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Crítica | The War Doctor – 3ª Temporada: Agents of Chaos

por Luiz Santiago
232 views (a partir de agosto de 2020)

Depois de duas excelentes temporadas (ainda que a primeira seja melhor que a segunda) a série The War Doctor dá o seu primeiro sinal de fraqueza, com uma 3ª Temporada ainda muito boa, mas que se afasta consideravelmente do nível muito alto estabelecido pelas sagas anteriores do Doutor da Guerra vivido por John Hurt. Chegando para o público em outubro de 2016, essa penúltima temporada, assim como as duas anteriores e a seguinte, está dividida em 3 episódios, nesse caso, The Eternity Cage, The Shadow VortexEye of Harmony.

O melhor da trilogia é o primeiro capítulo, The Shadow Vortex, que se passa em Berlim Oriental, no ano de 1961. O Doutor é colocado no encalço de uma agente dos Daleks, Lara Zannis, que tem um terrível propósito. O Doutor tenta o máximo manter “a guerra distante desse canto do Universo” e desta vez precisa se envolver justamente para impedir que os Daleks consigam alguma coisa por aqui, visto que Zannis violou o escudo quântico que protegia o planeta e o caos está prestes a se instalar. Temos aqui uma aventura de forte caráter humano, um ótimo dilema moral e um bom trabalho do roteirista David Llewellyn em explorar as questões ligadas à Guerra Fria nesse processo. Parece até uma ótima aventura da UNIT!

No segundo episódio, The Eternity Cage, escrito por Andrew Smith, vemos as coisas perderem um pouco o impacto narrativo. Tudo bem que é, ao que parece, o primeiro encontro do War Doctor com os Sontarans e temos aqui a referência de que eles de fato tentaram participar da Guerra do Tempo, mas a coisa simplesmente não avança muito. O sequestro de Ollistra, que começa a ser resolvido aqui — mas as consequências são levadas para o episódio seguinte — também é um tipo de drama menor que pontualmente tem seu peso (logo ela, que tanto perturbou a vida do Doutor, agora precisa ser salva por ele) mas não guarda aquilo que a série tem de melhor: o tom épico, a verdadeira cara de guerra.

No desfecho da temporada, Eye of Harmony, de Ken Bentley, o tom da narração ganha uma maior similaridade com aquilo que a gente esperava da série. É uma trama de vingança que vem na linha dos eventos do episódio anterior, sendo Ollistra utilizada como isca para uma empreitada e tanto. Mas apesar de trazer a cara da Time War, o episódio não tem uma história verdadeiramente intensa, não faz a tão interessante dualidade entre a postura do Doutor e tantas posturas questionáveis de Gallifrey, assim como conflitos morais de peso. Em vez disso, temos uma básica trama de alguém burro demais para confiar nos Daleks, o que até pode ser legal em outro tipo de cenário, mas não aqui.

Agents of Chaos é um bom título para este ano da série, e ele é tratado com muita atenção pelos roteiros. É uma pena que apenas a primeira história chame de verdade a nossa atenção, mas no todo, estamos bastante acima da média. Só me deixa um pouco triste que a série não tenha acompanhado o mesmo ritmo de seus anos anteriores. E infelizmente só há mais uma temporada com o War Doctor pela frente…

The War Doctor – 3ª Temporada: Agents of Chaos (Reino Unido, 6 de outubro de 2016)
Direção: Nicholas Briggs
Roteiro: David Llewellyn (The Shadow Vortex), Andrew Smith (The Eternity Cage) e Ken Bentley (Eye of Harmony).
Elenco: John Hurt, Neve McIntosh, Honeysuckle Weeks, Timothy Speyer, Helen Goldwyn, Gunnar Cauthery, Matthew Cottle, Jacqueline Pearce, Nicholas Briggs, Josh Bolt, Dan Starkey, Andrew French, Barnaby Edwards
Duração: 3 episódios de 60 min. cada.

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6 comentários

Pedro Sebastião Pereira Amaro 4 de agosto de 2020 - 17:11

Meu box favorito não é esse, mas gosto muito de como o WarDoctor é retratado aqui. Os paralelos entre os tipos de guerra são excelentes e a cardinal Olistra é alguem que se ama odiar.

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Luiz Santiago 4 de agosto de 2020 - 19:27

Como eu gostaria de ver essa personagem na TV! É bem isso mesmo: a gente ama odiar a tia Ollistra!

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Mônica Barros 24 de julho de 2020 - 22:32

Infelizmente tenho que discordar, gostei TANTO deste volume… Especialmente “The Eye of Eternity” – que pela primeira vez traz alguns aspectos “técnicos” do Olho da Eternidade, tão falado e tão pouco explicado. Achei excepcional a forma como colocaram a ligação entre o “olho” que existe no centro da Tardis com a Supernova em colapso que fornece a energia infinita que os Time Lords tem à sua disposição. Dá para viajar muito na teoria, adorei. Achei ótima, com um final cheio de suspense e ação (mesmo sabendo, é claro, que nossos heróis iam se sair bem ^.^ ). Mas cada pessoa gosta de coisas diferentes – o que é a graça de criticar e comentar 🙂

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Luiz Santiago 24 de julho de 2020 - 22:53

Isso é verdade! Algumas ideias aqui simplesmente não me conquistaram de jeito nenhum. Você gostou mais desse volume do que dos outros, Mônica?

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Mônica Barros 24 de julho de 2020 - 23:49

Na verdade, meu box favorito é o Segundo, por causa dos incríveis “Infernal Devices”, especialmente “The Neverwhen” – nunca imaginaria uma arma tão cruel e que usa fantasticamente o conceito de viagens no tempo. Mas este terceiro fica bem perto, seguido pelo quarto. Não brigue comigo, mas achei o primeiro o mais fraquinho…

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Luiz Santiago 25 de julho de 2020 - 01:55

Gente, eu adorei demais o primeiro. Agora só falta mais um e já estou com saudades, viu…

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