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Crítica | Transformers: War for Cybertron – O Cerco

por Ritter Fan
1812 views (a partir de agosto de 2020)

Transformers é uma franquia que se recusa a morrer. A fascinação pelos robôs que se transformam principalmente em veículos variados (e dinossauros, claro) é uma fonte inesgotável de brinquedos, animações, filmes e quadrinhos que, ao longo das décadas, desde seu surgimento no segundo semestre de 1984 com uma minissérie em três episódios, estabeleceu um vastíssimo universo com centenas de personagens. War for Cybertron – não há relação com o videogame homônimo – é apenas a mais recente incursão animada da franquia, desta vez tendo o onipresente Netflix como canal de distribuição.

A série animada em computação gráfica parece ter como objetivo fazer um reboot da primeira geração dos Transformers, a chamada G1, recontando o início de tudo ainda em Cybertron como o título deixa bem claro. Na verdade, não exatamente o “início de tudo”, pois o primeiro capítulo (ou temporada), composto de seis episódios e batizado de O Cerco, começa essencialmente da maneira como a minissérie original começa, já com o planeta dos robôs em ruínas em razão de uma guerra civil entre os Decepticons, liderados por Megatron, e os Autobots, liderados por Optimus Prime.

Mas, diferente dos cinco minutos (no máximo) que esse período ganha nos episódios iniciais da série da G1, War for Cybetron não tem exatamente muita pressa em tirar os robôs de seu planeta. Muito ao contrário, esse plano sequer existe na cabeça de Prime e vai ganhando corpo na medida em que a temporada progride. Essa progressão, por mais curtos que sejam os já poucos episódios, não acontece muito rapidamente, vale salientar. Os roteiros de George Krstic são substancialmente expositivos (não chega nem próximo ao nível irritante de Castlevania, porém) porque o escritor tenta inserir o máximo da mitologia dos personagens em poucos minutos, abordando as causas da guerra civil, a suposta traição de Alpha Trion por Megatron, a existência dos misteriosos Guardiões, a busca por cubos de Energon e, depois, pelo Allspark, uma antiga conexão entre Megatron e Optimus Prime, a estrutura restante do planeta, com robôs não afiliados a qualquer lado como Bumblebee e outros que se aproveitam da situação caótica para reinar no submundo como Soundblaster e assim por diante.

Em outras palavras, Krstic não inventa muita moda, apenas preferindo “organizar” a estrutura da narrativa picotada clássica em um conjunto que faça sentido e que funcione muito mais como um preâmbulo do que como uma temporada – ou mesmo um capítulo – realmente fechada. E nem sempre ele acerta, já que os diálogos explicativos são constantes e tomam grande parte da minutagem, deixando a ação em segundo plano. Além disso, quando a pancadaria chega em erupções esporádicas e curtas, ela é normalmente muito burocrática, sem maiores arroubos imaginativos do que alguns tiros e explosões aqui e ali.

Assim como o roteiro, a direção de arte também não inventa e caminha pela recriação dos clássicos personagens como eles sempre foram, apenas trabalhando uma abordagem bem mais “vivida” do que o costumeiro, com cada robô tendo marcas claras de desgaste, seja por trabalhos escravos pré-guerra como Megatron salienta diversas vezes, seja pelos efeitos devastadores da guerra civil em si. Além disso, o visual é sombrio, realmente canalizando um planeta pós-apocalíptico, com momentos de ação que não escondem a violência tanto em sequências de tortura cibernética explícita, como com execuções a queima-roupa ou feridas expostas e incandescentes na carroceria dos personagens, incluindo membros decepados e assim por diante. Claro que o fato de eles serem robôs e não sangrarem ou terem tripas para serem expostas retira boa parte do impacto, mas, mesmo assim, é uma forma interessante e bem mais realista de lidar com um conflito destrutivo nesse escopo.

A direção de Takashi Kamei, porém, talvez presa à quantidade substancial de momentos de “explicação interminável” e de “repetições para quem não entendeu”, peca por manter a temporada lenta e até cansativa às vezes, por mais curta que ela seja. E não ajuda em nada que os trabalhos de voz, algo absolutamente espetacular na animação original, sejam praticamente genéricos e fungíveis, todos em tons ameaçadores do lado dos Decepticons e todos suaves e claros no lado dos Autobots, mas quase sempre com aquela reverberação metálica típica que, aqui, talvez por ser muito evidente, parece ser o que acaba por tirar os timbres das vozes do elenco. É quase como se todos os personagens fossem dublados pela mesma pessoa, mas sem que essa pessoa tivesse sequer um milésimo da versatilidade de nomes como Peter Cullen e Christopher Collins e dos gênios Don Messick e Frank Welker.

O “primeiro capítulo” de War for Cybertron tem sem dúvida muitos problemas que, espero – mas duvido – sejam corrigidos ou atenuados nos dois capítulos posteriores. No entanto, como recomeço de franquia imaginado talvez como ponto de entrada para novos e futuros fãs, a animação cumpre sua função básica como a minissérie original também cumpriu. Ainda que longe de ser mais do que os olhos veem, há inegável charme nessa abordagem sombria e violenta dos robozões transformadores em (re)começo de jornada.

Transformers: War for Cybertron – O Cerco (Transformers: War for Cybertron – Siege, EUA/Japão, 30 de julho de 2020)
Direção:
Takashi Kamei, Kazuma Shimizu, Koji
Roteiro: George Krstic, F.J. DeSanto, Gavin Hignight, Brandon Easton (baseado em história de F.J. DeSanto e George Krstic)
Elenco (vozes originais): Jason Marnocha, Jake Foushee, Linsay Rousseau, Frank Todaro, Keith Silverstein, Edward Bosco, Bill Rogers, Todd Haberkorn, Mark Whitten, Georgia Reed, Joe Zieja, Shawn Hawkins, Brook Chalmers, Jimmie Stafford, Rafael Goldstein, Aaron Veach, Kaiser Johnson, Brian Robert Burns, Alexander DiLallo
Duração: 142 min. (seis episódios)

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10 comentários

Italo Bandeira 1 de outubro de 2020 - 16:53

Inicialmente não dei muita bola para esta produção por conta dos filmes do Michael Bay (gostei dos três primeiros, apesar de tudo – me julguem kkk). Depois acabei mudando de ideia e MANO … só queria ter assistido antes. Gostei muito mesmo da forma como trabalharam Megatron nesta produção e por darem mais tempo de tela aos personagens menos famosos.

O roteiro foi um pouco cansativo, de fato. Ainda assim eu acredito que seria interessante vermos um pouco mais sobre como era Cybertron antes das guerras, talvez mostrando como era a vida dos Decepticons.

Ah sim … Ultra Magnus virou meu segundo personagem favorito. Quanto ao Starscream … sem palavras, gosto de odiar este Judas Iscariotes robótico xD

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planocritico 1 de outubro de 2020 - 20:59

É uma série cheia de pequenos problemas nesse começo, mas diverte.

Abs,
Ritter.

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Lucas Casagrande 21 de agosto de 2020 - 10:07

Gostei bastante desse desenho, me diverti assistindo, e sou da eṕoca do original hahaha, gostei mesmo desse remake/reboot/recomeço/sei lá o que

Poderia ter melhoras nos pontos já levantados por ti na critica, concordo demais mas estou ansioso pra segunda parte

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planocritico 21 de agosto de 2020 - 15:00

Ah, eu também quero ver as segunda e terceira partes. Pode ser um bom recomeço para a “saga”…

Abs,
Ritter.

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maria das graças valverde sena 19 de agosto de 2020 - 21:31

Achei os robôs muito iguais e quadros

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planocritico 20 de agosto de 2020 - 14:29

Os principais não são, mas os coadjuvantes são meio parecidos mesmo.

Abs,
Ritter.

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Flavio Batista Dos Santos 4 de agosto de 2020 - 19:00

Eu curti, e ainda mais pelo fato de N dar tanto protagonismo apenas ao Optimus.
Eu adoro o personagem mas achei incrível ele N ser a única voz da razão sempre.
É possível até mesmo simpatizar com Megatron, visto q é um pouco explicada a razão da revolução.
Acho q poderiam caprichar mais no design dos robôs, pq tem horas q fica muito confuso pra distinguir uns dos outros.
Só N da pra simpatizar com o Starscream que continua um pé no saco como sempre haha

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planocritico 4 de agosto de 2020 - 20:09

Pô, não fala assim do Starscreamzinho não! Ele é muito divertido, além de se transformar – na Terra – em um dos aviões mais bonitos que existem! Só senti falta daquela voz original de taquara rachada dele!

HAHHHAHAHAHAHHAHHAHAHA

Abs,
Ritter.

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Fórmula Finesse 4 de agosto de 2020 - 17:34

Gostei bastante do visual adotado, Megatron está perfeito naquele metal laminado com milhares de veios percorrendo o rosto (estranhamente, parece feito das chapas metálicas de um DeLorean – rsrsrsr); tudo denota superfícies duras e altamente cortantes, um pesadelo vivo para seres orgânicos normais…
E a falta destes – nós, humanos – que quebra um bocado do encanto e da majestade desse robôs gigantes; não temos mais o impacto das dimensões titânicas desses seres, que ridicularizavam completamente nossa noção de “raça dominante e inteligente”.
Mas faz parte, é apenas o começo da saga e eu adoraria ver uma Cybertron primordial e pacífica, antes da guerra, bem como os enigmáticos e colossais Guardiões; temo – sinceramente – que isso seja deixado de lado, tomara que não.
De resto a crítica tá perfeita, falta mesmo emoção nas batalhas, ação e singularidade na voz (e consequentemente personalidade) dos personagens. Se fossem episódios mais compridos, muita gente desistiria…

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planocritico 4 de agosto de 2020 - 20:09

Sim, parece o aço escovado do DeLorean mesmo. Ficou bem bacana!

Sobre os Guardiões, sei lá. Não vejo aqueles sujeitos gigantescos aparecendo muito não. Vai ser só na base do machina ex machina mesmo…

Abs,
Ritter.

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