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Crítica | Transformers (2023) – Vol. 5

Robert Kirkman chega arrebentando tudo.

por Ritter Fan
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  • Há spoilers. Leiam, aqui, todas as críticas do Universo Energon.

Depois de 24 edições supreendentemente muito consistente e de alta qualidade sob comando de Daniel Warren Johnson com arte dele mesmo nas primeiras seis e, depois, de Jorge Corona na grande maioria das seguintes, a versão dos Transformers da Skybound/Image fincou-se como uma das melhores que os robozões jamais tiveram ao longo de sua longa vida nos quadrinhos. Meu receio, como mencionei na crítica do arco anterior, era que a anunciada passagem do bastão para Robert Kirkman no roteiro e Dan Mora na arte representasse uma queda de qualidade, especialmente em razão do trabalho decepcionante de Kirkman em Void Rivals (recentemente batizada de Rivais Espaciais por aqui), a HQ que insere mitologia completamente nova no Universo Energon e que, até agora, não disse muito bem a que veio.

Depois de ler o primeiro arco sob a batuta direta de Kirkman, porém, creio que eu possa dormir sossegado, já que ele entrega uma ótima continuação da história que não perde tempo em abordar os eventos pós-retorno de Megatron, ao mesmo tempo em que insere a M.A.S.K., mais uma propriedade oitentista da Hasbro, nesse universo compartilhado, criando as condições para que a HQ própria dos personagens seja lançada em junho de 2026. Como não poderia deixar de ser quando uma troca relevante de equipe criativa acontece, Kirkman muda bastante o status quo dos personagens, mas nunca de maneira aleatória ou sem sentido. Muito ao contrário, ele finalmente dá um respiro aos Autobots que, com a ajuda do General Hawk, que oferece uma aliança a Optimus Prime, ganha mais dois membros, Mirage e Bulkhead, achados na Terra há décadas e estudados desde então, além de um generoso suprimento de Energon, permitindo que todos sejam reconstruídos, algo que é facilitado pelo retorno misterioso da Arca à caverna onde ela estava originalmente.

Só nisso que descrevi, Kirkman faz o que faz de melhor e introduz indiretamente a M.A.S.K., por meio de Miles Mayhem, aliado de Hawk, que, porém, como sabemos, é inimigo de Matt Tracker, algo que acaba sendo revelado no final do arco e dá pistas sobre o que aconteceu com a Arca, mostrando que ela aparentemente foi para Cobra La, mas sem explicar a razão ou dar mais detalhes. Nesse mesmo diapasão, vemos Optimus ser Optimus, determinando que o Energon seja usado primeiro para reconstruir ninguém menos do que Skywarp, mutilado pelo Decepticons para que suas partes fossem usadas para reconstruir o Teletraan I, algo que faz com que Thundercracker, muito amigo de Skywarp, e que fora transportado para Cora La junto com a Arca, perceba que talvez sua aliança com Megatron tenha sido equivocada. Falando em Megatron, é muito interessante notar que o trauma sofrido pelo vilão pelo tempo em que passou sendo torturado não foi esquecido e, muito ao contrário, o afetou profundamente, com momentos agudos de dor profunda, além do recrudescimento de sua obsessão e violência contra os Autobots a ponto de assustar até mesmo seus Decepticons. E, como se isso não bastasse, há, ainda, toda a linha narrativa de Elita-1 em Cybetron que passa a considerar Optimus de trair os Autobots.

Pode parecer muita coisa, mas a grande verdade é que, contra todas as probabilidades, Kirkman dá conta do recado ao longo das seis edições do arco, promovendo inclusive duas alterações importantes de status de Arcee e de Elita-1 ao longo da história que eu até achei exageradas por acontecerem em tão pouco tempo, mas que, novamente, tem perfeita lógica dentro do que havia sido construído por Johnson e abre uma “terceira frente” narrativa em Cybertron que talvez até merecesse um título spin-off só para ela. Fica evidente não só que o título foi pensado a longo prazo ainda na fase de projeto, quando a licença foi adquirida, como a execução, pelo visto, não parece ter se desviado de maneira significativa da concepção original com o sucesso editorial e crítico alcançado pela HQ nesses três anos. E, melhor do que isso, Kirkman muito claramente projeta um futuro fascinante para os robôs que pode durar ainda vários anos sem necessidade de grandes ajustes.

Meu receio, porém, também repousava na mudança do desenhista. Jorge Corona, que trabalhou nas quatro páginas iniciais da edição #25 quase que como um símbolo da passagem de tocha, conseguiu acompanhar o estilo visceral originalmente imposto por Johnson, o que finalmente me fez acreditar que robôs gigantes podiam realmente sofrer e sentir dor, além de ele realmente se preocupar com escala. A entrada de Dan Mora no lugar de Corona sinalizava, para mim, a “normalização” da arte, o que poderia ser um problema. E, de fato foi, ainda que muito mais por minha culpa do que por causa do trabalho do artista. Demorei a me acostumar com os Autobots e Decepticons “limpinhos e brilhantes” mesmo quando todos arrebentados, mas a grande verdade é que Mora significa uma ruptura visual relevante para essa nova fase, mais consolidada, dos personagens, que torna mais fácil sua aclimatação ao Universo Energon. Além disso, mesmo que os seres metálicos sejam vistosos nos traços “super-heróicos” e mais comportados de Mora, quando a violência se torna necessária, ele não se faz de rogado e oferece o que precisa ser oferecido para as cenas funcionarem, algo que vemos especialmente no assassinato frio e doentio que Megatron comete em determinada altura da história. Portanto, Mora acerta em cheio depois que o choque inicial causado pelo costume com o trabalho de Corona passa, mas é uma pena que ele mesmo só tenha se comprometido com esse arco, já que os próximos terão Jason Howard como artista principal.

E, com isso, Transformers entra triunfalmente em nova fase sob a regência de Robert Kirkman que promete manter o nível altíssimo do que veio antes. Agora não tenho mais receio algum pelo trabalho do roteirista e sim ansiedade pelo que vem por aí, ainda que ele, claro, pudesse usar o mesmo capricho lá em Rivais Espacias. O que será que vem por aí nesse universo agora que a M.A.S.K.  entrou nele, hein?

Transformers (2023) – Vol. 5 (EUA, 202526)
Contendo: Transformers (2023) # 25 a 30
Roteiro: Robert Kirkman
Arte: Dan Mora (todas as edições), Jorge Corona (apenas as primeiras páginas da edição #25)
Cores: Mike Spicer
Letras: Rus Wooton
Editoria: Ben Abernathy
Editora: Skybound (Image Comics)
Datas originais de publicação: 09 de outubro, 12 de novembro e 10 de dezembro de 2025; 14 de janeiro, 11 de fevereiro e 11 de março de 2026
Páginas: 144

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