Crítica | Turma da Mônica Jovem & Liga da Justiça: Odisseia Infinita

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Creio que todo encontro de personagens, nesses grandes eventos dos quadrinhos, seja uma realização e tanto para qualquer leitor. Há um prazer difícil de classificar quando vemos super-heróis das mais diversas origens e com os mais diversos poderes (ou inteligência, estratégia) unindo-se contra um inimigo em comum, dentro de uma situação-limite. E esse tipo de situação é o cenário que de fato abre as portas para o enredo de Odisseia Infinita (um quadrinho-tsunami de referências e outras brincadeiras com os quadrinhos, a começar pelo título), volume que reúne uma versão da Liga da Justiça com a Turma da Mônica Jovem, dando um pouco o gostinho do gosto do Multiverso para a turma do Limoeiro. E… bem, ao menos no aspecto de diversão, esse encontro de fato vale a pena. Já em relação às outras camadas…

Dois braços narrativos são utilizados pelo roteiro de Flávio Teixeira, o primeiro, com a Turma comemorando o aniversário do Cascão; o segundo, com a Liga numa grande batalha contra uma versão da Legião do Mal. Gosto bastante da junção entre esses dois primeiros blocos, com O Questão sendo utilizado como ponte narrativa, algo que funciona bem no texto e na arte. Já nesses primeiros momentos da revista temos a plena noção de que muita coisa nos espera e de que o tom da história só tende a crescer, considerando aí o número de personagens envolvidos nela e os enfrentamentos por vir. E sim, tudo isso acontece, mas dentro de uma apresentação de coadjuvantes que acaba sendo desmedida e com um elenco de vilões que, se funciona bem no início, perde rapidamente a linha no desenrolar da história.

Como disse na abertura, o que o volume mantém em alta conta é a diversão. Por mais irritantes que sejam algumas aparições-relâmpago e sem nenhum sentido, de personagens nunca antes citados na história (Caçador de Marte, Shazam e Zatanna me fizeram revirar os olhos), a interação entre os jovens da Turma, as piadas envolvendo os “mistérios do Multiverso DC”, a chegada dos heróis à nossa Terra… tudo isso já é material o suficiente para nos manter o tempo inteiro atentos e com um certo sorriso bobo ao longo das páginas. É de se lamentar, porém, que no desenvolver de tudo isso, tenhamos que enfrentar justificativas de vilões que “se esforçam demais para serem grandiosos”, o que nunca é bom, pois abre as portas para um sem-número de Deus Ex Machina, um mais chateante que o outro. Há um crescendo narrativo que até poderia funcionar se o roteiro mantivesse os pés no chão, o que só acontece no início da trama.

Entre planos miraculosos, estranha importância dada para a Arlequina (impressionante como essa personagem ganha ares de grandeza mesmo sem ter cacife para isso, tomando lugar de inúmeros outros vilões — ou personagens na linha tênue — bem mais interessantes da DC), aparição e sumiço inadvertido de personagens e diálogos aqui e ali que geram um pouco de vergonha, Odisseia Infinita é uma daquelas aventuras diante das quais que a gente não consegue ficar indiferente, se gostamos dos personagens que estão envolvidos no enredo. Como já apontei, a trama diverte e realmente traz bons momentos, mas isso é só metade da revista. A outra metade está ali sob medida para colocar doses de irritação no meio de uma boa leitura…

Turma da Mônica Jovem & Liga da Justiça: Odisseia Infinita (Brasil, dezembro de 2018)
Roteiro: Flávio Teixeira
Arte: Jairo Alves dos Santos, José Aparecido Cavalcante, Lino Paes, Roberto Martins Pereira
Arte-final: Andrea Petta, Jaime Podavin, Jorge Correa, Marcela Curac Russi, Matheus Oliveira, Paulo Matheus Costa, Rosana Valim, Viviane Yamabuchi
Páginas: 132

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.