Crítica | Titãs – 2X02: Rose

“Então o que nós somos? Os Novos Titãs?”

Contém spoilers.

Os primeiros instantes do segundo episódio da segunda temporada de Titãs já sinalizam o porquê dele decretar, efetivamente, o começo desse novo ano, ao contrário da péssima season premiere, equivocadíssima no estabelecimento de um ponto de partida sem cara de ponto de partida. Longe da insípida conclusão do arco envolvendo o demônio Trigon – três meses se passaram, como aponta uma conversa entre os jovens -, os personagens agora encontram-se com visuais novos, mais coloridos. Os cabelos de Rachel Roth (Teagan Croft) e Garfield Logan (Ryan Potter), no caso, se sobressaem pelas mudanças que tiveram, mais vivos. Ao mesmo tempo, personagens inéditos são apresentados ao longo dos quarenta minutos de sempre, para poder contextualizar as tramas a serem desenvolvidas pelo restante da temporada, como a presença do Exterminador, o retorno de antagonistas conhecidos da equipe antiga, o passado dos Titãs e até mesmo a continuação da narrativa paralela envolvendo Kory (Anna Diop). Ainda que extremamente disperso nesse sentido, a largada é enfim dada. Certas questões que soam ser centrais ao resto da temporada, porém, ganham por sorte um corpo no capítulo, em oposição a um todo novamente desajeitado. No que tange Dick Grayson (Brenton Thwaites), a exemplo, o seu arco daqui para frente é pontuado já por passagens iniciais que comicamente provocam o que será desta equipe comandada pelo ex-Robin.

Os Novos Titãs? Titãs 2.0? Titãs: A Nova Geração? Do que se trata essa segunda formação do grupo? Independente do nome, se existe algo que o episódio, enquanto verdadeiro começo de temporada, executa com coesão é pensar os próximos passos de seu protagonista. Pois, com a aparição de um novo rosto, Grayson se posicionará como uma ajuda, apesar da resistência das pessoas em serem ajudadas. Tanto isso acontece com Jason Todd (Curran Walters) – em uma espécie de rebaixamento de cargo ao deixar de ser o sidekick de Bruce Wayne (Iain Glen) – quanto com Rose (Chelsea Zhang), misteriosa aparição que guarda segredos importantes. Ao passo que, em uma das únicas ótimas conversas do episódio, Dick procura auxiliar o atual Robin a se entender dentro dos Titãs, exemplificando o seu tato para trabalhar com os egos dos outros, o personagem também entrará em embate com o seu próprio passado. Em Rose, a participação de Iain Glen se restringe a uma só conversa – contudo, relevante. Rejeitando o uso dos flashbacks que eram tão presentes na temporada anterior, as memórias são resgatadas pelas palavras. O quê problemático aqui, porém, mora na pressa com que as coisas andam, como na ponte criada entre Dick e cia assistirem à Rose na televisão à garota já se encontrar dormindo na Torre dos Titãs. Por que o “eu já volto”, se o grupo pode o ajudar? Na contradição, soa como se Dick conhecesse Rose.

Logo, um senso robótico permanece em vista, como se os roteiristas se preocupassem mais em chegar a ponto B do que em explorar os personagens e aproveitar o tempo com eles, para que os propósitos, quando alcançados, sejam respaldados por uma sinceridade antecedente. Mesmo assim, ameniza-se os tais equívocos contínuos da série por conta de relações espirituosas, que sustentam a atenção dos espectadores. Boas trocas acontecem entre os Titãs aqui – assim como entre Donna Troy (Conor Leslie) e Kory, apesar do texto funcionar menos nesta trama secundária, mais cafona e sem o mesmo decente timing cômico. Essas dinâmicas, no caso, funcionam justo em momentos menos descompromissados em chegar a algum lugar, mas que chegam a algum lugar, vide a cena de abertura, o – bom – combate entre Gar e Jason, a posterior intromissão de Dick e Rachel, e a conversa dos jovens acerca de Rose. Contudo, o contrário acontece, por conta de cenas inexatas em intenções. Quando Rachel e Garfield conversam a sós, por exemplo, não é como se o roteiro de Richard Hatem estivesse conduzindo um estudo de personagem coerente. Em contrapartida, a garota aponta que ela não é a mesma pessoa que costumava ser, como se a série, entretanto, tivesse mostrado isso antes. Gar, por sua vez, também aponta a mesma coisa, apesar de ser outra figura, ao menos nessa temporada, sem nenhuma camada a mais adicionada.

Esses problemas todos, portanto, poderiam ser minimizados por um episódio de cerne único, que não quisesse abraçar inúmeros pontos ao mesmo tempo. Consequentemente a isso, no entanto, sucateia-se uma imersão nos tantos arcos evidenciados, os quais são tão distintos, sem costuras. Do contrário a essa paciência mais minimalista, Hank (Alan Ritchson) e Dawn (Minka Kelly) estão presentes nesse enredo. Os pombinhos, que passam por momentos alegres de suas vidas, são encenados em prol de um drama pouco marcante, mas que serve para antecipar o surgimento do Doutor Luz (Michael Mosley), supostamente um antagonista secundário da temporada, a conversar com o passado dos Titãs. Já Kory e Donna, porém, estão avulsas a qualquer trama compartilhada por outros personagens, apenas passando por uma aventura standalone que pudesse criar a deixa por fim apresentada: a retomada da natureza alienígena da mulher para a assombrar. A grande quantidade de narrativas simultâneas, contudo, não é o maior erro cometido pelo episódio, mas a montagem completamente esquizofrênica. Ora, por que não apresentar Rose e o Doutor Luz antes da abertura do episódio, para que se mantivesse uma estrutura de prelúdio condizente com o senso de novidade a que essas presenças estão submetidas? O gancho, ao menos, é interessante o bastante, e, dado um retorno ruim, essa mediocridade apresentada torna-se um passo promissor.

Titãs – 02X02: Rose – EUA, 13 de setembro de 2019
Criação: Akiva Goldsman, Geoff Johns, Greg Berlanti
Direção: Nathan Hope
Roteiro: Richard Hatem
Elenco: Brenton Thwaites, Anna Diop, Teagan Croft, Ryan Potter, Curran Walters, Minka Kelly, Alan Ritchson, Conor Leslie, Iain Glein, Esai Morales, Chelsea Zang
Duração: 40 min.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.