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Crítica | Twin Peaks – The Return: Part 10

por Luiz Santiago
173 views (a partir de agosto de 2020)

Spoilers! Confira as críticas para Twin Peaks – The Return (2017) clicando aqui. Confira as críticas para todas as publicações do Universo da série, clicando aqui.

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Um episódio-ponte ou “de contexto” em mais da metade da temporada já não é algo que devemos olhar com olhos carinhosos e pensar: “olha que legal esse desenvolvimento pausado e aleatório na segunda parte da temporada, onde as coisas, pela lógica e pela contagem de capítulos, deveriam começar a acelerar!“. Se nada for alterado, o que temos é o seguinte: em quase dois meses The Return chegará ao final, sendo as suas duas últimas partes, os capítulos 17 e 18, exibidos no mesmo dia.

Ou seja, esperamos que em algum momento uma boa lufada de vigor apareça na série e, assim como foi a animadora Parte 9, nos entregue roteiros com tramas que tenham maior estrutura no plano da temporada. Este episódio dez, apesar de não ter sido um episódio ruim, nos forneceu apenas algumas migalhas: Laura aparecendo em visão para Gordon e a Senhora do Tronco falando sobre Laura (e sobre eletricidade, elemento que já sabemos ter um significado importante na filmografia de David Lynch). O restante foi uma coleção de pedaços da vida de personagens em blocos diferentes desta versão da série, uma parcela deles com um forte senso de continuidade, o que é ótimo, mas isso não basta para construir um episódio sólido e fluído, mesmo sob os padrões Lynch-Frost.

Tendo a seu favor uma mitologia cada vez mais interessante e profunda, os autores conseguem fazer arranjos às vezes não tão bons, mas que continuam tendo um impacto positivo no público. Como é possível, por exemplo, ignorar o fato de que o tenebroso Richard Horne (Eamon Farren, interpretando muito bem o seu papel, com uma dose extra de maldade no olhar, sem recorrer a gritos e escândalos) está em cena matando, coagindo, roubando, agindo como se fosse um “filho de BOB” em toda essa história? E vejam que até Sylvia Horne (Jan D’Arcy) apareceu na série, mas nada de Audrey, por enquanto, um detalhe que certamente chama a atenção. Onde ela está?

As relações paralelas, apesar de não terem nenhum peso em termos de estrutura no enredo — simplesmente porque são adendos dramáticos, não o foco principal — também entram na lista de coisas que soltas, não teriam grande importância, mas acabam ganhando um outro tratamento quando pensamos em um leque maior, a exemplo do contato de Richard dentro da delegacia (o policial Chad); da estupidez, mas ainda assim, compreensível vingança imediata dos Mitchum contra um “novo inimigo”, Cooper; e, em um terreno que conhecemos bem em Twin Peaks, a visão e fala a respeito de Laura Palmer ser a escolhida, o que pode ligar com a “caçada” que deve acontecer na Parte 11.

Este episódio dez coloca no centro das atenções uma boa parte dos novos personagens deste retorno e, através deles, sugere ligações com a investigação a respeito do Major e as coisas ligadas a BOB, ao Black Lodge e Cooper. Em uma leitura fria e objetiva, esse tipo de tomada narrativa é um filler. Convenhamos que não existem reais novidades no episódio, apenas cenas em andamento, o que corrobora esta posição e talvez traga a preocupação e dúvida se teremos outras “pontes” como esta até o fim da temporada. A mudança de tom nos roteiros desta temporada tem sido um dos temas que mais vejo em debates sobre The Return e não é sem motivo. É diferente da série original e da forma como normalmente Lynch costuma guiar coisas. Suas obras nunca são fáceis ou necessariamente acessíveis, mas ele sempre manteve ativa uma atmosfera “X” para a obra, dando um senso de unidade que, mesmo após 10 episódios, eu não senti na nova série.

Claro que já passamos por episódios-ímã… capítulos que indicavam uma totalidade, uma unidade, mas sempre algo isolado, seguido de um episódio com uma abordagem (e devo dizer, até gênero) diferente. É quase certo que teremos uma boa visão de todo esse quebra-cabeça no final de tudo, porém, analisando as partes, é um pequeno sofrimento tentar encontrar-se e dar ao menos um rumo teórico às coisas. Ao menos tivemos Rebekah Del Rio, com um vestido de padrão bastante propício e cantando a bela canção No Stars. Uma âncora bem-vinda em um episódio que mesmo não tendo nenhum elemento surreal, funciona estruturalmente como se tivesse. Vai entender.

Twin Peaks – The Return (3ª Temporada): Part 10 (EUA, 16 de julho de 2017)
Direção: David Lynch
Roteiro: Mark Frost, David Lynch
Elenco: Kyle MacLachlan, Jane Adams, Joe Adler, Chrysta Bell, James Belushi, Richard Beymer, John Billingsley, Catherine E. Coulson, Giselle DaMier, Jan D’Arcy, David Dastmalchian, Eamon Farren, Miguel Ferrer, Patrick Fischler, Pierce Gagnon, Michael Horse, Caleb Landry Jones, David Patrick Kelly, Robert Knepper, Andréa Leal, Sarah Jean Long, Kimmy Robertson, John Pirruccello, Wendy Robie, Erik Rondell, Amanda Seyfried, Amy Shiels, Harry Dean Stanton, Russ Tamblyn, Naomi Watts
Duração: 55 min.

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9 comentários

JC 30 de março de 2021 - 15:53

O famoso episódio estranho!

Cara…que loucura aquelas tri-gemeas, nossa. Ácido?

Você viu que Moby era o guitarrista?
Na hora que bati o olho imaginei logo mas só confirmei nos créditos.

Essa Rebekah canta demais, mas achei que seria uma música melhor se ela não demorasse tanto em alguns tons/palavras. Acaba ficando chato e incomodando. E olha que eu amo o timbre dela.

Tô curioso onde vai parar… Só falta aparecer Ronaldinho Gaúcho como um personagem num rolê aleatório!

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Alex Alves 20 de julho de 2017 - 11:14

Estou ficando nervoso, episódio 10 e até agora nada do Cooper rsrsrs, outro ponto que esta me irritando um pouco que o Linch esta colocando muito personagem e não aprofunda em nada estou achando a série muito solta como se tivesse mais uns 30 episódios restantes tudo muito lento (torço para que tenha mais uma ou duas temporadas mas acho difícil)

A temporada como um todo é boa nota 7 por enquanto mas sinceramente esperava bem mais.

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Luiz Santiago 20 de julho de 2017 - 23:02

Eu também estava esperando bem mais. Nunca que imaginaria uma iniciativa tão solta como a que temos aqui. Mas vamos seguir para ver onde chegamos, né.

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fellipekyle 19 de julho de 2017 - 14:56

Acorda Cooper!!!!

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Luiz Santiago 19 de julho de 2017 - 15:54

Dá até pra fazer uma musiquinha com essas duas palavras! hahahaha

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Gabriel Vefago 18 de julho de 2017 - 17:52

Parabéns pela crítica. Esse foi de longe o episódio menos interessante, teve algumas cenas legais mas como um todo foi abaixo da média.
Mais uma semana sem o Cooper, e a paciência vai se esgotando na mesma medida.

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Luiz Santiago 18 de julho de 2017 - 20:31

Obrigado, @gabrielcortevefago:disqus!
Estou contigo nessa. A demora na recuperação do Cooper está fazendo a paciência se esgotar.

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Mark 18 de julho de 2017 - 13:03

É… tb tive a impressão de ser um grande filler esse episódio, não agregou nada e pareceu apenas ter sido feito pra cumprir o contrato de episódio da semana. Estou começando a me preocupar, a série esta boa, mas o fim já está aí e a série ainda não mostrou a que veio.

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Luiz Santiago 18 de julho de 2017 - 14:11

A ligação entre as coisas também me preocupa. Porque já vamos em 10 episódios e tudo o que eu menos queria é que o final fosse corrido. Ainda dá tempo e tudo mais, mas não tem como não colocar o sinal amarelo a essa altura do campeonato.

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