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Crítica | Tubarão Branco 3D

por Leonardo Campos
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Os tubarões talvez sejam os animais com maior número de documentários no ramo das produções dedicadas aos meandros da vida selvagem. Por esse motivo, torna-se hercúlea a tarefa de apresentar algo sobre essas criaturas que seja novidade, ou então, que apresente um ponto de vista diferenciado para abordar as peculiaridades destes seres que mesclam fascínio e repulsa para os seres humanos, temerosos diante da imponência e legado, mas também grandes responsáveis do extermínio, celeuma que colocou algumas espécies no mapa dos animais seriamente destinados à extinção. O foco desta produção, lançada em 2013, é o tubarão-branco, a espécie que ficou midiaticamente famosa quando o romance de Peter Benchley foi traduzido por vias semióticas e se tornou o famoso filme de Steven Spielberg, um dos maiores blockbusters dos anos 1970, valiosa lição de linguagem cinematográfica, clássico do cinema moderno. Numa jornada que expõe localidades conhecidas como redutos para a espécie, Tubarão Branco 3D apresenta, em seus 45 minutos, curiosidades e análise do legado desses animais.

Sob a direção de Luke Cresswell, Steve McNicholas e David Newton, nos defrontamos com um espetáculo de imagens deslumbrantes, destinadas a explicar, junto ao poderoso tom de voz da narração de Bill Nighy, as histórias de quem teve contato com esses seres apontados como monstros, mas que nas ocasiões de encontro com os humanos, demonstraram outras estratégias de exposição de suas características. O tubarão branco tem então alguns traços de sua mitologia desvendados para o público que o conhece de outros documentários sensacionalistas ou dos filmes que os transformam em belos antagonistas, a depender da narrativa. Solitários e inteligentes, os tubarões circulam pela tela com muita “graça”, contemplados pelo formato IMAX e 3D que permite maior textura e profundidade, distantes do interesse em apresentar apenas um amontoado de imagens mirabolantes, sem conteúdo narrativo que acrescente. Aqui, a lição de casa é realizada depois da aula expositiva dos documentaristas, num misto de pedagogia e entretenimento, não se comportando apenas como uma aula de biologia ou curiosidades.

O documentário é a demonstração do poder da imagem na sedução do espectador. É cinema, da melhor qualidade, tanto no que diz respeito aos elementos estéticos quanto na formatação da proposta narrativa sobre um tema exaustivamente concebido no terreno do jornalismo e da sétima arte. Com direção de fotografia assinada por D. J. Roller, Tubarão Branco 3D dialoga com o imaginário popular e delineia como nós utilizamos o seu nome para expressões de cunho negativo em nosso cotidiano. Desde “nada com tubarões”, utilizado muito nos debates sobre a necessidade de supremacia de alguém numa batalha aos demais momentos de atribuição da criatura aos comportamentos violentos e agressivos de seres humanos, os tubarões tornaram-se cada vez mais incompreendidos na cultura da mídia e em nossa sociedade do espetáculo continuo, voltada ao sensacionalismo que geralmente vende imagens de tubarões antropomorfizados, monstros sedentos por violência e morte, algo que pode até ser divertido no terreno da ficção, mas que no discurso científico precisa ser observado sob outro prisma.

Ademais, pelos breves trechos com apresentações de curiosidades, viajamos pelo perfil dessa espécie, algumas que também contemplam outros tubarões. Ao longo de suas vidas, esses animais marinhos podem perder e substituir até vinte mil dentes, pois como são desprovidos de raízes, sem fixação permanente nas mandíbulas. As práticas de caça dos tubarões envolvem todos os seus sentidos e a sua ferocidade/voracidade no momento da oferta de alimento é conhecida como “frenesi”. Os seus sentidos, aguçados pelas vibrações que sentem a quilômetros de distância, o movem para o patrulhamento do que seria um determinado som, propagado cinco vez mais rápido na água que no ar. Responsáveis por 15% dos incidentes com os tubarões, a espécie que domina o documentário. Estudos apontam que há duas mil e quinhentas chances de uma pessoa ser picada por uma cobra a ser atacada por um tubarão. Anualmente, registra-se 250 mil casos com serpentes, 2.500 com crocodilos, 1.250 com abelhas, 250 com elefantes e 100 com tubarões, um dos animais prediletos da ficção e amplamente documentado.

Tubarão Branco 3D — (Great White Shark – Estados Unidos, 2013)
Direção: Luke Cresswell, Steve McNicholas, David Newton
Roteiro: Luke Cresswell, Steve McNicholas
Elenco: Christopher Lowe
Duração: 40 min.

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