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Crítica | Titãs – 3X04: Blackfire

por Ritter Fan
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  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Ok, ok, ok. Então Hank morreu mesmo? Podemos ter certeza disso? Ninguém vai inventar de ele voltar depois mesmo? Jura? Dá para confiar? Então beleza, vou confiar e, com isso, confirmar a qualidade do episódio anterior, Hank & Dove. Infelizmente, porém, isso é quase tudo que tenho para falar de realmente bom sobre Blackfire que é basicamente um lembrete do showrunner Greg Walker de que os super seres em tese do lado do bem que povoam Titãs podem simplesmente fazer o que quiserem sem se preocupar minimamente com coisas inconvenientes como leis. Afinal, uma coisa é o Batman espancar bandidos à noite em Gotham, outra completamente diferente é seu pupilo Dick espancar policiais em plena luz do dia para sequestrar um prisioneiro em transferência. E o mesmo vale para Kory e Gar, já que eles fazem basicamente a mesma coisa, só que sem a parte do espancamento.

E isso irrita bastante, serei bem sincero. Claro que não irrita tanto quanto mais uma vez o roteiro precisar de valer de sequências com dentes rangendo, cara de mau e onomatopeias como GRRRRRRRR para mostrar o quão… uhhhhhhh… sombria e pesada é essa série… Afinal, aquela cena de flashback do jovem Grayson correndo de lobos na floresta e, depois, voltando para a cabana com uma faca do Rambo toda ensanguentada e… rufem os tambores… a cabeça decepada do bichinho, com a cereja no bolo sendo Dick no presente dando uma de Rorschach na prisão, foi, para ser bem bonzinho, absolutamente hilária, daquelas de eu ter que pausar para não perder toda a inteligentíssima maravilha que vem em seguir. Não sendo tão bonzinho, foi um negócio constrangedor. Aliás, todo o plano de Dick de mais uma vez agir sozinho, sem sequer avisar Barbara, apagando inteiramente o pouco de “lição de moral” da temporada anterior, foi absolutamente execrável e só mostra mesmo que Titãs é a história de Dick Grayson, o garoto raivoso, e que o resto é perfurmaria.

E é tão perfumaria que o “sofrimento” pela morte de Hank – despedaçado por uma bomba grudada no peito!!! – durou longuíssimos dois minutos, com Superboy se achando culpado, depois Dawn se achando culpada (e, mesmo ela ainda sendo linda e perfeita, é mesmo culpada) e terminando com Columba se mandando para Paris para viver com os pombos de lá. Ou seja, o drama real que existe em Titãs é pano de fundo, é um detalhe perdido nos momentos “cabeça de lobo decepada” que, muito longe de tornar a série adulta, edgy, como dizem os americanos, só faz tudo se diluir, perder o impacto.

Nem a presença de Vincent Kartheiser ajudou aqui. Ao contrário até, já que a suspeita bem construída de um leitor nos comentários da crítica anterior foi concretizada: depois de choramingar em São Francisco, Jason de algum jeito acabou no colinho do Espantalho, que terminou de corromper sua alma, transformando-o no monstro assassino em questão de, no máximo, com muita boa vontade, alguns meses. Compra essa história quem quer. No meu caso, a não ser que venham por aí circunstâncias atenuantes muito bem explicadas, não consigo aceitar mesmo em uma série de ficção de super-heróis, pois a suspensão da descrença tem sim limites, assim como a lógica interna, algo que nunca foi preocupação da série.

Mas esqueçamos por um momento a história da vingança pessoal de Dick Grayson e partamos para a jornada de Kory e Gar. Logo de cara, tenho algo a declarar: Anna Diop e Ryan Potter, nessa ordem, são facilmente os melhores atores da série e, se os roteiros ajudarem, seus personagens têm facilmente o potencial de serem também os mais interessantes. O bacana de Gar é sua maturidade (não a maturidade imbeciloide estilo Dick Grayson, que fique claro), a maneira como ele veste a camisa dos Titãs e se recusa a tirá-la mesmo nas piores circunstâncias. E Kory, bem, Kory tem uma presença em tela absolutamente hipnotizante, com aquele lado “mãe dos Titãs” que combina bem com Gar, além de toda essa história pregressa dela de realeza em seu planeta que cria uma mitologia interessante, mas que duvido que um dia vejamos na série.

Os dois, portanto, precisam de mais espaço e eles até conseguem algum aqui, com os momentos cômicos até quando Gar descobre a prisão subterrânea sendo de longe os melhores do episódio (o que, claro, não quer dizer nada). O problema é que, depois, vem a lenga lenga da conversa entre as irmãs, cheia de clichês vazios, que basicamente estragou a primeira efetiva aparição de Damaris Lewis como Komand’r – ou Estrela Negra – na série. Sabe aquele roteiro básico, feito às pressas só para os atores decorarem o texto ali mesmo, no set de filmagem? Foi isso que achei dessas cenas que acabam com a segunda fuga de prisão (e aí volta o problema que mencionei no começo da crítica) e com uma aparentemente psicopata assassina – sim, certamente tem mais nessa história aí, mas temos que aceitar o que no momento sabemos com certeza – livre, leve e solta no banco de trás do carro dirigido por Gar (mas o que é mais uma psicopata na série, não é mesmo?).

Titãs precisa se encontrar. A série sofre de crise de identidade aparentemente incurável desde seu primeiro episódio lá atrás em 2018, sem saber se é um derivado de Batman ou se é realmente algo baseado nos Novos Titãs dos quadrinhos. Ao tentar ser tudo e mais um pouco ao mesmo tempo, ela não consegue fazer nada direito a não ser, claro, me irritar profundamente com essa bobagem supostamente “adulta”.

Titãs – 3X04: Blackfire (Titans – EUA, 19 de agosto de 2021)
Showrunner: Greg Walker
Direção: Millicent Shelton
Roteiro: Stephanie Coggins
Elenco: Brenton Thwaites, Anna Diop, Teagan Croft, Ryan Potter, Curran Walters, Minka Kelly, Alan Ritchson, Joshua Orpin, Savannah Welch, Vincent Kartheiser, Jay Lycurgo, Damaris Lewis
Duração: 42 min.

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