Crítica | The War Master – 1ª Temporada: Only the Good

Um dos grandes lamentos da comunidade whovian foi ver um ator do porte de Derek Jacobi ter sido escalado para Doctor Who em um papel tão importante quando o do Mestre e ficar apenas um episódio. A Big Finish, porém, como vive fazendo tudo sozinha (especialmente após o contrato que a permite usar personagens da Nova Série, com exceção do Doutor atualmente em atividade), contratou o ator para um novo programa, intitulado The War Master, cuja primeira temporada leva o subtítulo de Only the Good (algo similar ao que temos na série do War Doctor, além de algumas outras séries da produtora em safras próximas a essas criações). Plano Crítico.

Um dos grandes lamentos da comunidade whovian foi ver um ator do porte de Derek Jacobi ter sido escalado para Doctor Who em um papel tão importante quando o do Mestre e ficar apenas um episódio. A Big Finish, porém, como vive fazendo tudo sozinha (especialmente após o contrato que a permite usar personagens da Nova Série, com exceção do Doutor atualmente em atividade), contratou o ator para um novo programa, intitulado The War Master, cuja primeira temporada leva o subtítulo de Only the Good (algo similar ao que temos na série do War Doctor, além de algumas outras séries da produtora em safras próximas a essas criações).

Composta por quatro episódios (Beneath the Viscoid, The Good Master, The Sky Man e The Heavenly Paradigm), a temporada se estabelece em momentos diferentes da vida do Mestre da Guerra, dando a oportunidade de o espectador ouvir os 3 primeiros áudios em qualquer ordem, sem prejuízo de perder alguma informação. Embora exista uma costura dramática que podemos denominar como tema da temporada, os três primeiros capítulos funcionam de maneira independente. Já o quarto não traz essa possibilidade. Claro que se alguém ouvi-lo isoladamente entenderá o que se conta, mas perderá uma enorme quantidade de informações, então fica aqui a minha sugestão e aviso para que só ouçam The Heavenly Paradigm depois de ter passado pelos outros três episódios.

A primeira história é a que vai direto ao ponto e, dentre outras coisas, tem a capacidade de nos acostumar com esse novo Mestre, evidentemente com uma interpretação maravilhosa de Jacobi. Escrito por Nicholas Briggs, o roteiro é o que mais elementos de fácil assimilação nos traz, além de colocar o Mestre em uma posição que nos engana o tempo inteiro, uma vez que ele está jogando com Daleks e com os nativos do planeta Gardezza, onde pretende recuperar sua TARDIS. É uma história de apresentação muito boa, construindo uma personalidade que veríamos se expandir e confirmar padrões de comportamento para essa encarnação. No fim, o renegado recebe uma mensagem de Gallifrey e está disposto a responder, mas aqui não temos uma continuação em sequência para esse chamado (isso só veremos em Gallifrey: Time War – 1ª Temporada). E é aí que pulamos para o arco central de Only the Good, com o Mestre ao lado do jovem piloto Cole Jarnish, que se torna uma espécie de companion do vilão.

The Good Master (audio story) doctor who the war master

Por mais conceitualmente interessantes que sejam, os três episódios finais não me chamaram assim tanta atenção. É verdade que eles estão solidamente acima da média e que estamos diante de interpretações muito boas de todos os personagens, mas aquilo que nos é apresentado não me atraiu tanto assim, especialmente no caso de The Sky Man, o episódio mais chatinho da temporada — mas não ruim, veja bem. A coisa mais interessante, todavia, acontece no Finale, The Heavenly Paradigm, onde a BF sabiamente já entregou a aventura que explica como o War Master se tornou o Professor YANA. Evidente que essa transformação tem a ver com um paradoxo temporal e não é assim tão simples como se imagina (“ah, mas ele só usou o Arco Camaleão para se disfarçar em humano!“). Bem… foi isso que aconteceu, mas de uma forma completamente inesperada, e só possível com a ajuda de uma tecnologia dos Senhores do Tempo chamada Heavenly Paradigm, escondida numa casa em Stamford Bridge, Inglaterra, nos anos 1970. Essa tecnologia, movida a paradoxos (por isso Cole é levado para a casa pelo Mestre, como “sacrifício”) tem a possibilidade de alterar linhas do tempo para “a melhor possibilidade delas“, o que, no contexto de uma guerra como a Time War, certamente pode trazer inúmeros problemas.

Embora seja uma boa apresentação de como o Mestre se torna o professor/cientista que conhecemos em Utopia, faltou um pouco mais de exploração para o sentimento geral do personagem em relação à guerra. Claro que isso ocorre em doses pequenas, mas é tudo muito rápido, emergencial, dando-nos a impressão de uma justificativa corrida (embora compressível e aceitável) para o definitivo afastamento do Mestre. O momento em que até alguém como ele considerava que tudo estava perdido e que não poderia mais fazer parte daquela realidade. A única alternativa era ir para um futuro absurdamente distante, deixar de ser um Time Lord e… começar de novo.

The War Master – 1ª Temporada: Only the Good (14 de dezembro de 2017)
Direção: Scott Handcock (todos os episódios)
Roteiro: Nicholas Briggs (Beneath the Viscoid), Jay Harley (The Good Master), James Goss (The Sky Man), Guy Adams (The Heavenly Paradigm).
Elenco: Derek Jacobi, Nicholas Briggs, Jacqueline King, Deirdre Mullins, Mark Elstob, Rachel Atkins, Hannah Barker, Jonny Green, Jacob Dudman, Emily Barber, Robert Daws
Duração: 4 episódios, cerca de 50 min. cada um.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.