roendo as unhas paga ouvir a 2ª Temporada. E concordo com você, acho que ele vai ter uma postura bem mais carregada na próxima temporada.

E só por curiosidade, vamos papear aqui: que coisinhas você não gostou e que mudaria?

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Felipe Maistro 14 de fevereiro de 2016 - 23:55

É mais sobre a personalidade do War mesmo, um pouco mais de mitologia também, mas entendo que por ser o começo eles estão segurando um pouco, porém ele citar que o estopim da Time War foi o Doctor indo visitar os Daleks lá em Genesis of the Daleks foi genial.

E no começo antes de ouvir eu já tava com um pouco de preconceito ao ver que teria uma companion com ele, sendo que ele tem que se preocupar com uma guerra e não em levar pessoas com ele na Tardis, mas ela foi muito bem introduzida e não foi jogada ali só pra ser apenas mais uma.

A resolução do plano dos Daleks achei meio que rápida a resolução também, foi muita gritaria e jogada ali kkkkk, mas deu pra entender o plano maior e onde iriam chegar. E no primeiro áudio quando o War desmaiava e sonhava, só que como não é mostrado, temos que imaginar e eu demorei pra entender o que estava acontecendo no meio dos ataques e gritaria kkkkkkk, mas consegui captar.

Tirando isso acho que não teve mais nada que me incomodou, nem foi coisa muito grande ou grave, quem sabe a próxima vez que eu ouvir já seja mais de boa.

Luiz Santiago 15 de fevereiro de 2016 - 12:08

Às vezes é difícil mesmo localizar algumas ações, de imaginar o que está acontecendo e que passamos de uma cena para outra. Dependendo da série, a produção coloca uma espécie de motivo musical, daí a gente saca. Mas nesses full cast, que são os meus favoritos, por sinal, a gente tem que redobrar a atenção mesmo. Até nativos na língua reclamam disso. Já vi gente falar a mesma coisa no fórum da BF hahahahaha.

E no final a Rejoice nem se torna MESMO uma companion, né. É algo mais de momento e tal. Aliás, aquele final até me emocionou um pouco, com o Doutor voltando com a Ollistra para Keska, no futuro. Sem contar na interpretação do John Hurt que por favor, né. Arrebenta tudo! 😀

Felipe Maistro 16 de fevereiro de 2016 - 00:08

Pois é, as diferenças sonoras as vezes ajudam mesmo, mas até você entender já perdeu alguns minutos quebrando a cabeça. No fim a Rejoice foi demais, ela virando um mártir pro pessoal do planeta. Todo meu preconceito que tinha eu paguei com a minha língua e curti muito ela, já quero aparecendo na série kkkkk.

Luiz Santiago 17 de fevereiro de 2016 - 01:02

Hahahahaa, eu também fico imaginando os personagens que eu gosto dos áudios em alguns episódios da série. É um exercício bem legal de se fazer! Que venha agora a 2ª Temporada de The War Doctor!

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