Crítica | Titãs – 2X13: Nightwing

“Obrigado pelo traje, aliás.”

Contém spoilers.

Em comparação com o péssimo episódio que encerrou a primeira temporada, esse décimo-terceiro da segunda parece realmente uma conclusão. De certa maneira, grande parte das tramas abertas – como o núcleo do Exterminador (Esai Morales) e o núcleo da Cadmus, a necessidade de Dick Grayson (Brenton Thwaites) em se descobrir, e a briga entre Hank (Alan Ritchson) e Dawn (Minka Kelly) – ganham destaque. No mais, é muito interessante como o roteiro segmenta o episódio, em contrapartida a tentar tratar, ao mesmo tempo, de várias questões. Em termos estruturais, certas virtudes contrastam com demais pecados – que serão pontuados no decorrer do texto -, porém, o ritmo inserido propõe um tempo ao drama geral do episódio que é competente e coeso. No caso, a conclusão inicia-se com um prólogo coerente em vista do enredo tratado, apresentando o que seria a tal Fase 2 citada anteriormente na temporada. Nela, Conner (Joshua Orpin) é usado como uma máquina super-heróica, enquanto Gar (Ryan Potter) torna-se a sua antagonista. O propósito em si da Cadmus é convincente: a produção de soluções para problemas que a própria cria. Os vinte minutos finais do episódio, por sua vez, são usados como um epílogo, para costurar determinadas pontas soltas. Dito isso, ainda assim o que se tem é executado de maneira questionável, em vista de uma série mais interessada em chegar ao próximo capítulo do que em aproveitar bem o vigente.

Em primeiro lugar, aquele que seria o enredo principal da temporada é concluído em menos que um quarto de episódio. Embora seja grosseiro o desleixo com o núcleo de Slade, ele ressurge de maneira até empolgante. A sucessão de eventos iniciais que é criada consegue consolidar um bom primeiro clímax à season finale, com o Exterminador aparecendo e Dick Grayson logo em seguida. O problema é que o verdadeiro auge do episódio não possui conexão com Wilson, no entanto, com a Cadmus. Por isso, ele torna-se esquemático, em especial por conta da incapacidade da direção em tratar dessa resolução em questão de modo dramaticamente recompensador. Em questão de instantes, o Exterminador é morto num combate contra Rose (Chelsea Zang) e Dick. O confronto pode até ser bom – a confiança de Grayson, agora Asa Noturna, é bem-vinda -, mas a conclusão, que conta com a morte de um personagem tão relevante, é vazia. A exemplo, nenhuma conversa é escrita ao vilão com o seu filho. Para piorar o que já estava ruim, porém, o episódio então esquece o antagonista e o seu núcleo após esse quarto inicial acabar. Jericó (Chella Man), que consegue transportar a sua consciência para sua irmã, nem mesmo é citado depois, enquanto Rose some na hora que os Titãs enfrentam Conner e a Cadmus, reaparecendo só posteriormente, no epílogo. Ao menos, a garota possui um momento concreto para resolução quando se une ao restante do grupo.

No que se refere à negligência da série, Jason Todd (Curran Walters), que se separou de Rose e dos Titãs, aparece numa cena muito breve. Ela é certeira em consolidar a história do personagem, contudo, é esquisito que Bruce Wayne (Ian Glein) não comente nada acerca do menino quando encontra-se a sós com Grayson, mais tarde. E o uso do mentor de Dick é até interessante, com a minha teoria de que não era ele no Elko, episódios atrás, se confirmando, durante uma conversa pontual sua com Kory (Anna Diop) – o melhor gancho que a temporada deixa, além da cena pré-créditos que principia o antagonismo da Estrela Negra (Damares Lewis) no próximo ano. Por outro lado, há uma cena no capítulo que permite o pensamento contrário, de quando Wayne invade os computadores da Cadmus e ajuda os Titãs. De longe essa é a parte mais espirituosa do episódio, com os membros do grupo não tendo a menor noção de como confrontar Conner, pelo menos no começo da luta. Nela, ademais, exemplifica-se uma onipresença do Batman que já era subjacente pela noção de que ele encomendou o traje de Dick – ora, por que o símbolo do uniforme seria tão parecido com o que os companheiros de cela mostraram para o ex-Robin na prisão? Para alguém que, no fim das contas, estava coordenando diferentes minúcias pelos bastidores, também seria compreensível, mesmo que patético, ele estar por trás da reunião das garotas naquela lanchonete.

Fora o que se apontou, outros pontos podem ser vistos como negativos: o suposto arco narrativo de Rachel (Teagan Croft) é completamente ignorado, por exemplo, ao passo que a garota vai para Themyscira com as Amazonas de repente, simplesmente porque os roteiristas assim quiseram. Em nenhum aspecto isso conversa com os problemas que Roth enfrentou no decorrer da temporada, cada vez mais errática no que tange ao controle dos seus poderes. Ela matou uma pessoa, mas ninguém se importou com isso. Já para complementar os equívocos a rodo, demandaria muito esforço escrever uma mísera cena de despedida da menina com Garfield e Kory, pessoas tão relevantes para ela quanto Dick? No mais, aquela mulher que interage com os Titãs era a Mulher-Maravilha? Do outro lado da moeda, entretanto, existem qualidades a serem mencionadas, como a pequena conversa de Hank com Dawn. Os personagens estiveram cercados por uma trama péssima, mas, apesar disso, a conclusão que se estabelece consegue renovar as dinâmicas entre os dois de um modo curioso, tornando-se, como um dia eram, parceiros no vigilantismo, embora não mais sejam parceiros no amor. Ainda assim, o núcleo dos pombinhos não se redime, estando anos-luz atrás da qualidade do arco de Conner, que contra-argumenta um erro anterior do mesmo episódio. Enquanto a conclusão do enredo do Exterminador é apática, a do Superboy é o contrário.

Mas que morte estúpida a de Donna Troy (Conor Leslie)! Ela é implementada nesse encerramento a troco de nada, apenas para que mais algum acontecimento importante permeasse o episódio, rico em quantidade, contudo, não em qualidade. Ora, Conner tem super-força, super-velocidade – como justo o prólogo do capítulo exemplifica explicitamente – e pode até mesmo voar. Custava, portanto, o Superboy salvar Dawn, ao invés de Donna ter que se sacrificar de uma maneira tão tola? É compreensível a tentativa dos roteiristas em promover uma nova etapa para o grupo, na qual mortes podem acontecer, sacrifícios também, mas os próximos passos precisam ser dados na caminhada da vida. Um dos momentos mais interessantes do texto, no caso, é aquele que aponta o luto como algo melhor a ser encarado como grupo do que sozinho. Há uma conceituação de família para a equipe que ganha peso nessa conclusão, o que enfim a revigora, em meio a uma temporada que tentou trazer isso à tona e apenas conseguiu corretamente no seu término. Isso, porém, não exime a série de ser feita nas coxas. Que a esperança existente numa season finale em que os Titãs renovaram-se realmente, tornando-se o grupo que almejaram ser, encaminhe uma terceira temporada melhor que essa segunda. Pelo menos, as novas promessas de trama são um passo, mesmo em vista de uma série composta, majoritariamente, de passos para trás, para frente.

Titãs – 02X13: Nightwing – EUA, 29 de novembro de 2019
Criação: Akiva Goldsman, Geoff Johns, Greg Berlanti
Direção: Carol Banker
Roteiro: Richard Hatem, Greg Walker
Elenco: Brenton Thwaites, Anna Diop, Teagan Croft, Ryan Potter, Minka Kelly, Alan Ritchson, Conor Leslie, Curran Walters, Chelsea Zang, Joshua Orpin, Esai Morales, Chella Man, Ian Glein, Natalie Gumede, Damares Lewis
Duração: 45 min.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.