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Lista | Top 10: As Melhores Continuações Tardias do Cinema

por Luiz Santiago e Ritter Fan
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Com o lançamento de Bill & Ted: Encare a Música 29 anos depois do longa anterior, eu (Ritter Fan) e Luiz Santiago decidimos chacoalhar nossos cérebros para montar uma lista das melhores continuações tardias. Nossa surpresa foi encontrar tantas ao longo das décadas e várias muito boas. Entre sugestões de um e outro, chegamos a um consenso razoável do que achamos um Top 10 viável que reunisse variedade com qualidade.

Nossas únicas regras foram:

(1) Longas cinematográficos (ou que deveriam ter sido lançados no cinema, mas não foram por caso de força maior para ficar bem claro) apenas, sejam filmes com atores reais (live-action) ou animações; e

(2) Continuação tardia foi definida por nós como sendo aquela continuação (pouco importando se é a primeira, segunda, ou 15ª continuação, mas sem valer remakes) lançada no mínimo 10 anos depois do filme anterior.

Confiram nosso Top 10, que começa com cinco Menções Honrosas, e mandem as listas de vocês para discutirmos!

*Todos os textos foram escritos por Ritter Fan, a não ser quando indicado diferentemente.

Menções honrosas:
(em ordem de lançamento)

Fuga de Los Angeles
(Escape from L.A. – 1996)

  • Continuação de: Fuga de Nova York (1981);
  • Intervalo: 15 anos;
  • Breve porquê: Snake Plissken is back, baby!
    .

Meu Melhor Inimigo
(The Odd Couple II – 1998)

  • Continuação de: Um Estranho Casal (1968);
  • Intervalo: 30 anos;
  • Breve porquê: Walter Mathau e Jack Lemmon juntos novamente é irresistível.
    .

Fragmentado
(Split – 2016)

  • Continuação de: Corpo Fechado (2000);
  • Intervalo: 16 anos;
  • Breve porquê: Uma continuação “secreta” que não é exatamente continuação, mas que é continuação? Tinha que ser citada!
    .

Os Incríveis 2
(The Incredibles 2 – 2018)

  • Continuação de: Os Incríveis (2004);
  • Intervalo: 14 anos;
  • Breve porquê: A mais pedida continuação de todos os tempos.
    .

Bill & Ted: Encare a Música
(Bill & Ted: Face the Music – 2019)

Top 10:
(do menos melhor ao melhor)

10º Lugar – Doutor Sono
(Doctor Sleep, 2019)

  • Continuação de: O Iluminado (1980)
  • Intervalo: 39 anos

Atrevimento e ironia do destino são as duas palavras/expressões que vêm à minha mente depois de assistir Doutor Sono. O atrevimento vem do fato de que alguém teve a coragem de produzir uma continuação de um filme de Stanley Kubrick. Só isso seria suficiente para espantar qualquer um e, na comparação inevitável, tornar a continuação uma abominação que deveria ter todas as suas cópias devidamente queimadas em um ritual perfeitamente simétrico. A ironia do destino é que Stephen King, autor de O Iluminado, sempre detestou a adaptação de Kubrick e, depois de repetir isso aos quatro ventos, escreveu uma continuação de seu livro 36 anos depois somente para poder dizer novamente que detestou a adaptação do mestre cineasta. A ironia? Doutor Sono é tanto uma continuação do longa de Kubrick quanto uma adaptação do livro homônimo,

E o melhor disso tudo é que o resultado saiu bem melhor que a encomenda, por incrível que pareça, com a união exata entre nostalgia e material novo, resultando em uma história que homenageia seu material-fonte duplo e que estabelece uma identidade própria. Nada mal para a segunda mais tardia das continuações tardias desta lista, não?.

9º Lugar – T2 Trainspotting
(Idem, 2017)

Outra “continuação surpresa” e até improvável e outra que consegue capturar o espírito da obra original e construir em cima uma narrativa própria que consegue ser tão boa e até melhor que a clássica. Danny Boyle demonstra que, com o material certo, até mesmo filmes menores, mais pessoais e sem o apelo blockbuster, conseguem justificar sequências mesmo que elas não seja essenciais, como nenhuma na verdade é..

8º Lugar – O Retorno de Mary Poppins
(Mary Poppins Returns, 2018)

Não tinha a menor chance de uma continuação do clássico Mary Poppins mais de meio século após o original dar certo. Afinal, a maldição da autora P.L. Travers que, assim como Stephen King, detestara o resultado do primeiro longa, era forte e duradoura. Mas água mole em pedra dura tanto bateu que furou e a continuação não só veio como conseguiu acertar em cheio mesmo que sem Julie Andrews como protagonista. Leveza, belas músicas, lindas coreografias e Emily Blunt deslumbrante como a babá mágica criaram a tempestade perfeita que nenhum guarda-chuva seria capaz de impedir..

7º Lugar – A Lenda do Mestre Invencível
(Jui kuen II, 1994)

  • Continuação de: O Mestre Invencível (1978)
  • Intervalo: 16 anos

[Por Luiz Embebedado] A minha vontade aqui é simplesmente escrever um tipo de risada diferente por umas 30 linhas seguidas, só para reafirmar o quanto essa pérola honconguesa me faz rir só de lembrar dela. O primeiro ponto a se destacar é que aqui temos um caso difícil de acontecer em sequências, já que este filme é ainda melhor que o original. Depois, todos os planos em que Jackie Chan está em cena são capazes de fazer qualquer um abrir um baita sorriso no rosto e, logo em seguida, transformar esse sorriso em uma expressão de admiração por algum golpe intenso, rápido, impressionante ou “movimento impossível” da coreografia de luta. Isso sem contar que as situações na qual o Mestre Bêbado se mete são as mais bizarras possíveis, às vezes com um simples enfrentamento sendo transformando em um caos absoluto, e tudo começando apenas com um golinho de cana… É aquele tipo de filme que acaba e você pensa por algumas horas que quer aprender alguma arte marcial. Mas aí o efeito embasbacador da sessão passa, e tudo volta ao normal, igualzinho àquilo que acontece com o protagonista..

6º Lugar – A Cor do Dinheiro
(The Color of Money, 1986)

Martin Scorsese, 25 anos depois do filme original, criou uma daquelas continuações que o espectador é capaz de assistir sem nunca sequer descobrir que é uma continuação e só isso já a torna valiosa. Some-se a isso o retorno de Paul Newman ao seu papel clássico de Eddie Felson que cria uma relação de mestre e pupilo com o personagem de Tom Cruise, e eis um filme inesquecível que consegue ser ainda melhor que o original..

5º Lugar – Pânico 4
(Scream 4, 2011)

  • Continuação de: Pânico 3 (2000)
  • Intervalo: 11 anos

[Por Luiz Panicado] Mas aí alguém vai dizer (e por “alguém” refirmo-me diretamente ao Encosto Lovecraftiano que perturba a minha vida há 9 anos… e não se trata de algo que ele vai dizer… trata-se de algo que ele já grunhiu, lá das profundezas onde vive) “PÂNICO 4???“. Pois é, Pânico 4! E se você não concorda com isso você está obviamente errado, isso é um fato científica e cinematograficamente comprovado. Pânico 4 abraça com todas as forças o tipo de “bagaceira slasher” que o gerou, claramente dando-se conta das exigências e características de uma nova década. Dentro de uma franquia, com regras estabelecidas e pontos negativos e positivos bem conhecidos pelo público, o filme procura, basicamente, nos divertir com sangue e susto. Wes Craven está afiadíssimo nos cortes (hehehe), o roteiro não tenta dar uma de espertalhão para cima do público, mantém os pés no chão, mas ao mesmo tempo consegue ser bastante inventivo, dando um novo fôlego à sequência. E isso sem descaracterizar a marca Pânico. Intenso, cheio de surpresas, com uma baita trilha sonora e uma direção pensada para nos fazer pular da cadeira e perder o fôlego do começo ao fim.

4º Lugar – Toy Story 3
(Idem, 2010)

  • Continuação de: Toy Story 2 (1999)
  • Intervalo: 11 anos

A galinha dos ovos de ouro da Pixar é impressionante. A cada continuação, Toy Story consegue emocionar e, quando ninguém mais achava que viria uma terceira parte, eis que a produtora arregaça as mangas e solta um espetacular encerramento – que acabou não sendo um encerramento, claro – para os adoráveis brinquedos que ganham vida quando ninguém está por perto. Impossível passar por esse filme sem ser atingido cruelmente pelos ninjas cortadores de cebola..

3º Lugar – O Poderoso Chefão III
(The Godfather: Part III, 1990)

A segunda continuação de O Poderoso Chefão é, sem dúvida alguma, uma obra polêmica, que polarizou a crítica na época e que até hoje é vista com preconceito por muito gente. Mas ela, na verdade, não deixa muito a dever ao que veio antes não se a obra ganhar outra chance daqueles que originalmente viraram o nariz. É o perfeito final para a grande saga de Don Michael Corleone, fechando uma das melhores trilogias do cinema..

2º Lugar – Blade Runner 2049
(Idem, 2017)

Uma continuação impossível que só se tornou o clássico instantâneo que sem dúvida é em razão da qualidade de seu diretor, o canadense Denis Villeneuve. Um filme complexo da década de 80 que fracassou na bilheteria, mas que se tornou cult ao longo dos anos e cuja continuação ninguém sequer esperava ganhou uma obra-prima igualmente complexa, que igualmente fracassou na bilheteria e que igualmente tornou-se cult. Definitivamente uma obra que não vai se perder como lágrimas na chuva!.

1º Lugar – Mad Max: Estrada da Fúria
(Mad Max: Fury Road, 2015)

Apesar do relativo fracasso de bilheteria que levou mais continuação da franquia a permanecer na geladeira, Mad Max: A Estrada da Fúria foi uma das mais sensacionais experiências cinematográficas que já tive, com visuais arrebatadores, ação frenética e indutora de ataques epilépticos, uma histórias simplíssima, mas extremamente eficiente, Tom Hardy novamente usando uma máscara e grunhindo, Charlize Theron arrasando e os mais ensandecidos e bizarros personagens que já singraram as terras desoladas da Austrália pós-apocalíptica. Só de escrever isso aqui dá vontade de espreiar cromo na cara e sair dirigindo a toda e tocando guitarra no volume máximo ao mesmo tempo!.

Fala Sério!

Avatar 2 a 47

  • Continuação de: Avatar (2009)
  • Intervalo: 187 anos

Substituindo a categoria hors concours, decidimos criar a “Fala Sério!” especialmente dedicada ao Senhor James Cameron. E a razão não é para pedir para que as continuações de Avatar saiam logo. Eu gosto bastante do filme dele, mas meu ponto é que é um desperdício um talento como o de Cameron, que já se provou diversas vezes em sua arte, ficar tanto tempo em regime de dedicação exclusiva a uma franquia. São 11 anos até agora e NADA de um filme dirigido por Cameron. Ele está lá perdido em Pandora e simplesmente não quer voltar.

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