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Crítica | To Hell and Back: A História de Kane Hodder

por Leonardo Campos
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Kane Hodder foi o ator que mais interpretou o antagonista Jason Voorhees na franquia Sexta-Feira 13. Recentemente, um documentário sobre a sua trajetória foi lançado, produção que alcançou boas avaliações por parte dos fãs e da crítica, haja vista o caráter emotivo e dramático dos depoimentos, chancelados por opiniões de quem realmente entende de terror: Robert Englund, o Freddy Krueger em pessoa, Bruce Campbell, o herói Ash da franquia Evil Dead, Danielle Harris, a final girl de Terror no Pântano, dentre alguns familiares que corroboram com as histórias do documentado, bem como alguns diretores que o tiveram como membro da equipe, seja como ator ou dublê.

Escrito e dirigido por Derek Dennis Hebert, To Hell and Back: A História de Kane Hodder apresenta logo na abertura algumas de suas mortes mais famosas. Há também algum destaque para a polêmica cena do saco de dormir em Sexta-Feira 13 Parte 7 – A Matança Continua, seu momento predileto de ação em toda a franquia, preâmbulo para os destaques dados pelo roteiro adiante: o forte bullying sofrido na época da escola, reverberado na fase adulta, as queimaduras nos bastidores de produção de um filme, acidente que tomou 50% do seu corpo, algo que também mexeu com a sua autoestima e o impediu de conseguir outros papeis na carreira cinematográfica, interessada na límpida imagem.

Retrato de um “sobrevivente”, a produção traz algum encanto quando vemos emoção diante de alguém que sempre encontramos dando entrevista ou agindo com a palavra-chave assassinato hediondo. Representante de Jason e do maníaco da franquia Terror no Pântano, Kane Hodder fez muita gente sofrer no terreno ficcional, como explica a sinopse do documentário. Todos os relatos, já biografados em Unmasked, de Michael Aloisi, ganham maior projeção com a quantidade satisfatória de imagens de arquivo, utilizadas como ilustração dos depoimentos organizados pela edição dinâmica de Mike Hugo, imagens acompanhadas pela condução sonora de Jonas Friedman.

Ao longo de seus 108 minutos, a direção de fotografia, assinada por Zachary Hunter capta os depoimentos por meio das padronizadas cabeças falantes, com pouca liberdade entre um ponto e outro, tendo sempre como plano de fundo o design elaborado por Royce Allen Dudley. Esteticamente, To Hell and Back: A História de Kane Hodder é um documentário bem-sucedido e envolvente. Sigamos com o conteúdo: há depoimentos sobre as costumeiras luvas que o ator utiliza para as aparições públicas, numa estratégia para esconder as marcas de queimaduras das mãos; o seu trabalho no centro de crianças que sofreram acidentes semelhantes, maneira que Hodder encontrou de canalizar terapeuticamente as suas ansiedades.

Somos informados sobre o seu trabalho de dublê de Leatherface no horroroso O Massacre da Serra Elétrica 3, o perrengue durante o período que ficou internado num hospital que não conseguia lhe fornecer o atendimento adequado para o acidente e a “mágoa” com a produção de Freddy vs. Jason, ao substituí-lo de maneira arbitrária, escolha que por sinal, reafirmo ter sido bastante equivocada, haja vista o estranho personagem desengonçado no “duelo do século”. Ademais, outros depoimentos são acompanhados de detalhes específicos de bastidores, num documentário que funciona tanto mais para os fãs das franquias em que Kane Hodder atuou, mas também dialoga com o grande público, sempre interessado na contemplação da tragédia alheia.

To Hell and Back: The Kane Hodder Story  – Estados Unidos, 2017.
Direção: Derek Dennis Herbert
Roteiro: Derek Dennis Herbert
Elenco: John Carl Buechler, Bruce Campbell, Jack Coleman, Robert Englund, Michael Feifer, Zach Galligan, Danielle Harris, Ted White, Kane Hodder,
Duração: 101 min.

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