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Crítica | Thunderbirds – 1X01: Trapped in the Sky

por Ritter Fan
918 views (a partir de agosto de 2020)

Bem-vindos ao Plano Piloto, coluna dedicada a abordar exclusivamente os pilotos de séries de TV.

Número de temporadas: 02
Número de episódios: 32
Período de exibição: 30 de setembro de 1965 a 25 de dezembro de 1966.
Há continuação ou reboot?: Descontando as versões reeditadas e condensadas dos episódios originais e os audiodramas originais da década de 60 e também os recentes, iniciados em 2021, a série ganhou duas continuações em forma de longa-metragem, Thunderbirds Are Go (1966) e Thunderbird 6 (1968), um remake na forma de anime, Thunderbirds 2086 (24 episódios que foram ao ar entre 17 de abril e 11 de setembro de 1982), um remake live-action lançado nos cinemas (Os Thunderbirds, de 2004) outro remake com marionetes, Thunderbirds Are Go (78 episódios entre 04 de abril de 2015 e 22 de fevereiro de 2020), e uma minissérie em 2016, baseada em alguns audiodramas originais, produzida com patrocínio coletivo.

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Só tem uma técnica usada no audiovisual que consegue em mim o nível de fascinação que o stop motion exerce, este é sem duvida o uso de marionetes! Mesmo considerando clássicos modernos como o escrachado Team America: Detonando o Mundo e a inacreditável série Cristal Encantado: A Era da Resistência,  não há nada mais consistente com o uso dessa técnica do que as obras produzidas pela empresa britânica AP Films, que se tornaria, depois, Century 21 Productions, e sua autodenominada Supermarionation que, apesar de ter oficialmente começado com Supercar, em 1961, tem sua origem mesmo ainda antes, em Four Feather Falls, de 1960, já que a sincronização dos movimentos labiais com as vozes, que é uma das principais marcas do estilo, começou lá.

E, dentre as diversas criações da prolífica produtora, Thunderbirds é a mais famosa e bem-sucedida, bastando para isso constatar que ela basicamente continua gerando frutos até os dias de hoje. A série inspira-se em um sem-número de obras de espionagem e ficção científica, resultando em uma mescla temática muito eficiente que gira ao redor da organização privada e secreta Resgate Internacional (International Rescue) capitaneada por Jeff Tracy (Peter Dyneley, que também empresta a voz para a icônica contagem regressiva da abertura dos episódios), viúvo milionário americano e seu clã familiar formado por cinco filhos, todos agentes especializados de sua empreitada, além do gênio Brains (David Graham), do mordomo e faz-tudo Kyrano (também Graham), todos agindo a partir da Ilha Tracy e, finalmente, de Lady Penelope (Sylvia Anderson), a agente londrina do grupo.

O primeiro episódio, Trapped in the Sky, não conta exatamente uma história de origem da Resgate Internacional, mas sim sua primeira aparição pública que é precipitada pelo estratagema vilanesco de O Capuz (The Hood, voz de Ray Barrett, um personagem oriental altamente estereotipado, mas temos que ter em mente a época da produção e que se tornaria o arqui-inimigo da equipe) que planta uma bomba no trem de pouso do voo comercial inaugural do Fireflash, de Londres para Tóquio (a série se passa no futuro, entre 2065 e 2067). O avião, com motor atômico e que pode voar até seis vezes a velocidade do som, não pode pousar com a sabotagem, mas em pouco tempo a radiação de seu combustível começaria a vazar e a contaminar os passageiros e tripulação, uma situação impossível que faz com que o patriarca dos Tracy decida expor de imediato seus planos de uma organização secreta para ajudar a humanidade.

Como se tornaria padrão na série, o grande charme dos episódios é a apresentação dos agentes e equipamentos que serão usados no resgate da vez, com toda a complexidade e detalhismo que segue a partir daí, como os altamente modernos veículos Thunderbird 1 a 5, todos os seus gadgets, além das sensacionais maneiras como eles decolam da ilha, com o Thunderbird 1, por exemplo, decolando debaixo da piscina. Claro que essa estrutura de namoro eterno com os aparelhos usados cobra seu preço e o maior deles é estender demasiadamente a duração de cada episódio que tem, em média 50 minutos, bem mais do que o necessário para se contar as histórias como o primeiro episódio deixa patente.

Por outro lado, estamos falando do Supermarionation, claro, e é visível o carinho da produção com cada detalhe da série, seja nas fisionomias dos personagens, seja nos panos de fundo variadíssimos, seja nos veículos e gadgets. Tudo é pensado nos mínimos detalhes e há momentos em que, se o espectador não souber que está vendo um cenário para uma série de marionetes, acreditará que são tomadas reais ou pelo menos cenários padrão de estúdio. As vozes cambam para aquela impostação heroica para os protagonistas que chega a ser engraçada, mas todas elas funcionam muito bem, inclusive – e especialmente – a sincronização labial que, claro, não é perfeita, mas dá mais do que conta do recado. Os fios das marionetes também aparecem, mas há todo um enorme zelo para torná-los quase que completamente invisíveis, isso em uma época em que todo o tipo de efeito era na própria câmera, sem “borracha digital”.

A trilha sonora composta por Barry Gray, que acompanhou a produtora por toda sua trajetória, é mágica desde a inesquecível música de abertura “The Thunderbirds March“, até toda a música incidental que segue a mesma veia heroica do elenco de vozes, exatamente como a própria estrutura da série exige. É quase como ver uma enorme sucessão de “sequências de abertura”, já que cada novo equipamento da Resgate Internacional ganha sua vinheta sonora e visual, como uma assinatura, um leit motif que ajuda a deixar o espectador completamente familiarizado e confortável com o que está assistindo.

Thunderbirds é um deleite audiovisual que merece todo o destaque que teve quando de seu lançamento e toda a fama que angariou ao longo das décadas. Uma série para ser apreciada em doses homeopáticas, claro, mas cujo primeiro episódio acerta em quase tudo que tenta fazer, tornando as inevitáveis repetições narrativas apenas mais minutos para que o espectador possa ver o detalhismo quase inacreditável do Supermarionation.

Obs: Quem quiser rever ou conhecer Thunderbirds, clique no piloto completo disponibilizado oficialmente pela Shout! Factory, em seu canal do Youtube, logo abaixo:

Thunderbirds – 1X01: Trapped in the Sky (Reino Unido, 30 de setembro de 1965)
Criação: Gerry Anderson, Sylvia Anderson
Direção: Alan Pattillo
Roteiro: Gerry Anderson, Sylvia Anderson
Elenco: Peter Dyneley, Shane Rimmer, David Holliday, Matt Zimmerman, David Graham, Ray Barrett, Christine Finn, Sylvia Anderson, Ray Barrett
Duração: 50 min.

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