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Crítica | Titãs – 3X12: Prodigal

Morcegos da salvação.

por Ritter Fan
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  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Quando os créditos de Prodigal começaram a rolar, fiquei preocupado sobre o que escreveria em minha crítica, pois o meu repertório de como abordar a mesma ruindade de maneiras diferentes havia se esgotado. Eu simplesmente não tinha – e não tenho – mais o que falar sobre esta 3ª temporada de Titãs, pois a série não me dá oportunidade de trazer algo de novo aos meus leitores. Realmente fiquei pensando se não seria o caso de só colocar a avaliação em HALs ou comentar sobre… sei lá… curiosidades culinárias como qual é o prato que mais gosto de fazer (ovo com arroz conta?) ou se eu falo bolacha ou biscoito (claro que eu falo biscoito, pois bolacha é crime contra a humanidade, como vocês sabem), mas concluí que ninguém se interessaria por isso.

Contemplei até mesmo pedir ajuda de vocês, queridíssimos leitores, para tirar minhas importantíssimas dúvidas sobre os figurinos do episódio. Afinal, como é que o Gar, depois de literalmente virar o Batman, apareceu de calça? E como é que o Dick, que é jogado no Poço de Lázaro com sua armadura de Asa Noturna, sai de lá com roupas civis? Além disso, como é que aquela camisetinha preta do Conner, literalmente comprada em camelô, resiste ao calor daquele minério que ele comprime para fazer o combustível da nave de Estrela Negra? E, finalmente, como é que a cabeçona do Jason cabe naquele capacetinho? Mas eu imaginei que você achariam que eu estava tentando enrolar a minha crítica exatamente porque não tenho mais nada a dizer.

Mas aí eu me lembrei do que eu fiz logo quando a sequência preambular acabou e o título da série apareceu na tela com aquela batucada típica: como eu faço com as mais engraçadas comédias que já vi na vida (querem saber quais são ou vão achar que eu também estou enrolando se eu disser?), quebrei minha regra rígida de nunca parar um filme ou uma série e pausei o episódio para terminar de rir – lágrimas rolaram para a estupefação de minha esposa que passava na hora – da antológica cena em que Rachel e Gar acham Dick morto, morcegos (no meio da cidade) começam a sobrevoar o corpo, Gar começa do nada a virar um morceguinho verde e, então, ele e seus novos amigos levam Dick para o Poço. Eu simplesmente tinha que clicar no pause, pois senão eu não entenderia nada nos próximos 10 minutos de projeção por estar lutando contra câimbras estomacais geradas por risos histéricos.

Foi, do fundo do meu coração, o mais hilário começo de episódio que já vi na minha vida (e olha que eu já assisti “algumas” séries em todos esses anos de indústria vital…) e eu guardarei essa lembrança para sempre, lembrança essa que muito claramente é resultado de minha crescente insanidade como resultado do derretimento de minha massa cinzenta por exposição contínua a coisas assim. E a diversão continuou com mais um purgatório, sonho ou sei lá o que foi aquilo em que Dick tem uma conversa idiota com Crane, se transforma no Coringa e espanca Jason (aí eu gostei de verdade, pois é sempre bom ver esse Jason aí sendo espancado), vê seu pai (e ele mesmo antes de ficar burro) e, finalmente, absolutamente do nada, em outro momento cientificamente aleatório, tem uma visão de sua filha com Kory(???) segurando o balão do Pennywise.

A essa altura do texto, eu já estou chegando ao “tamanho” regulamentar e começo a ver que minha estratégia para arrumar qualquer coisa para escrever está dando certo, o que me faz lembrar que novamente temos uma Gotham City “em caos” porque somos informados disso, mas tudo o que vemos são ruas limpinhas e vazias em que Donna é capaz de roupar um Caveirão para transportar Tim e família (claro que o primo dele tinha que ter um arsenal à disposição, incluindo rifles de assalto e metralhadoras, não é mesmo?) e enfrentar o bloqueio policial mais absolutamente patético que vi na vida, com três ou quatro gatos pingados. É como assistir a uma história passada em outro universo, um em que a Moça Maravilha volta à vida mas sequer dá uma passadinha na Mansão Wayne ou esboça procurar seus amigos, preferindo juntar-se a um rapaz que parece disco quebrando dizendo o tempo todo que ele quer se tornar o novo Robin, aparentemente mesmo sem o Batman…

Falando em dupla dinâmica, e os cinco segundos em que Conner e  Estrela Negra se tornam uma? A cara do Superboy quando teve seu pirulito arrancado brutalmente na cena seguinte da promessa de aventuras amorosas com Komand’r na Terra foi impagável. Tão impagável quanto do nada os dois pagarem uma visita ao tal cientista solitário e maluco que vimos lá atrás em Blackfire por razões aleatórias quaisquer (vingança? raivinha?) e, ainda por cima, Kory também aparecer por lá para contar a história sobre seu passado. Ah, posso presumir que a explosão que engolfou Superboy pelo menos vai incinerar a camisetinha preta dele?

Opa, já até passei do meu número mínimo pessoal de palavras em uma crítica!!! Agora eu posso parar. Não, brincadeira, pois eu deixei o mais divertido para o final: o plano do Retalho, digo, Espantalho então era roubar sua própria criação guardada por Bruce Wayne (reparem que o Morcegão não guardou uma amostra e destruiu o resto, mas sim todas as centenas de ampolas…) para usar contra a cidade. Bacana. Mas vem cá. Se o Espantalho demonstrou ter a capacidade instantânea, logo depois de sair da prisão, de criar aquela outra fórmula para drogar a cidade (aliás, cadê os drogados com espuma na boca, hein?), porque ele não teria a capacidade de produzir o seu próprio veneno mais uma vez? Isso foi para dar aquela impressão marota de que Dick e Jason fizeram algum trabalho investigativo, foi?

Mas quem sou eu para não reconhecer pelo menos um aspecto positivo? Dick diz, com todas as letras, que Jason, mesmo se redimindo (afff…), jamais será um Titã novamente. Eu vou me agarrar a isso com todas as minhas forças, pois é como um farol de esperança de que essa linha narrativa de Capuz Vermelho e Gotham City acabará aqui e não será carregada para a vindoura 4ª temporada (oba…). Tudo bem que teremos o Tim destreinado e pupilo da Amazona, mas ele pelo menos não me parece um louco com Jason ou uma besta quadrada como Dick.

Eu realmente deveria ter me atido às minhas receitas favoritas, pois escrever isso aqui me deu azia. Teria sido mais salutar abordar os detalhes de como eu faço meu arroz (Uncle Ben’s de saquinho, óbvio, pois não tenho ideia de como fazer arroz de verdade) com ovo (estalado, com gema mole, nas poucas vezes em que consigo quebrar o negócio sem estourá-la) sem sal (sal estraga o gosto de tudo e não ponho nem em batata frita). Deixa eu ir ali tomar um sal de frutas para voltar a escrever outras coisas para o site, desta vez sem morcego verde para me fazer rir.

P.s. Não encontrei uma oportunidade orgânica para falar sobre a Barbara Gordon. Mas, mas além de ela ter fugido e resolver religar o Oráculo (que não podia ser religado segundo ela, não é mesmo, pelo que faz todo sentido perguntar a algo desligado como fazer para ligá-lo, basicamente o mesmo que tentar falar com a Alexa ou a Siri, só que com os aparelhos descarregados completamente…), não sei muito o que dizer sobre ela, então fica esse “p.s.” sem pé nem cabeça mesmo só para constar…

Titãs – 3X12: Prodigal (Titans – EUA, 14 de outubro de 2021)
Showrunner: Greg Walker
Direção: Carol Banker
Roteiro: Jamie Gorenberg, Bryan Edward Hill
Elenco: Brenton Thwaites, Anna Diop, Teagan Croft, Ryan Potter, Curran Walters, Joshua Orpin, Vincent Kartheiser, Damaris Lewis, Jay Lycurgo, Savannah Welch
Duração: 48 min

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