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Crítica | Transformers: War for Cybertron – O Nascer da Terra

por Ritter Fan
1484 views (a partir de agosto de 2020)

No segundo “capítulo” de War for Cybertron, trilogia no estilo anime que objetiva fazer um reboot de Transformers, organizando e expandindo as ideias da já longínqua história de “origem” que vimos na minissérie original de 1984, acrescentando diversos outros elementos que foram agregados mais tarde, o conflito entre Megatron (Jason Marnocha) e Optimus Prime (Jake Foushee) ganha destaque, com uma interessante e muito bem-vinda relativização dos grandes rivais e protagonistas. Mesmo mantendo seu estilo mais lento e consideravelmente verborrágico, O Nascer da Terra consegue eficientemente construir em cima do que veio antes, sem se furtar de trazer muitos aspectos interessantes para a saga, mostrando grande ambição ao projeto da Hasbro (Allspark) e Netflix, mesmo que o objetivo primário seja o que sempre foi: vender mais bonequi… digo, figuras de ação.

O estilo sombrio da animação, talvez o grande destaque de O Cerco, continua firme e forte aqui, com um belíssimo design para os robôs que, mesmo não fugindo da retratação original de cada personagem, empresta uma excelente qualidade de “universo vivido”, com texturas de aço escovado, rachaduras e desgastes que conseguem transmitir claramente toda a história de violência que eles carregam nos ombros. Cybertron, onde a ação começa, é, basicamente, um planeta arrasado, com pouquíssimas estruturas em pé e uma atmosfera lúgubre, pós-apocalíptica, com os pouquíssimos Autobots restantes, liderados por Elita-1 (Linsay Rousseau), mantendo um semblante de resistência contra os Decepticons que passam a retirar as essências de vida de seus próprios correligionários de forma a construir uma gigantesca arca para eles poderem fugir do planeta sem vida depois que Prime arremessou o AllSpark pelo portal estelar.

A ambição dos curtos seis episódios dessa segunda parte vem principalmente pela forma como Megatron é retratado, um líder frio, mas que mantém resquícios de humanidade (ou seria robotidade???) e, em uma abordagem shakespeariana, conversa com a cabeça decepada de Ultra Magnus. O trabalho de voz de Jason Marnocha para o líder dos Decepticons melhorou muito, com a manutenção do timbre grave, mas com uma manifesta melancolia misturada com raiva que impressiona, por vezes até chegando a convencer o espectador não exatamente da pureza de suas intenções, mas sim da falta de alternativas dele. E o mesmo vale para Optimus Prime, mesmo que a voz de Jake Foushee não se destaque tanto quanto a de Marnocha. No entanto, Prime é retratado como um robô arrependido do que fez e que tenta recuperar o AllSpark não para impedir que Megatron o ache, mas sim para devolver a vida a seu planeta. Tudo bem que o líder dos Autobots se mostra inocente por mais vezes do que podemos aceitar de bom grado, mas a assunção de sua responsabilidade nessa equação toda, o que retira a pecha fácil de herói do personagem, de certa forma compensa esse seu lado mais “puro”.

Mas não é só na forma como os dois protagonistas são retratados que O Nascer da Terra mostra ambição. A inclusão do Quintesson Deseeus cria uma subtrama que reúne ancestralidade, por essa raça estar conectada com a escravidão ainda não muito explorada dos Transformers e pela obsessão que o personagem demonstra em tomar as rédeas dos Autobots e Decepticons novamente, custe o que custar. No entanto, talvez o momento mais interessante da temporada seja mesmo a visita dos robôs ao Universo Morto, uma espécie de dimensão paralela em que Prime e Megatron, separadamente, se encontram com personagens que, para evitar spoilers, não mencionarei aqui, mas que tem conexão tanto com o passado quanto com o futuro deles, em uma expansão narrativa que surpreende e que ajuda a revelar que há mais em jogo do que apenas uma rivalidade entre duas facções de seres cibernéticos.

Depois de um começo bom, mas não muito mais do que isso, War for Cybetron começa a mostrar suas garras metálicas e a realmente mostrar a que veio em uma interessante recriação do início – pelo menos para nós, claro – da saga dos robozões transformadores. Será muito interessante ver como Kingdom, a terceira e última parte, será trabalhado, pois há muito ainda o que acontecer. Minha impressão, porém, é que toda essa trilogia não é mais do que apenas o primeiro capítulo de um projeto potencialmente muito maior, com desdobramentos infinitos.

Transformers: War for Cybertron – O Nascer da Terra (Transformers: War for Cybertron – Earthrise, EUA/Japão, 30 de dezembro de 2020)
Direção:
 Takashi Kamei, Kazuma Shimizu, Koji
Roteiro: George Krstic, F.J. DeSanto, Gavin Hignight, Brandon Easton, Tim Sheridan (baseado em história de F.J. DeSanto e George Krstic)
Elenco (vozes originais): Jason Marnocha, Jake Foushee, Linsay Rousseau, Frank Todaro, Keith Silverstein, Edward Bosco, Joe Zieja, Michael Dunn, Jonathan Lipow, Michael Schwalbe, Mark Whitten, Ben Jurand, Georgia Reed, Bill Rogers, Kaiser Johnson, Todd Haberkorn
Duração: 145 min. (seis episódios)

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