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Crítica | Trog, o Monstro da Caverna

por Ritter Fan
498 views (a partir de agosto de 2020)

Trog, o Monstro da Caverna foi um dos filmes mais aterradores de minha infância, responsável por diversas noites em claro em razão da terrível criatura pré-histórica que milagrosamente é descoberta viva por três espeleólogos amadores em uma caverna no interior da Inglaterra. Décadas depois, revendo o filme para escrever a presente crítica, meu terror foi ainda maior, mas por razões completamente diferentes.

Meu terror veio, primeiro, por não entender como alguém, em sã consciência, pode ter aprovado um roteiro desses. Depois, ele continuou por constatar  o quanto é ridícula a caracterização deste elo perdido entre símios e humanos feita com uma “semi-fantasia de macaco” usada por Joe Cornelius em que os braços, as pernas e o tórax do bicho são mantidos 100% humanos, como se o ator tivesse se esquecido de vestir o restante. O terror veio também ao descobrir que a protagonista – além de Trog – é ninguém menos do que Joan Crawford, em seu último papel cinematográfico. E, claro, o terror veio ao perceber o quão vergonhoso é alguém sentir medo desse filme, sejam com que idade for.

Este é um daqueles filmes que o espectador assiste de queixo caído, incapaz de entender como, dois anos antes, o mundo deparara-se com os sensacionais 2001 – Uma Odisseia no Espaço e O Planeta dos Macacos com trabalhos de próteses símias sem igual e, aqui, a criatura do título é inacreditavelmente hilária, daquelas que nunca permitem qualquer semblante de imersão na narrativa. Outra coisa que traz estupefação é um roteiro que tinha assuntos de sobra para lidar, como o conflito entre ciência e religião, entre ciência e intolerância e a incapacidade humana de aceitar aqueles que são diferentes resultar em um apanhado de situações jogadas de qualquer jeito no papel por Aben Kandel, em seu penúltimo trabalho, que com certeza ficaria melhor se o próprio Trog tivesse escrito.

E o que dizer do vilão da fita? Michael Gough, conhecido mais recentemente por ter vivido o Alfred da quadrilogia do Batman iniciada em 1989, vive um sujeito asqueroso chamado Sam Murdock que deveria representar o verdadeiro “monstro”, mas que, na verdade, acaba sendo um personagem caricato, sem qualquer semblante de desenvolvimento e sem qualquer motivação minimamente construída ao longo do roteiro que, claro, quer destruir a criatura, como se o destino de uma descoberta científica dessa magnitude fosse ficar na dependência do que um empresáriozinho misógino de uma cidadezinha bucólica no meio do nada com coisa nenhuma.

Aliás, falando em ciência, é inacreditável a anti-ciência que é essa pérola do Cinema. Não que eu esperasse algo realista ou que seguisse explicações científicas de fazer a cabeça explodir de tão mirabolantes. Mas eu também não esperava a mais completa idiotice imbecilizante que é o desfile de sandices desmioladas que passam pela tela. De experiências com brinquedos, passando por intervenções cirúrgicas que caem de paraquedas e que levam ao despertar de memórias impossíveis, até uma explosão de violência que não tem uma sequência que leve logicamente à outra, Kandel cria uma aberração narrativa que, em conjunto com a direção quase amadora de Freddie Francis (por incrível que pareça, ele é um ótimo diretor de fotografia, com trabalhos em Os Inocentes, O Homem Elefante e o Cabo do Medo de Martin Scorsese), até consegue desviar a atenção do espectador da patética prótese símia. O problema é que dá vontade de renegar completamente o evolucionismo se isso significar que Trog é nosso antepassado…

Sei muito bem que memória afetiva é um problema é que é melhor deixar quietas aquelas obras que os recônditos nostálgicos da mente etiquetaram indelevelmente como “boas”, mas confesso que essa foi a primeira vez que um filme desses consegue ultrapassar todos os níveis de desapontamento possíveis, inclusive a confortável barreira do “é tão ruim que é bom”. Trog, o Monstro da Caverna, sinto afirmar, jamais deveria ter sido colocado em celuloide, nem mesmo como uma brincadeira de mau gosto. Definitivamente um terror de todas as maneiras possíveis, menos a pretendida.

Trog, o Monstro da Caverna (Trog, Reino Unido – 1970)
Direção: Freddie Francis
Roteiro: Aben Kandel (baseado na história original de Peter Bryan e John Gilling)
Elenco: Joan Crawford, Michael Gough, Bernard Kay, Kim Braden, David Griffin, John Hamill, Thorley Walters, Jack May, Geoffrey Case, Robert Hutton, Simon Lack, David Warbeck, Chloe Franks, Maurice Good, Joe Cornelius
Duração: 93 min.

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16 comentários

Adriano Ramos Dos Santos 17 de outubro de 2020 - 00:03

Mais assustador que o homem das neves do Chapolim ,mais feio que o monstro do armário ,ele é TROG ,O TOSCO DAS CAVERNAS 😂😂😂😂 breve num cinema perto de voçê ,ou se tiver coragem de ver essa tosqueira 😂😂😂

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planocritico 17 de outubro de 2020 - 12:56

Pior é que eu vi algumas vezes na TV há milhares de anos! Morria de medo!

Abs,
Ritter.

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Adriano Ramos Dos Santos 14 de outubro de 2020 - 16:51

Vi esse filme podreira E CAI NA RISADA 😂😂😂😂😂,que monstro das cavernas mal feito , o chaka de o elo perdido de 1974 é mais realista que essa coisa mal feita 😂😂

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planocritico 14 de outubro de 2020 - 16:54

É de chorar de rir mesmo! O bom e velho Chaka era MUITO melhor!!!

Abs,
Ritter.

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Adriano Ramos Dos Santos 17 de outubro de 2020 - 00:03

Imagine a turminha do mistery science theather 3000 detonando essa bagaceira enquanto assistem ? 😂😂😂😂

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planocritico 17 de outubro de 2020 - 12:56

He, he. Seria lindo!

Abs,
Ritter.

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George Jaime Nagata 22 de setembro de 2020 - 17:19

O pior é que a máscara de macaco deste filme, foi realmente reaproveitada do filme “2001 – Uma Odisseia no Espaço”. Não faço ideia como alguém da produção deste “Trog” conseguiu ter acesso a ela.

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planocritico 22 de setembro de 2020 - 18:36

Ele pegaram uma parte do figurino de macaco e aí ficou ridículo, pois os braços e pernas (e a barriga) são normais…

Abs,
Ritter.

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Mirellinha 20 de setembro de 2020 - 23:09

Ainda não tive coragem de ver por causa da Joan. O que achou da atuação dela?

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planocritico 21 de setembro de 2020 - 00:58

Artificial pacas. Mas, em um filme desse “nível”, era de se esperar…

Abs,
Ritter.

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Diego/SM 19 de setembro de 2020 - 19:30

Caramba… nunca tinha ouvido falar dessa josta! (Sou de 77 e tb curti muita porcaria na tv aberta nos anos 80, mas não lembro desse…)

Só, não sei exatamente ao que se refere, claro, mas fiquei meio intrigado mesmo com esse “despertar de memórias impossíveis” mencionado aí na crítica, pois, por uma certa coincidência da temática (e uma possível chupadinha?), me remeteu imediatamente ao genial livro “Antes de Adão”, de Jack London, no qual um sujeito dos dias de hoje narra sonhos que tem de tempos ancestrais (supostamente repassados na “memória genética” ao longo dos tempos desde um antepassado pré-histórico…)…

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planocritico 19 de setembro de 2020 - 20:43

@diego_sm:disqus , você deve ter “escapado” dessa… Sobre o que você coloca, a memória genética, eu gostaria que fosse isso, mas não é. Duvido que isso sequer tenha passado pela cabeça do roteirista. Não vou dizer o que é, pois pode dar uma louca em você para assistir isso e não quero dar spoilers, he, he, he…

Abs,
Ritter.

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paulo ricardo 19 de setembro de 2020 - 17:33

Tbm me assustou muito nas madrugadas dos anos 70/80 n Globo , tem uma cena q me marcou é a q o Trog mata um cara naqueles ganchos de acougue , cena q p um menino de10 anos n época era aterrorizante ! Sim , vendo hj é uma bosta colossal , Abração !

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planocritico 19 de setembro de 2020 - 18:27

Sim, sim. Aquela cena dele enganchando o açougueiro é forte para a época e para nós, as crianças da época. Só fui ver algo assim, mas já mais velho, no final de Stallone Cobra (será que houve inspiração – afinal, é um troglodita espetando um carniceiro, he, he, he).

Abs,
Ritter.

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Luiz Santiago 18 de setembro de 2020 - 21:34

EU QUERO QUE VOCÊ EXPLIQUE PARA TODO MUNDO AGORA POR QUE DEU ESSA NOTA PARA A SUA PRÓPRIA CINEBIOGRAFIA!!!

Luiz, o Desmascarador.

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planocritico 19 de setembro de 2020 - 01:08

Ele erraram na cor dos meus olhos. Simplesmente inaceitável!

Abs,
Ritter, o Troglodita.

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