Crítica | Titãs – 1X05: Together

Contém spoilers.

O quinto episódio de Titãs é um capítulo sobre união, sobre os personagens tornando-se um verdadeiro time, algo esperado desde o começo da série pelos fãs. O enredo retorna à premissa original, sobre Rachel Roth (Teagan Croft) sendo perseguida por pessoas enormemente exóticas, interessadas em uma profecia qualquer. Os antagonistas são os mesmos de capítulos passados, porém, os roteiristas decidem encerrar a premissa da Família Nuclear – que ganha um novo pai, nos reiterando o quão estranhos eles são -, resolvendo, por conseguinte, certas pontas soltas. Um episódio que pode ser chamado de conclusivo, enquanto, paralelamente, também transitório entre um elemento de enfoque para outro, dada a chegada de um novo personagem – uma mini-digressão que, provavelmente, ressignifica em como a série intercalará a narrativa principal com a apresentação de outros personagens, como foi o caso dos pombinhos Columba e Rapina e, mais recentemente, da extraordinária Patrulha do Destino.

Um espaço em aberto, portanto, para o estudo das dinâmicas entre os personagens, que não assume uma trivialidade ansiada, entretanto, se absorve em momentos cômicos e situações de auto-compreensão da natureza peculiar de cada um daqueles seres, possíveis heróis. Titãs mostra, em oposição, ser uma série demasiadamente preocupada com personagens extremamente menores, como a dona do motel, ganhando contornos, acerca de sua intimidade, consideravelmente desnecessários, porque sabemos que, muito provavelmente, os comentários propostos não irão adiante em termos de desenvolvimento, como fora o frustante caso, por exemplo, da detetive que trabalhava junto de Grayson (Brenton Thwaites), morta. A decisão acaba sendo um pouco desonesta com o espectador, preenchendo tempo de cena que não agrega em muita coisa, ainda mais nessa situação específica, envolvendo uma tensão sexual que se manifesta de uma outra maneira, em contrapartida.

A questão é que Kory (Anna Diop), na verdade, assume uma posição, um pouco forçada até, de busca em entender quem Dick é, que não quer revelar suas habilidades, originando, ocasionalmente, um envolvimento sexual. Sem apresentar a mesma malícia de antes para questionar o personagem – uma malícia em outro sentido, no entanto -, as consequências do relacionamento entre os dois são divertidíssimas para o espectador, já esperando o acontecimento do casal ser consumido antes mesmo do seriado ter estreado. Já antes no capítulo, a apresentação de poderes é um espaço propício para o estabelecimento de certos conhecimentos em relação a um personagem e outro. Os mistérios, porém, não se desdobram, porque, narrativamente, Together permanece sendo meramente um episódio de união, encerrando pontas, mas sem verdadeiramente desdobrá-las, pontuação mais interessante. Assim que os vilões são derrotados, partimos para um encontro com o Dr. Adamson (Reed Birney).

O que nós somos? A seguinte pergunta é aberta entre os personagens. A conclusão, com uma descoberta dos demais integrantes da “equipe” de que Dick Grayson é, na verdade, o Robin, impulsiona uma confiança maior entre um indivíduo e outro, principalmente em relação ao “protagonista”. Todavia, sério que ninguém associou o Batman ao Bruce Wayne, sendo que a demoníaca Rachel claramente sabe como Dick foi criado, mencionando o ricaço que o acolheu? À espera de uma conversa dessa espécie, que pode acontecer em episódios seguintes, visto que Jason Todd (Curran Walters) aparece ao final de Together, mexendo ainda mais com essa mitologia interessantíssima, explorada em uma tangente que empolga o espectador a cada citação mais direta. Ademais, as interações entre Rachel e Gar (Ryan Potter) são muito boas, sugestionando uma pontuação amorosa, ao menos amistosa, porque, novamente, os atores têm uma diferença de idade considerável, mas que, em encenação, não evidencia-se fortemente o quanto eu acreditaria evidenciar-se. Os dois Robin juntos. Os quatro jovens unidos.

Titãs – 01X05: Together – EUA, 9 de novembro de 2018
Criação: Akiva Goldsman, Geoff Johns, Greg Berlanti
Direção: Meera Menon
Roteiro: Bryan Edward Hill, Gabrielle Stanton
Elenco: Brenton Thwaites, Anna Diop, Teagan Croft, Ryan Potter, Curran Walters, Reed Birney, Melody Johnson, Jeni Ross, Logan Thompson, Zach Smadu
Duração: 45 min.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.