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Crítica | Twin Peaks – The Return: Part 12

por Luiz Santiago
157 views (a partir de agosto de 2020)
Spoilers! Confira as críticas para Twin Peaks – The Return (2017) clicando aqui. Confira as críticas para todas as publicações do Universo da série, clicando aqui.

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Bom, vamos começar falando do que interessa: Audrey Horne (Sherilyn Fenn) está de volta ao show! Depois de tanta espera, a personagem volta em uma sequência que trouxe mais dúvidas e estranhamento do que alegria de a vermos mais uma vez.

Para ser sincero, acho que Lynch não foi muito bondoso com a personagem. Notem que praticamente todos os icônicos indivíduos da série dos anos 90 tiveram uma boa reintrodução nesta 3ª Temporada, com uma cena ou dentro de um contexto que nos fazia abstrair a pessoa nesta nova realidade, sem nos preocuparmos com elementos adicionais. Aqui, Audrey surge de maneira desglamourizada pela câmera e toda a sua sequência é marcada por uma inquietação e espera por algo que jamais acontece. No começo, temos um breve travelling, sem mudança de plano, passando pela atriz, e só depois vemos um bom enquadramento dela, com feição de grande insatisfação, olhando para seu marido, Charlie (Clark Middleton) e dizendo que vai atrás de Billy, alguém que está desaparecido.

Há uma linha de construção de roteiro aqui que certamente irá dividir os espectadores e esta não é uma contenda que terá certo ou errado. É apenas uma questão de preferência, porque ambos os argumentos são verdadeiros, se analisarmos bem a questão. Primeiro, os que vão achar o texto tão bem construído a ponto de nos fazer criar grande anseio para ver quem Audrey está procurando e, em última instância, quem é esta Audrey nervosa e afetada por algo que sabemos ter sido traumático para ela no passado. Não há nenhuma explicação sobre o que aconteceu com ela e sobre sua relação com Richard… temos apenas uma tensa (e estranha) sequência de espera onde estamos diante de uma personagem que conhecemos, mas não nesta configuração. Do outro lado da moeda estarão os espectadores que vêm a cena como um verdadeiro desperdício da personagem. A esta altura da temporada, colocar uma procura por alguém — até que se diga o contrário, aleatório –, justamente no momento de reapresentação de uma das principais personagens da mitologia da série não foi algo aplaudível, correto?

Para completar o caminho de estranhezas, temos Sarah Palmer (a sempre ótima Grace Zabriskie) e sua bizarra reação para “algo que está chegando”. Ou temos mais um caso de possessão ou temos uma personagem fortemente afetada pelo passado e que acabou tendo contato com as forças do Black Lodge, que dão a ela o conhecimento de que algo está para acontecer, como um radar de forças de outro mundo. Tanto a engraçada e angustiante cena do supermercado quanto a cena em que Hawk vai visitar Sarah em casa destacam isso através de ângulos mais inclinados e indicações medonhas via edição de som, especialmente na primeira vez que ela aparece. Outra coisa: vocês notaram o plano caraterístico no ventilador de teto?

As informações sobre o Projeto Blue Book e a Força-Tarefa Blue Rose vêm em primeiro lugar aqui, na melhor sequência de todo o capítulo. Mesmo que a entrada de Tammy (Chrysta Bell) não seja exatamente a coisa mais emocionante do grupo — particularmente não confio muito na personagem — toda a confidencialidade, a forma como Albert fala de OVNIs, casos encerrados e posteriormente abertos “sob outro caminho investigativo” nos traz a sempre emocionante atmosfera de Twin PeaksArquivo X e isso é excitante de se ver. Curiosamente, toda a emoção é posta quando Diane é oficialmente integrada ao time, soltando o icônico “Let’s rock!” para coroar a situação. Mais tarde, os SMS voltam a aparecer e fica cada vez mais difícil saber se ela está ou não trabalhando para o lado negro da Força. Eu me recuso a acreditar que sim.

A fala de Trick, no final, talvez indique que ele cruzara com Richard Horne na estrada, fugindo da cidade. Como ainda não entramos na seara de arrumar a casa para dar as merecidas respostas (sim, isso é muito preocupante, mas eu já cansei de reclamar do mesmo problema nas críticas, então vou apenas aceitar e esperar o que vier) não dá para saber a que bloco ele estará ligado mais à frente. Uma coisa é certa: a pesquisa de Diane no celular não foi à toa. A localização geográfica indica um afunilamento das tramas para um único lugar, Twin Peaks.

Com uma aparição de apenas alguns segundos de Dougie e Sonny Jim, este episódio 12 tentou nos esclarecer alguma coisa (que ainda não sabemos) e restabelecer alguns personagens, algo não muito necessário mas feito com grande maestria, tanto que a hora passa e nem percebemos. Como sempre, Lynch faz um grande trabalho na direção, mas o roteiro, apesar de continuar interessante pelas cutucadas no cânone, parece não querer se abrir para nós, de jeito nenhum.

Tomara que não haja mais esta repetição chateante do programa do Dr. Jacoby. De resto, só temos que esperar pelas respostas. Sinto que a série encontrou o seu nível de esgotamento de tramas de construção e apresentações. A 6 episódios do final, eu realmente espero que a linha estrutural dos roteiros comece a nos dar mais respostas e nos fazer menos perguntas.

Twin Peaks – The Return (3ª Temporada): Part 12 (EUA, 30 de julho de 2017)
Direção: David Lynch
Roteiro: Mark Frost, David Lynch
Elenco: Kyle MacLachlan, Elizabeth Anweis, Chrysta Bell, Richard Beymer, Scott Coffey, Ana de la Reguera, Laura Dern, Miguel Ferrer, Robert Forster, Pierce Gagnon, Michael Horse, Ashley Judd, Luke Judy, David Patrick Kelly, Jennifer Jason Leigh, Sarah Jean Long, Bérénice Marlohe, Zoe McLane, Clark Middleton, James Morrison, Wendy Robie, Tim Roth, Harry Dean Stanton, Russ Tamblyn, Grace Zabriskie, Sherilyn Fenn
Duração: 57 min.

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21 comentários

Mahatma José Lins Duarte 22 de agosto de 2017 - 18:54

Eu sinceramente estou pouquíssimo preocupado com respostas. Se tem uma coisa que eu aprendi com certas obras como Twin Peaks é que respostas, ás vezes, são a última coisa que um diretor como David Lynch está procurando e caminhando para dar ao espectador. Pelo que vemos até agora com essa nova temporada de Twin Peaks, ou teremos somente mais dúvidas ao seu final ou teremos uma quarta temporada!

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Luiz Santiago 22 de agosto de 2017 - 22:26

Respostas PRECISAM vir. Não todas, mas não existe, em nenhum cenário válido ou narrativamente coerente, que se construa uma temporada e não se dê as respostas essenciais ou as necessárias para segurar o enredo para uma outra temporada, que eu gostaria muito que NÃO EXISTISSE. A 2ª Temporada respondeu tudo o que era essencial, deixando no ar apenas os elementos de momento, para nos segurar. A minha preocupação não é essa, porque o Lynch responde sim a essência de seus mistérios. O que é preocupante é a construção disso, que não tem sido exatamente gloriosa nessa temporada.

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Mahatma José Lins Duarte 22 de agosto de 2017 - 23:42

Então Luiz, pelo que eu assisti até agora (episódio 12, sem spoilers, please kkkk), eu desconfio que teremos bem poucas respostas no momento. Ou vai ter que ter uma nova temporada. Se for pra ter, não vejo problema desde que seja bem feita e que não seja puramente pra comércio. Vamos esperar pra ver o que os caras vão entregar com esses últimos episódios. Mas pelo andar da carruagem, como eu acho que você também desconfia pelas críticas, as respostas não virão por agora. Tomara que tudo dê certo. Eu pelo menos, como fã de Lynch, tô achando a temporada maravilhosa!Kkk

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Luiz Santiago 23 de agosto de 2017 - 00:07

Algumas têm aparecido já. Umas bem legais, por sinal. O final da série está trazendo aquela sensação de TP “de verdade”, sabe. Falta pouco agora. Estou ansioso e estou gostando da temporada, mas não consigo segurar essa sensação de frustração com os roteiros de uma parcela de episódios…

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Mahatma José Lins Duarte 23 de agosto de 2017 - 08:00

Aaaaa mas isso é verdade kkk houve alguns que foram duvidosos mesmo, principalmente a parte 10. Dá sim no fã aquele medo de acontecer novamente o que aconteceu no miolo da segunda temporada. Só tô com fé porque está tudo sendo muito bem dirigido pelo Lynch. Vamos torcer pra que continue assim!

Luiz Santiago 23 de agosto de 2017 - 09:08

Sim, essa é a parte que faz a gente manter a fé. Em Lynch nós confiamos!

bre.ribeiro 2 de agosto de 2017 - 01:24

Que Bosta.

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Luiz Santiago 2 de agosto de 2017 - 10:12

???

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bre.ribeiro 3 de agosto de 2017 - 10:04

Esse episódio. .. uma merda e esse programa do Jacobi é uma maneira do David Lynch nos lembrar que estamos cada vez mais atolados nessa história e que ele quer que todos se fodam. ..

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Luiz Santiago 3 de agosto de 2017 - 17:49

HAHAHHAHAHAHHHA SOCORRO!!!
Mas é sério, esse programa do Dr. não dá mais…

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Douglas 1 de agosto de 2017 - 09:58

Aparentemente Billy é o cara com quem o Andy marcou de se encontrar na estrada, na parte 7. No final desse mesmo episódio, inclusive, um cara entra no restaurante perguntando se alguém viu o Billy.

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Luiz Santiago 1 de agosto de 2017 - 22:12

Sabia que esse nome não me era estranho!
Dá vontade de botar numa camiseta: “VOCÊ VIU BILLY?” hahahhahah

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fellipekyle 1 de agosto de 2017 - 00:41

Disseram que a aparição da Audrey seria bem breve, será que ela vai aparecer mais vezes? Falta explicar como ela sobreviveu à explosão do banco. No mais, achei esse um dos episódios mais fracos da série, apesar das cenas assustadoras da Sarah, da aparição da Audrey e da hilária cena com a francesa do Gordon se arrumando pra sair do quarto, e a conversa lentíssima dos dois. Cada vez que mudava de plano pros dois se olhando calados eu caía na risada.

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Luiz Santiago 1 de agosto de 2017 - 22:09

Eu também ri demais naquela encenação toda da francesa pra sair do quarto. hahahahahhahahaaa

Cara, eu espero MUITO que a Audrey apareça de novo e que haja uma explicação para ela ter sobrevivido à explosão.

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Ranieri Marinho de Souza 2 de agosto de 2017 - 00:48

A francesa me fez recordar da “sobrinha” que na verdade estava fazendo mimicas para os agentes no filme dos ultimos dias de Laura Palmer.

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Luiz Santiago 2 de agosto de 2017 - 10:13

Excelente recordação. De certa forma, lembra mesmo!

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Ricardo Gelatti 4 de agosto de 2017 - 13:08

E o jeito que ela manda beijo lembra muito uma personagem de Império dos sonhos.

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Neto Ribeiro 31 de julho de 2017 - 09:56

Olha, eu tô no grupo dos que acharam decepcionante essa reintrodução da Audrey. Uma coisa deu a entender, o casamento dela com o anão parece ter sido mais uma jogada financeira ou algo do tipo do que um casamento mesmo. A Sherilyn tava maravilhosa mas só posso imaginar como seria ela aparecendo com um jazz tocando no fundo.

Não posso mentir, ando bem decepcionado com esse retorno. Falta só 6 episódios para terminar e pouca coisa parece realmente importar nesses sessenta minutos semanais. Mas vamos ver né…

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Luiz Santiago 31 de julho de 2017 - 15:54

@disqus_M9BMhMI2Yi:disqus, eu te entendo perfeitamente, man. Também esperei ela aparecer com um jazz na trilha algo que fizesse jus ao peso da personagem da série. Eu ainda estou gostando, mas se seguir este caminho vai ser difícil segurar uma opinião positiva. Muito próximo do final e nenhuma base maior para respostas. Estou preocupado.

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Sidnei Macedo 31 de julho de 2017 - 17:32

Eu achei o retorno dela parecido com uma sequência de pesadelo, como se ela estivesse presa naquela sala, casada com um anão. O fato do anão atender o telefone e não dizer a ela o que ouviu meio que me fez pensar nisso, talvez a história do coma seja verdadeira e ela está em algum delírio. Pelo menos espero, quero a Audrey deslumbrante que faz nó em talo de cereja e não uma senhora rabugenta e chata.

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Luiz Santiago 31 de julho de 2017 - 21:17

Eu também espero que ela volte a ter a graça que tinha!

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