Crítica | The War Doctor – 2ª Temporada: Infernal Devices

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Pelo amor de Rassilon, que série é essa, minha gente? Que personagem absurdamente fantástica (o odiável) é essa Ollistra! A BBC precisa levar essa mulher para a TV logo, por favor! Ok, agora que passou a minha febre, vamos conversar um pouquinho sobre essa maravilhosa 2ª Temporada da série The War Doctor.

Devido a altíssima qualidade da 1ª Temporada (Only the Monstrous), eu confesso que não esperava que esta segunda seguisse a narrativa de perto, mas estava enganado. Sim, este segundo ano do show tem uns probleminhas, boa parte deles concentrados no primeiro dos três episódios, no desenvolvimento do tema e do problema da vez. Todavia, como as temporadas desta série são um arco inteiro dividido em três partes, com histórias diferentes mas integrantes do tema principal, os tropeços na apresentação do problema central logo se dissipam e são até compreendidos pelo ouvinte, que mais uma vez nota o quão infames podem ser os Time Lords (não só durante a Time War, vale dizer) e o quão horrorosa essa guerra foi.

Big Finish sabia muito bem o tipo de material que tinha em mãos e a imensidão do protagonista da série, de modo que vemos aqui um extremo cuidado e coragem da produtora em seguir adiante com inúmeras referências às duas Guerras Mundiais na construção dos horrores da Time War, e o resultado disso é impressionante porque adiciona elementos geopolíticos bastante conhecidos aliados a terríveis decisões de um povo durante uma guerra, especialmente numa dessa dimensão. Nesse processo, os roteiros de John Dorney (Legion of the Lost), Phil Mulryne (A Thing of Guile) e Matt Fitton (The Neverwhen) coloca o War Doctor em diversos campos de batalha, guerreando ao mesmo tempo contra os muitos dispositivos infernais utilizados por Daleks e Time Lords, ao mesmo que tempo que sofre a perseguição da Cardinal Ollistra, papel vivido de maneira brilhante por Jacqueline Pearce.

A ligação entre as histórias se dá em dois patamares: um envolvendo o tráfego do Doutor de um lugar para o outro e sendo seguido ou boicotado por Ollistra e outro envolvendo as necessidades da guerra com as particularidades de cada episódio: os Technomancers e seus Horned Ones em Legion of the Lost e os Daleks com seus diversos experimentos nos dois episódios seguintes. Em cada uma dessas fases vemos o Doutor em luta com a sua própria identidade, e Ollistra tentando utilizar o lado guerreiro do Time Lord para envolvê-lo de forma mortal na guerra, transformando-o até em “criminoso e prisioneiro de guerra” e depois colocando-o numa espécie de coleira para mantê-lo por perto. O acúmulo de situações insanas envolvendo Ollistra nessa temporada faz a gente babar de ódio pela personagem, mas ao mesmo tempo reconhecer o quão fantástica ela é, especialmente porque existem meios-tons em sua composição moral, logo, uma frase ou algumas provocações que ela faz para o Doutor nos vê-la, ao menos por alguns segundos, de modo completamente diferente.

Quando The Night of the Doctor foi lançado, muita gente ficou intrigada com o comportamento de Cass, que preferia morrer a entrar na TARDIS do 8º Doutor. Ouvindo essas histórias da Big Finish a gente tem uma perfeita compreensão daquele comportamento, de quanto os Time Lords se tornaram verdadeiros vilões nessa guerra. E sim, eles não são os único infames da história, mas o que fizeram no decorrer dessa longa jornada contra os Daleks é o bastante para acender a ira de qualquer um. Dramaticamente, isso fica ainda melhor quando visto a partir de histórias do War Doctor, dando mais um bom motivo para quem não ouviu, correr atrás dessas histórias.

The War Doctor – 2ª Temporada: Infernal Devices (Reino Unido, 22 de fevereiro de 2016)
Direção: Nicholas Briggs
Roteiro: John Dorney (Legion of the Lost), Phil Mulryne (A Thing of Guile) e Matt Fitton (The Neverwhen).
Elenco: John Hurt, Jacqueline Pearce, Zoë Tapper, David Warner, Robert Hands, Jamie Newall, Nicholas Briggs, Oliver Dimsdale, Laura Harding, Tim Bentinck, Jaye Griffiths, Barnaby Kay, Tracy Wiles
Duração: 3 episódios de 60 min. cada.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.