Crítica | Titãs – 1X11: Dick Grayson

Contém spoilers.

O mais que curioso Dick Grayson, conclusão da temporada de um seriado que conquistou surpreendentemente o seu público, mostra, com muita incompetência, ser igualmente uma problemática redefinição do que passou a ser, enfim, a série Titãs, deixando o seu passado como construidora de uma identidade própria, caso a maior violência gráfica fosse uma das demandas por um distanciamento das outras produções cinematográficas, para se unir ao fan service da maneira mais inócua possível, sem nenhuma intenção narrativa concreta. A criação de um universo não acompanha a criação de uma narrativa. As palavras a comportarem o sentimento do espectador, após os quarenta minutos desse derradeiro episódio, são muitas, mas não variam: decepção, frustração, raiva, vazio ou qualquer outra expressão sinônima ao quão insuficiente é o capítulo para a conclusão de uma temporada. O espectador que não estiver embriagado pela carga nérdica presente nessa season finale certamente coçará a cabeça e se perguntará: e então, o que isso tem a ver? Dick Grayson parece ser uma pegadinha sacana, porém, é muito mais a exemplificação de como os roteiristas do seriado acham que uma temporada deve ser concluída.

O começo com “Wouldn’t It Be Nice”, do Beach Boys, é energético, contudo, não deixa incerteza alguma para o espectador repensar o que está a sua frente, justamente pelo clima jocoso – o público está diante de uma visão, catapultada pelo gancho do mediano Koriand’r, em que Trigon aparecia para a sua filha e a prendia dentro de casa, adentrada apenas por Dick Grayson (Brenton Thwaites). Onde que estão os demais personagens? Qual era o objetivo do episódio estrelado exclusivamente por Hank e Dawn, então? Os verdadeiros protagonistas participam de Dick Grayson através de pontas menores, enquanto o Robin original possui espaço de sobra para explorar o seu caminho sombrio – uma pontuação acerca do seu personagem que retorna abruptamente aqui, apenas porque os roteiristas precisam disso, desse convencimento à Rachel. O desenvolvimento de personagem não existe, porque tudo não passa de um jogo demoníaco, manipulativo, que nem mesmo é retomado para, enfim, ser concluído. Chega a ser muito deprimente apontar isso, mas Titãs é, honestamente, uma série perdida, sem premissa, sem foco, com momentos melhores que funcionam separadamente, entretanto, não como uma série mesmo.

O ar desonesto de conclusão de temporada, até com cena pós-créditos – Superboy e Krypto estão confirmados, ou seja, mais dois seres para serem enfiados numa série que já não tem ideia do que fazer com os seus personagens originais -, murcha completamente o estofo dramático. A paranoia nem é racionalmente compreendida, porque o Batman é encaminhado para as trevas de um modo arbitrário pelo roteiro, visto que justificativa para a sua insanidade, na realidade, não existe, indo além do assassinato de criminosos, mas também de pessoas decentes. A sua perdição é vaga e sem sentido, na contramão do que A Piada Mortal um dia percebeu ao Cruzado Encapuzado. Quando, em uma das últimas cenas do episódio, o antigo herói pede ajuda do seu eterno sidekick, é quase impossível acreditar que algo realmente está acontecendo, em termos emocionais, naquela situação, porque a superficialidade, a mentira, é a única verdade para essas interações. Dick Grayson ser a season finale é quase tão nonsense quanto esse despirocamento, empolgando por incitar um confronto entre amigos que nunca acontece. Um guia de como não terminar uma temporada, que pode ser acompanhada de um gancho, mas não ser o gancho.

  • Nota de Rodapé: Parece que todo mundo se enganou na caixa de comentários do último episódio. A piada somos nós… Isso é tudo, pessoal!

Titãs – 01X11: Dick Grayson – EUA, 21 de dezembro de 2018
Criação: Akiva Goldsman, Geoff Johns, Greg Berlanti
Direção: Glen Winter
Roteiro: Richard Hatem
Elenco: Brenton Thwaites, Anna Diop, Teagan Croft, Ryan Potter, Rachel Nichols, Seamus Deaver, Curran Walters, Minka Kelly, Alan Ritchson
Duração: 40 min.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.