Crítica | Titãs – 1X07: Asylum

Contém spoilers.

O asilo é um cenário recorrente da mitologia que envolve o Batman, personagem associado com o protagonista de Titans, Dick Grayson (Brenton Thwaites), mas a localidade retratada no novo episódio da série não se encontra dentro de uma premissa argumentativa destinada a criar uma outra instituição marcante, em comparação com o icônico Asilo Arkham – que não é nem meramente mencionado. Um caráter quase genérico, em contrapartida, é recorrido para a exploração dos personagens e não da narrativa relacionada a esse ambiente qualquer, meramente impulsionador de demais desenvolvimentos dramáticos. A exemplo, respostas não são dadas aos espectadores. O que aqueles cientistas estavam fazendo e qual é o interesse deles em Rachel (Teagan Croft)? Os mistérios continuam. Asylum, de certa maneira, é um episódio que redunda pontualmente certos arcos de personagens, enquanto, paralelamente, se aprofunda em cada um dos jovens e os seus respectivos demônios, alguns mais óbvios que outros – existentes dentro do corpo de todos eles, no entanto, não necessariamente inerentes a eles.

O enredo começa de onde o último episódio, Jason Todd – enfocado completamente em Dick Grayson -, parou, quando Dr. Adamson (Reed Birney) pediu para conversar a sós com Rachel. A primeira cena do episódio é impressionante, mostrando a competência do nome de Alex Kalymnios no comando dessa incursão da série pelos meandros psicológicos dos seus personagens. O artista imprime planos menos aleatórios, mostrando mais consciência do que está sendo filmado e do que está sendo enquadrado – a movimentação de câmera também é mais presente, guiando-se livremente por certos cenários, imergindo, consequentemente, o espectador na narrativa, que não é muito complexa na verdade. Os reflexos dos personagens, durante o interrogatório feito por Dick e Kory (Anna Diop) em Adamson, causa uma considerável claustrofobia – sensação inexorável às ameaças provenientes de interrogações -, ao mesmo tempo que simula uma troca de antagonismo entre heróis e vilões e igualmente prenuncia a condição dualística de Asylum – a simetria nos primeiros planos é uma marca desse objetivo.

O diretor, visualmente, recorre a diversas explorações interessantes de dualidades, através de reflexos presentes tanto em espelhos – como na reprodução infinita de cópias de Rachel, durante a cena de sua conversa com Adamson -, quanto em sombras e poças d’águas – Dick Grayson olhando para o chão e enxergando Robin, ao final do episódio. Asylum trabalha excepcionalmente bem essa contraposição das diferentes facetas dos seus personagens, seus lados que, enfim, se chocam conjuntamente. O homem e o animal, no caso de Mutano (Ryan Potter). A garota inocente e a garota demoníaca, no caso de Ravena. A mulher e a alienígena, no caso de Estelar. O homem e o animal, novamente, mas diferentemente, no caso de Robin. A descoberta de que a mãe de Rachel está aparentemente viva move essa trama – mais uma vez, sem grandes complicações -, contudo, o que acontece dentro desse cenário aparentemente comum provoca cada um dos personagens de maneiras particulares, porém, definitivas, insinuando o episódio como um evento crucial no desenvolvimento deles.

Uma mordida que se transforma em uma carnificina, em um dos casos, significa a completa desestruturação da inocência de Gar, agora com marcas de sangue definitivas em suas mãos e garras. O momento é poderoso, mesmo que diminuído pela atuação cínica de Teagan Croft, sem prestar atenção no valor do que acabou de acontecer ao seu amigo, entretanto, mais envolvida na fuga daquele ambiente inóspito à sanidade. O que acontece com a personagem, por outro lado, também ratifica esse caráter sombrio da série, com a personagem matando Adamson. A dualidade entre curar e matar é importante para esse discurso de versões de si que se opõem. Já o desenvolvimento de Kory, em relação a esses outros segmentos, é menos relevante para o conjunto, menor, porém, também é apresentado com competência. Quando a personagem está sendo investigada, a exótica trilha sonora incita essa descoberta do que é alienígena dentro da mulher. Grayson, por fim, passa por momentos muito bons, mas que pouco complementam, contudo, repetem o que já estava sendo posto em prática anteriormente, em Jason Todd.

Titãs – 01X07: Asylum – EUA, 23 de novembro de 2018
Criação: Akiva Goldsman, Geoff Johns, Greg Berlanti
Direção: Alex Kalymnios
Roteiro: Bryan Edward Hill, Greg Walker
Elenco: Brenton Thwaites, Anna Diop, Teagan Croft, Ryan Potter, Reed Birney, Rachel Nichols
Duração: 45 min.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.