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Crítica | Titãs – 2X11: E.L._.O.

por Gabriel Carvalho
299 views (a partir de agosto de 2020)

“Deixa eu ver se entendi isso direito. Bruce Wayne de alguma forma milagrosamente organizou para que todas nós nos encontrássemos nessa lanchonete no meio de lugar algum para fazer um mansplaining para que nós uníssemos os Titãs novamente?”

Contém spoilers.

Não que essa segunda temporada esteja boa, mas esse seu décimo-primeiro episódio, ainda que problemático em vários aspectos – a serem pontuados no decorrer da crítica em questão -, possui uma espirituosidade que a série estava devendo há um tempo. Há, no geral, uma esquisitice que certamente contribui tanto para movimentar a história quanto para sustentar um ritmo energético. Por pontuar variadas insinuações, às vezes óbvias demais, o roteiro do episódio aponta o caminho para uma de suas reviravoltas: Jericó não está morto, como antes pensávamos – para ser sincero, ninguém pensava isso realmente. Embora grande parte dos questionamentos que surgem em meio ao capítulo soarem não terem respostas, a verdade é que elas podem morar nos super-poderes do garoto, morto acidentalmente. Como esse personagem X escapa da sua cela? Como estes outros quatro coincidentemente param no mesmo lugar? Foi o Batman mesmo? Continua sendo confuso demais tudo o que acontece, especialmente a epifania de Dick Grayson (Brenton Thwaites) na prisão, que nunca mostra uma precisão necessária para confirmar as suas deduções sobre Jericó. Por um ponto de vista negativo, o roteiro permanece abraçando as saídas mais simplistas para chegar aonde quer chegar. Porém, por outro, enfim se é dado espaço para a trama brincar um pouco com suas possibilidades, sem precisar se ater a uma burocracia chata de ponto A a ponto B.

Logo, que tal um pouco de aventura, sem reais pretensões de se chegar a algum objetivo? Nesse episódio, o que temos, consequentemente, é basicamente quatro mulheres se unindo por ocasião do “destino” em uma lanchonete aleatória, que quer as quatro ao mesmo tempo no mesmo lugar. No caso de Donna (Conor Leslie), uma ligação supostamente de Rachel (Teagan Croft) avisa-a de sua localização. Já a adolescente, que encontrava-se escondida dos demais, se encaminha de ônibus para lá em decorrência dos seus pesadelos, que retornaram. Dawn (Minka Kelly), por sua vez, precisa reabastecer o seu carro exatamente no mesmo lugar que elas, enquanto Kory (Anna Diop) quer puramente comer donuts, que o capitalismo a vendeu por meio de um comercial intruso. Nisso, o protagonismo feminino é interessante, e até rende lugar para um duo de Rachel com a alienígena no clímax, quando ambas vão resgatar Dick da prisão. Mais interessante que isso, entretanto, são as excentricidades que percorrem o caminho das personagens, como o senhor da propaganda que avisa que seu restaurante tem os melhores donuts na região, o que prova ser uma mentira, pois nem se vendia esse alimento lá. Ao mesmo tempo, Dick continua a ter alucinações com seu mentor, que vão se tornando mais e mais realistas e esquisitas. Legal a série conseguir tornar crível o intérprete do Batman em ação mesmo “velho” – sua coreografia é um ponto positivo.

De pistas misteriosas, o episódio está recheado, mas seu auge é o momento de reencontro entre as quatro personagens no Elko Diner. No caso, a aparição de Bruce Wayne (Ian Glein) só pode ter sido consequência de uma possessão, ao meu ver. Ele surge, conversa o que tem para conversar e depois some. É estranho, certamente, contudo, não deixa de ser um tanto interessante esse aproveitamento especial do personagem. Não seria a série que tanto aprendemos a criticar, porém, caso núcleos desnecessários não interrompessem a boa progressão do episódio. Jason (Curran Walters) e Rose (Chelsea Zang) estão vivendo um romance em algum lugar perto de Gotham, mas sua narrativa nada tem a ver com o restante do capítulo – nem as retomadas pontuais ao núcleo do Laboratório Cadmus. Pelo menos, no entanto, os personagens demonstram química juntos, especialmente Jason, que, num momento doce, recita uma música para a sua namorada. O problema é que, em meio a um episódio de reviravolta, soa pouco oportuna aquela que pontua Rose como uma espiã do Exterminador, pois acontece no momento mais anti-climático possível. Em resposta ao retorno esperado de Jericó, o que se abre consegue inclusive consertar equívocos do passado, como a conversa besta – e encenada pessimamente – entre o cruel Exterminador e o antigo Robin. Será, pois, que aquele Wilson era, na verdade, Jericó possuindo o corpo de seu pai?

Poucas respostas são exatas, mas por isso o clima é tão gostoso. Claro que Bruce Wayne pode ser simplesmente Bruce Wayne – o que seria muito ruim -, no entanto, a reviravolta corrobora também para a outra hipótese. Apenas depois que veremos aonde que a temporada quer chegar verdadeiramente. Mesmo assim, por que diabos existiu aquela trama de Rachel com as garotas “perdidas”, se esse episódio rapidamente abandona tal núcleo para tratar do interesse da garota em resgatar Dick? Existe uma enorme contradição no que a temporada quer explorar acerca da personagem, que parte, anteriormente, de uma conversa com o seu eu demoníaco – no caso, a possessão da gárgula e o assassinato de uma pessoa – para um retorno a sua relação com Dick, completamente avulsa ao mostrado no capítulo passado. É o seguinte: a série não consegue tratar do seu enredo maior ao mesmo tempo que trabalha os núcleos dos seus personagens. Para ser sucinto de uma vez por todas, Rachel é simplesmente mal-escrita, e esse episódio não foge muito disso. Nem para a garota, nem para os demais. Na altura do campeonato, ademais, o núcleo de Kory já está estragado e não tem mais conserto, com a personagem verborragizando enquanto alcoolizado sobre os seus problemas para um garoto de programa qualquer – que é simpático, ao menos. Fora isso, Dawn é uma decente surpresa do roteiro, enquanto Donna nada tem a contribuir.

Por quarenta minutos, a temporada opta por aproveitar oportunidades, ao invés de querer chegar, abruptamente, a algum lugar. Por quarenta minutos, a série não quer muito mais do que aproveitar a sua jornada, o que margeia espaço para criatividade – como é o susto com “O Enforcado”. Por fim, que momento enervante aquele em que o cérebro de Gar (Ryan Potter) está exposto e sendo manuseado pelos cientistas! É bem curioso que, mesmo sendo a parte menos interessante acerca do núcleo de Conner, os Laboratórios Cadmus rapidamente se tornaram uma promessa boa de antagonismo. Parece que, quando quer, a série consegue entregar virtudes, que engrandecem a sua própria mitologia. Como seria interessante, portanto, uma temporada inteira pautada nesse envolvimento secreto e enigmático de Jericó com os personagens. Isso ocasionaria algo mais esquisito e mais centralizado também, pois daria para se explorar vários núcleos em paralelo, porque o garoto seria o cerne de tudo, quiçá sendo a grande resposta para os empecilhos vividos pelos personagens, uma ajuda celestial no meio de vários problemas. No geral, portanto, a série consegue um resultado positivo nesse seu episódio, não necessariamente por uma precisão na execução dramatúrgica, mas pela estranheza que ocasiona e que não poderia ser mais do que bem-vinda. Em meio a tantas perguntas presentes, que Jericó seja tal resposta universal para elas.

Titãs – 02X11: E.L._.O. – EUA, 15 de novembro de 2019
Criação: Akiva Goldsman, Geoff Johns, Greg Berlanti
Direção: Millicent Shelton
Roteiro: Bianca Sams
Elenco: Brenton Thwaites, Anna Diop, Teagan Croft, Ryan Potter, Minka Kelly, Conor Leslie, Curran Walters, Chelsea Zang, Ian Glein, Natalie Gumede
Duração: 45 min.

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51 comentários

Henrique Braga 21 de novembro de 2019 - 16:31

O ep no geral não é ruim, mas esse vai e vem de núcleos da série é muito chato.
Ninguém se desenvolve, uma hora a serie é sobre os titãs, outrora sobre o Dick, outrora alguém dos titãs.
OPINIÂO PESSOAL: Essa transformação do Dick em ASA achei muito nada haver com o personagem das HQS, é verdade que o motivo é mais palpável, mais pé no chão. Mas custava ter algumas referências ao que realmente fez ele ser o ASA NOTURNA.

no aguardo de uma grande melhoria nesses últimos dois EP.
OBG Gabriel sempre bem direto nas suas avaliações.

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Gabriel Carvalho 24 de novembro de 2019 - 16:26

Eu gostei mais desse episódio pelo clima geral, que é bem esquisito e eu curti isso. Mas em termos dramáticos talvez a única coisa que realmente funcione é o Jason Todd, porque o ator é bom.

Valeu, Henrique. Obrigado por ler meus textos.

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Gabriel Cabral 20 de novembro de 2019 - 21:42

Foi impressão minha ou tava tocando Garota de Ipanema quando a Kory chega no restaurante?

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Sr. DC 23 de novembro de 2019 - 21:37

Tava sim kkkkk

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Gabriel Carvalho 24 de novembro de 2019 - 16:26

Que legal!

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Gabriel Carvalho 24 de novembro de 2019 - 16:26

Caraca, nem percebi.

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Wagner 19 de novembro de 2019 - 14:02

Um dos episódios que mais curti na temporada. Não sentia melhora significativa desde o episódio do Conner.
Mas ainda tenho aquela sensação que tudo se parece com algo de mid season. Nem caiu a ficha que tá acabando, pois fico com a estranheza de que tem muita coisa pra acontecer ainda.

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Gabriel Carvalho 20 de novembro de 2019 - 12:24

Eu ACABEI de descobrir que está acabando. Achei que teria uns 16 episódios…

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Bernardo Barroso Neto 19 de novembro de 2019 - 07:23

Gostei mais desse episódio do que dos anteriores. Concordo com a nota. Esse ator que faz o Bruce Wayne é bem interessante. Gostaria de vê-lo em ação como Batman.

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Gabriel Carvalho 20 de novembro de 2019 - 12:24

Que bom que concordamos. Eu gosto bastante do Ian Glein como Batman. Eu gosto do ator, em primeiro lugar.

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JGPRIME25 19 de novembro de 2019 - 06:29

Titãs: A série que me fez gostar do Jason Todd

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Gabriel Carvalho 20 de novembro de 2019 - 12:24

As surpresas da vida…

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Gabriel Filipe 21 de novembro de 2019 - 06:17

Também

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Gabriel Carvalho 24 de novembro de 2019 - 16:26

Curran Walters é um dos melhores atores dessa série.

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Everson Brigido 19 de novembro de 2019 - 02:10

Afinal, o que significa o nome do episódio?

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Gabriel Carvalho 20 de novembro de 2019 - 12:24

ELKO.

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Fabricio 19 de novembro de 2019 - 00:59

Será que essa história do Jericó é meio “Possuídos” do Denzel Washington? Tipo, ele possuindo vários personagens diferentes e direcionando tudo o que acontece nessa temporada, como os itens misteriosamente aparecendo na torre titã.

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Arthur Morgan II 19 de novembro de 2019 - 11:27

Os itens foi a Rose, eu também fiquei boiando nessa questão, até a revelação desse episódio

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Gabriel Carvalho 20 de novembro de 2019 - 12:24

Mas seria muito mais foda se fosse o Jericó fazendo isso, mesmo que teoricamente não fizesse sentido.

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Arthur Morgan II 20 de novembro de 2019 - 12:24

Seria mesmo, mas será que ele vai voltar do mal?, Seria bom se ele se juntasse ao pai dele para se vingar dos Titans

Responder
Gabriel Carvalho 24 de novembro de 2019 - 16:26

Espero que não…

Gabriel Carvalho 20 de novembro de 2019 - 12:24

Isso foi a Rose, infelizmente, no plot twist mais sem-graça da série.

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Dante 19 de novembro de 2019 - 00:23

Nem consigo levar a sério mais, parece que a série não consegue se firmar e seguir um caminho, fica sempre nos altos e baixos.

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Gabriel Carvalho 20 de novembro de 2019 - 12:24

Nem chego a considerar isso aqui um ALTO. Mas é isso mesmo.

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Gabriel Filipe 18 de novembro de 2019 - 23:49

Essa temporada é tão maravilhosamente inconsistente que chega a ser estranho o fato de ser a mesma série. Depois de 3 episódios fraquissímos, destaco Fallen, q mesmo nn sendo o pior, esse merito é do 9, foi o mais chato da série na minha opinião, finalmente algo bom. Se a série tivesse tirado o arco da Rose e do Jason e colocado-o em outro ep teria sido um episódio excelente, mesmo assim foi um episódio muito bom e um folego necessário pra temporada q me faz crer em um finale bom. Legal a série querer ir pra um lado mais ousado nesse episódio sem explicações redundantes, simplesmente é uma loucura e, ou vc embarca e gosta do episódio, ou vc não embarca e fica chato, um pouco semelhante a Bruce Wayne, por sorte embarquei nessa loucura e junto com o já citado episódio do Batima é o meu favorito da temporada, se os roteiristas esforçarem um pouquinho eles faz 2 últimos eps excelentes que talvez até corrijam MUITOS dos erros da temporada. As vezes nem parece q um dos showrunners da série, Akiva Goldsman, já ganhou um Oscar de melhor roteiro adaptado, pq parece q os showrunners escreveram no máximo um livro escolar pra deixar os roteiristas fazerem oq fizeram com essa temporada

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Gabriel Carvalho 20 de novembro de 2019 - 12:24

Ué, faltam 2 EPISÓDIOS? Pqp, impossível eles fazerem algo bom… Eu achava que tinha mais uns 5 vindo aí.

Responder
Arthur Morgan II 20 de novembro de 2019 - 12:24

Ao menos que o episódio final tenha mais de 1 hora, ou os roteiristas guardaram todo o seu esforço para esses dois últimos episódios

Responder
Gabriel Filipe 20 de novembro de 2019 - 13:57

Kkk

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Gabriel Carvalho 24 de novembro de 2019 - 17:22

KKKKKKK (CHORANDO)

Responder
Gabriel Carvalho 18 de novembro de 2019 - 23:17

E desculpem-me por não ter lançado a crítica antes, meus caros. Foi mal!

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 19 de novembro de 2019 - 11:27

Não desculpo nada. Você não merece.

Responder
Gabriel Carvalho 20 de novembro de 2019 - 12:24

Mas o perdão vai além da justiça. O perdão é altruísta.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 20 de novembro de 2019 - 12:24

Exato!

Responder
Gabriel Carvalho 24 de novembro de 2019 - 17:22

Você não é altruísta?

Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 24 de novembro de 2019 - 18:02

Não.

Gabriel Carvalho 24 de novembro de 2019 - 23:17

Por que não?

Gabriel Carvalho 18 de novembro de 2019 - 23:17

Fui bonzinho até, mas só porque consegui sair com a cremosa no fim de semana. Torçam pelo meu futuro.

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Ghostface 19 de novembro de 2019 - 01:14

O episódio é melhor mesmo que os dois anteriores, nesse não senti vontade de socar a minha cara ao assistir.

Responder
Gabriel Carvalho 20 de novembro de 2019 - 12:24

Idem.

Responder
CrazyDany 19 de novembro de 2019 - 01:33

Não é o gabriel, é o Jericó escrevendo, só pode rsrsrs

Responder
Gabriel Carvalho 20 de novembro de 2019 - 12:24

Essa é a minha maior traquinagem.

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Junito Hartley 19 de novembro de 2019 - 11:27

E aí comeu? Kkkkk

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 19 de novembro de 2019 - 11:27

Ele tem 12 anos e 3 meses. Única coisa que ele come é pastel de queijo.

Responder
Gabriel Carvalho 20 de novembro de 2019 - 12:24

Pior que você acertou… Adoro pastel de queijo.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 20 de novembro de 2019 - 12:24

Quem diria, algo compartilhado! Ah, a vida e suas surpresas…

Gabriel Carvalho 24 de novembro de 2019 - 16:26

Somos mais parecidos do que você acha.

Gabriel Filipe 21 de novembro de 2019 - 06:17

A pergunta é, qm não adora?

Gabriel Carvalho 20 de novembro de 2019 - 12:24

É aquele filme com o Bruno Mazzeo.

Responder
Junito Hartley 20 de novembro de 2019 - 20:48

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Responder
Matheus Jornalista 18 de novembro de 2019 - 23:12

Esse episódio foi um refresco em comparação aos anteriores, só fiquei meio WTF na parte em que o Bruce surge ali no meio nada e vai embora, mas de resto, foi um episódio legal.

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Gabriel Carvalho 20 de novembro de 2019 - 12:24

Por isso que acho que foi o Jericó ali… Seria muito ruim se não fosse.

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