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Crítica | Twin Peaks – The Return: Part 8

por Luiz Santiago
392 views (a partir de agosto de 2020)

Spoilers! Confira as críticas para Twin Peaks – The Return (2017) clicando aqui. Confira as críticas para todas as publicações do Universo da série, clicando aqui.

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Algumas obras precisam apenas das coisas básicas para funcionar: um bom roteiro, boa direção, elenco e equipe técnica. Outras obras, além disso, exigem um contexto do espectador para que funcione. É o tipo de realização que se o público não tiver noção alguma do Universo que está vendo, não conhecer a proposta, o ambiente ou personagens, nada ali irá funcionar e, a rigor, a culpa não é da obra, mas isso é uma discussão para outro momento. Existe também um terceiro tipo de criação, na qual Twin Peaks está localizada, que além de todas as características já citadas, exige um nível de entrega e desprendimento tão grandes da plateia, que não raro termina por afastar quase todos, independente da excelência com que é executada. Este é o caso da Parte 8 desta 3ª Temporada da série.

Depois de um episódio pé no chão como a Parte 7, bem mais próximo do clássico dos anos 90, David Lynch e Mark Frost nos entregam um enigma macabro parcialmente em preto e branco e com cerca de 20 linhas de diálogo apenas, boa parte deles, com frases repetidas ou sem conexão aparente. O Sr. C sai da prisão ao lado de Ray e é atacado pelo parceiro, que “carrega uma informação importante”, como nos foi apresentado desde a estreia da temporada. E então, após uma tentativa de assassinato e a aparição de ghouls “comendo” o corpo do Sr. C, o episódio muda completamente de figura. Se a princípio pensávamos se tratar da busca do Sr. C por Dougie ou por alguma coisa que fosse capaz de mantê-lo na Terra e continuar manipulando as forças do Black Lodge, toda essa visão se dissipa rapidamente. Os autores nos convidam a passear por uma sequência de colapsos espirituais que misturam excelente trabalho visual (no sentido de artes plásticas mesmo, com uma pontada de Kubrick), fotografia, direção de arte e montagem. Só que tudo isso tem um preço. O enigma pelo enigma.

O melhor tipo de mistério é aquele que mesmo com muitas interrogações ao longo de seu desenvolvimento, recebe pistas de maneira sólida, não apenas jogadas a esmo para serem puxadas depois. Claro que em uma visão geral, depois de acabada a série, isso poderá parecer apenas uma pequena falha para se chegar ao grande plano, mas no todo, convenhamos, por mais bela que tenha sido a iniciativa de Lynch e por mais corajoso e inovador, mesmo nos dias de hoje, que tenha sido o episódio, faltou um clique, um mínimo fio para prender o montante de pistas disfarçadas com uma mortalha dadaísta e surrealista à realidade da própria temporada. E é aí que a Parte 8 falha como episódio. Porque é claro que estamos falando de um produto televisivo inteligente e visualmente marcante! Ei! O diretor disso aqui é David Lynch, como poderia ser diferente? Agora, a pergunta simples e objetiva: tamanha excelência visual aliada à rede de mistérios para coisas nunca antes vistas na série funciona? E a resposta inconveniente: apenas em partes.

Sobre o quê pode ter sido este episódio? Na minha visão, após a ligação de Ray para Phillip Jeffries (eles estão trabalhando juntos, mas a questão é: quanto de Phillip veremos na série, considerando que David Bowie não está mais entre nós?), o episódio toma uma estrada que nos liga a um portal, e essa estrada se chama Nine Inch Nails (velhos parceiros de Lynch), interpretando She’s Gone Away — um sintoma bem-vindo da Síndrome de Laura Palmer. Daí passamos para a icônica Experiência Trinity, o primeiro teste nuclear da História, conduzido pelos Estados Unidos em 16 de Julho de 1945, data, inclusive, marcada como letreiro no próprio episódio. Se você não se lembra das aulas de Geopolítica, aqui vai um resumo: este teste deu início à Era Atômica e à grande ameaça de extermínio do mundo através de uma única arma. Percebam o quão simbólico foi o uso deste teste, que inclusive já havia sido aparecido na série, pois é o quadro que orna a parede do escritório de Gordon Cole.

A câmera se aproxima e mergulha no cogumelo de plutônio. Na minha visão, Lynch está abordando todo o mal que uma arma dessas pode causar, em companhia da absurda quantidade de energia que gerou, ativando forças que sem isso, não chegariam ao nosso planeta. A combinação de maldade imensa no conceito espiritual da arma e a sua carga de energia abriram um portal dimensional que permitiu formas malignas de outra dimensão encontrarem uma brecha para chegarem à Terra, tendo um dos seres Universais expelido ovos (dentre eles, BOB, um inseto asqueroso que entra pela boca de uma garota, em 1956) e dado início, talvez, à primeira leva de habitantes do Black Lodge, evento que forçou os habitantes do Farol (o White Lodge?) a criarem um contraponto para isso. O Gigante e a Señorita Dido são uma espécie de “pai e mãe” da garota que viria a ser Laura Palmer, cujo assassinato colocaria Dale Cooper em cena e daria início a um ciclo que coisas das quais até agora temos só uma parcela de informações.

O símbolo dos ovos expelidos (Lynch e Frost foram buscar elementos na mitologia do Homem-Primordial e dos ovos expelidos pelo Kneph egípcio), é uma clara noção de que este episódio mostra o princípio das forças em ação na mitologia de Twin Peaks, ou talvez a oficialização de algo que estivesse em andamento, mas não conseguira encontrar força o suficiente para se solidificar.

Esta Parte 8 exige muito menos de nossa relação com símbolos e muito mais aceitação para um tipo de narrativa inteiramente solta na sequência de uma temporada. No todo, ainda estamos diante de um bom episódio, de algo muito criativo e que NINGUÉM tem a coragem de fazer na televisão hoje em dia. Mas eu realmente gostaria que tudo isso viesse à tona em uma ligação maior com os elementos atuais do serial, não apenas com pistas aludidas de Os Últimos Dias de Laura Palmer ou de partes da série original, mais a esperança de que nós, pobres espectadores, tivéssemos estômago para aguentar e digerir tanta insanidade. O melhor de tudo isso é o fascínio que tal estranheza exerce sobre nós. Pode soar contraditório, mas é o tipo de coisa que mesmo quando parece interessante e solta, como este episódio, ainda é capaz de nos manter interessados pelo que pode acontecer. Que o Gigante e a Señorita Dido nos ajudem.

Twin Peaks – The Return (3ª Temporada): Part 8 (EUA, 25 de junho de 2017)
Direção: David Lynch
Roteiro: Mark Frost, David Lynch
Elenco: Kyle MacLachlan, Leslie Berger, Robert Broski, Joey Castillo, Alessandro Cortini, Cullen Douglas, Erica Eynon, Tikaeni Faircrest, Robin Finck, George Griffith, Tad Griffith, Mariqueen Maandig, Xolo Maridueña, Joy Nash, Tracey Phillips, Trent Reznor, Atticus Ross, Frank Silva, J.R. Starr, Carel Struycken
Duração: 58 min.

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51 comentários

JC 27 de março de 2021 - 23:04

Nossa! Deve ser porque sou fã doido do Lynch, mas foi uma das coisas mais loucas que já vi em toda minha vida!
E eu amei!

Se você lê algo sobre física, dá pra imaginar um monte de loucura quando adentramos na fumaça da Bomba. Você tocou bem no ponto! Da possível criação ou encontro do Black Lodger.

Me lembrou bastante um site da internet que você vê a escala das coisas. Então dentro de uma explosão é super capaz de existir um universo…fora as dores de cabeça de imaginar as quebras no espaço-tempo.

Um episódio desses que me dar dó de ser pirateado. Fico imaginando o trabalho de uma equipe fazer essse episódio. Desde o som, ao design.

Tu imagina Lynch no seu ombro falando: ” Quero isso assim, umas mil explosões de super novas! Depois corta para um posto de gasolina !”

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Luiz Santiago 27 de março de 2021 - 23:17

Quero isso assim, umas mil explosões de super novas! Depois corta para um posto de gasolina !” HAHHAHAHAHAHAHAHAHHAAHHAHAHAHHAAH MORRRIIIIIIIII

A ideia por trás aqui é absurda, sério. A gente ver como ele vai dissecando a formação de vários pontos desse Universo e agradece por estar vivo pra poder acompanhar a obra desse homem com ele criando, com ele também vivo. É foda demais. Mesmo não sendo um episódio que me chamou mega a atenção, a temática que ele trabalha é foda.

Responder
JC 27 de março de 2021 - 23:22

Cara , eu Amei esse episódio. Assistir numa tela grande com home Titi fez toda diferença.
Eu ainda quero mandar mensagens pessoais de agradecimento para duas pessoas vivas neste mundo.
Lynch e Richard Dawkins.

Cada um gênio em suas áreas que mudaram minha cabeça.

Eu ainda vou re-assistir esse episódio um dia numa tela maior ainda.

Que trabalho deve ter sido fazer isso. Potz!

Pena que Lynch se aposentou né?

Responder
Luiz Santiago 27 de março de 2021 - 23:29

Se aposentou sim. Boatos vieram o ano passado que TALVEZ tivesse uma 4ª Temporada de Twin Peaks, mas é só boato mesmo.

Mas se você quer vê-lo todos os dias fazendo a previsão do tempo e sorteando um número da sorte, se inscreve no canal dele! Eu vejo ele todo dia, já virou meu brother hahhahahahahahaha: https://www.youtube.com/c/DAVIDLYNCHTHEATER/videos

Responder
JC 27 de março de 2021 - 23:31

Caraaaa, eu tentei ver isso. Mas é alternativo demais pra mim HAUAHAUAAHAHAH

NÃO imagino como acaba mas acho praticamente impossível ter outra temporada, o mundo não foi feito pra isso

Hauahaaau

Luiz Santiago 27 de março de 2021 - 23:56

HAAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAH

Ismael Maia 9 de janeiro de 2019 - 05:50

Tô vendo a S03 ainda, só terei minha opinião sobre esse episodio quando termina-la. Contudo, não acho que a série tenha a obrigação de mastigar um episódio como esse, fui pego de surpresa e tô satisfeito com o que assisti

Responder
Luiz Santiago 9 de janeiro de 2019 - 08:22

Bom, bom…

Responder
Anônimo 24 de setembro de 2017 - 21:58
Responder
Luiz Santiago 24 de setembro de 2017 - 22:25

É uma viagem, com certeza.

A aproximação que consigo ver com 2001 é só nessa sugestão de rumo ao desconhecido mesmo. Porque no filme do Kubrick o ciclo se fecha com perfeição, tudo fazendo sentido em si mesmo, a despeito do processo. O que não é, nem de perto e nem de longe, o caso dessa 3ª Temporada de TP.

Responder
Huckleberry Hound 4 de julho de 2017 - 11:30

Antes tarde do que nunca,começei a assistir a série antiga nesse mês e acho que não merecia nem um pouco ser cancelada tão cedo!

Responder
Luiz Santiago 4 de julho de 2017 - 11:32

Tá vendo só! Concordo com você! Mesmo com o miolo da segunda temporada sendo abaixo da qualidade do primeiro ano, não achei um único episódio RUIM. Em que parte você está, @disqus_6l28o55IZI:disqus?

Responder
Huckleberry Hound 4 de julho de 2017 - 13:35

Segunda temporada episódio 20 e to ansioso pra ver o retorno,vale a pena ver o filme também?

Responder
Luiz Santiago 4 de julho de 2017 - 14:33

O filme é apenas OK. Mas digo que vale a pena sim.

Vc vai ver que esses episódios finais da 2ª Temporada são FODAAAAAAAAAAAASSSS!!! 😀

Sobre o retorno: meu amigo… pode ter certeza, você será surpreendido. To curioso pra ver se será para bom ou mal. hahahahaa

Responder
Huckleberry Hound 4 de julho de 2017 - 15:22

Vlw,vou ver antes de começar a nova série!

Wanderson Batista dos Santos 9 de outubro de 2017 - 16:15

Rapaz, sou igual Vc… Acho fodasticos tbm os episódios finais da segunda! E estou adorando esta terceira temporada. Vontade de voltar e rever tudo!

Ismael Maia 9 de janeiro de 2019 - 05:50

mds, eu não consegui assistir alguns episódios da segunda. fui so passando umas partes. Chega a ser desestimulante querer terminar.

Responder
Thiago Paz 3 de julho de 2017 - 21:15

Excelente texto, é para ler este tipo de coisa que eu pago internet.

Responder
Luiz Santiago 4 de julho de 2017 - 04:29

Hehehehhhe, muito obrigado, @disqus_kATAFUOOvg:disqus! Temos um especial bem grande sobre a série, sinta-se à vontade para fazer uma visita aos outros textos!
Abraço

Responder
Luís F B 3 de julho de 2017 - 18:30

Ótima crítica.
Como já disse em outra ocasião, o grande risco é o de uma estória, de tão autoral, cedo acabe cansativa… além disso, é de que o quebra-cabeça aparente ficar solto, sem coerência… ou o provável é que o Lynch esteja se lixando p’ra mim…

Responder
Luiz Santiago 3 de julho de 2017 - 19:45

HAHAHAH eu acho que ele está pouco se lixando para convenções mesmo. Mas não creio que vá terminar tudo solto não. Acho que ele vai dar um bom final para isso tudo.

Responder
Luís F B 4 de julho de 2017 - 15:25

Um problema é deixar uma amarração pro final, ou sempre pra depois. Lembro a irresponsabilidade intelectual dos criadores de LOST, ao jogarem dezenas de enigmas e subestórias na tela, porque precisavam jogar dezenas de enigmas e subestórias na tela, pretendendo manter o pique de série-cabeça… sic…
Então, amarrar a estória e o espectador é qualidade, não defeito. Esse capítulo 8 já deu uma avançada na conexão geral da estória, mesmo com as críticas, que estou endossando… sigamos assistindo…

Responder
Luiz Santiago 4 de julho de 2017 - 17:49

@lusferrariborba:disqus, ótimo você citar LOST, parceiro. Minha maior bronca naquele caso foi que eles sempre cantaram de galo que tinham tudo planejado, que sabiam exatamente para onde iam e tal. Daí chega no fim e… aquilo veio. Não vou dizer que exatamente ODEIOOOOOOO aquele final, mas me dá um pouco de raiva quando penso. hahahahahah

E concordo com você quanto a amarrar as coisas. Pensamento de forma muito parecida em termos de coesão narrativa, viu!

Responder
gabriel vefago 27 de junho de 2017 - 11:08

Parabéns pelo texto. Acho que esse é um daqueles episódios que talvez fará mais sentido no futuro, na medida em que a série for avançando, que merece ser visto novamente devido às toneladas de informações que nós meros mortais não conseguimos assimilar completamente.

Responder
Luiz Santiago 27 de junho de 2017 - 13:17

Obrigado, @gabrielvefago:disqus!
É verdade, esse é o tipo de episódio que a gente só consegue ver o verdadeiro sentido dele quanto o quebra-cabeça estiver completo. Mas acho que do meio da temporada para frente a coisa vai ficar mais… clara. ACHO. hahahahah

Responder
Nois Critica Mermo 27 de junho de 2017 - 03:25

O cinema é um campo muito subjetivo e amplo, onde não existe certo ou errado, apenas GOSTOS e visões de mundo distintas. Por isso acho injusto detonar algum tipo de obra. Pra televisão, esse conceito também pode ser aplicado, mas com ressalvas, porque é um campo mais limitado. É por isso que ninguém tem coragem de produzir episódios desse tipo, porque não faz muito sentido ser produzido. Porque aqui a audiência é mais específica e não muito aberta a esse estilo complexo e unilateral do Lynch.

E como estamos falando de gostos, esse canhão de elementos bizarros e desconexos do Lynch me incomoda muito. Sou fã do tom místico e contemplativo que só ele consegue imprimir, mas quando descamba para as “esquisitices avulsas”, pra mim perde pontos. O ideal seria algo semelhante ao que aconteceu nas primeiras temporadas, uma atmosfera única somada a um enredo mais amarrado e dinâmico. Respeito quem curte, mas só a questão do sensorial, pra mim é pouco. Foram dar liberdade demais pro Lynch… hahaha

Responder
Luiz Santiago 27 de junho de 2017 - 06:08

@NoisCriticaMermo:disqus, não penso que em cinema e TV não exista certo ou errado, apenas gostos. Se for assim, todo mundo pode fazer qualquer porcaria e os prêmios e reconhecimento e crítica e peso histórico ou valor artístico de uma obra seria apenas um capricho sem padrão algum, e a própria noção de arte não valeria, já que não existe “bom” ou “ruim”, “apenas gostos”. Isso, porém, não existe. As artes possuem linguagens e elas são boas se executam bem a linguagem. São ruins se não executam bem a linguagem. São medíocres se… bom, você entendeu. O que vem depois disso, aí sim, é gosto. Logo, não é INJUSTO detonar uma obra (se ela merecer isso), dentro desse tipo de julgamento de linguagem, que mesmo sendo subjetivo, parte de um conjunto conceitos.

Veja o meu caso. Embora eu veja total valor artístico e sentido na produção desse tipo de episódio (a arte precisa de gente rompendo paradigmas, senão não evolui, nós temos séculos de História para provar isso), eu vi muitos problemas de linguagem neste episódio. Problemas narrativos basilares, que me fizeram dar a menor nota (3 estrelas) em um episódio de Twin Peaks nesta 3ª Temporada. Não é, a meu ver, um episódio ruim, mas é o pior até o momento, mesmo com todo o apuro estético e significados importantes e muito bonitos. E isso não tem exatamente a ver com gosto. Eu adoro bizarrices na TV e no cinema. Adoro o Lynch. Adoro produções surrealistas. Mas não adorei o episódio.

Não há mal nenhum em não gostar ou até odiar uma obra. Às vezes, mesmo todo mundo dizendo que “é bom”, seu conhecimento de linguagem te faz ver de outro modo. E claro, o gosto também. O bom da crítica e da conversa crítica é justamente isso: encontrar diferenças de opinião e ver que para um, o mesmo objeto pode ser visto de diferentes formas.

Abraço!

Responder
Nois Critica Mermo 27 de junho de 2017 - 14:53

Luiz, pra essa teoria de que não existe certo ou errado eu parto do pressuposto da subjetividade. Você veja que é comum o público e a crítica discordarem na avaliação de muitas obras. Então, quem está errado nessa história, a crítica ou público? Nenhum deles. É aí aonde eu quero chegar. O fato de parte do público não gostar de uma obra complexa e muitas vezes bizarra, não significa exatamente falta de conhecimento sobre o audiovisual, é uma questão realmente de gosto, da mesma maneira que o fato da maioria da crítica aclamar uma obra não fazer com que a sua qualidade seja inquestionável. Isso porque existe muita gente que acha que cinema e TV são um tipo de arte, outros que acham que são um tipo de entretenimento. É lógico que existe um conceito pré estabelecido em relação ao que é uma boa direção, o que é um bom roteiro, etc. E quando uma obra faz referência à esse conceito do bom, você precisa reconhecer a sua qualidade. Agora, se ela está atendendo ou não aos seus gostos, aí é outra história, e você não pode impor esses gostos pessoais à definição do que é bom ou ruim. É isso que eu quero dizer, entendeu?

Muita gente defende a evolução da TV e do cinema através da quebra do entretenimento. Já eu defendo a evolução através da manutenção do entretenimento (unindo a experiência à tramas dinâmicas e bem amarradas). Pra mim, a TV e o cinema são entretenimento, e qualquer coisa que foge disso, não faz muito sentido. A série Fargo é um bom exemplo atual de produção de qualidade pra TV que conseguiu uma evolução sem abrir mão do entretenimento. Twin Peaks também fez isso nas suas primeiras temporadas, mas hoje segue o conceito inverso, de quebrar o entretenimento, e isso, sinceramente, não me agrada.

Abraço.

Responder
Luiz Santiago 27 de junho de 2017 - 15:11

Entendi o que você quis dizer, sim. Discordo de absolutamente todos os pontos, mas isso se deve às visões completamente opostas que temos sobre o que é arte, cinema e tv, a relação do público com a obra e o que é entretenimento.

Mas isso faz parte da diversidade de opiniões do mundo. É natural que aconteça. 😀
Abraço.

Responder
Stella 27 de junho de 2017 - 01:10

Que série é essa? to por fora tenho que ver.Essa imagem me atraiu porque me remeteu a Lara Croft: A origem da Vida, essa bola de cristal está idêntica kkkk
https://johnlinkmovies.files.wordpress.com/2015/02/lara-croft-tomb-raider-the-cradle-of-life-action-films-25540782-1067-800.jpg

Responder
Luiz Santiago 27 de junho de 2017 - 06:17

Gente, o #BERRO que eu dei foi ouvido lá o Paquistão!

@disqus_9KZLz8G0wg:disqus, Twin Peaks é uma série lá dos anos 90, do David Lynch e do Mark Frost. Ela foi cancelada na 2ª Temporada (1991) e voltou agora, em 2017, para uma terceira (e a o que tudo indica, final) temporada, com os mesmos criadores e com boa parte do elenco original. É uma série de investigação + surrealismo + dadaísmo + bizarrices + aliens + meditação transcendental + misticismo + simbologias. Não é pra qualquer um não, especialmente essa temporada. Mas COM CERTEZA tu vai gostar da 1ª Temporada e, como quase todo fã da série, da primeira e última parte da 2ª Temporada. Vale a pena conferir. Já essa 3ª Temporada, não dá pra definir agora. É muita loucura e não temos todas as peças do quebra-cabeça ainda.

Responder
Stella 27 de junho de 2017 - 09:07

kkkkkkk adorei as informações, caramba essa série promete então. Me lasquei terei que maratonar.
”#BERRO que eu dei foi ouvido lá o Paquistão!” amei isso vou adotar kkkkkkkkkkkk

Responder
Luiz Santiago 27 de junho de 2017 - 10:10

HAHAHHAHHAHAHHAAHA sinta-se à vontade! 😀

Oh, yeah. Vale muito a pena conhecer. Se você gosta do clima de séries dos anos 90, então, vai adorar!

Responder
Agy Campos 26 de junho de 2017 - 22:39

Se o episódio se propôs a explicar a forma como a separação entre nossa dimensão e outras dimensões foi literalmente rasgada pelo teste da bomba atômica – e isto você descreveu bem – o que mais podemos esperar? Literalmente temos o Big Bang deste portal. Na minha opinião, o episódio é didático e comovente. Lindo!

Responder
Luiz Santiago 26 de junho de 2017 - 22:45

É lindo mesmo. A forma como o diretor escolheu para mostrar isso é algo que ninguém faz ou tem coragem de fazer na TV. Meu lamento é mesmo esse desapego narrativo em relação ao todo, mas sei que esta é uma característica negativa que não incomoda a todos os espectadores.

Responder
Fabio Menezes 26 de junho de 2017 - 21:51

Eu, inocente, comecei a assistir a série pensando que seria como as duas primeiras temporadas. No terceiro episódio comecei a digerir a nova fase. No episódio 7 pensei: Agora vai! Fui enganado! Mas mesmo um pouco incomodado com a falta de narrativa (no geral), esse episódio 8 me fascinou.

Responder
Luiz Santiago 26 de junho de 2017 - 22:27

Esse meme resume o seu sentimento, o meu, o de todos nós! 😀

Mas sim, concordo com você, o episódio funcionou. Não plentamente, como na Parte 7, mas foi muito, muito bacana o que os criadores trouxeram aqui.

Essa sensação, no entanto, não sai de nós:

https://uploads.disquscdn.com/images/6de9acf552df0268118c5f904185925949d4f6d2cd835b1b58ec784fc6066f7e.png

Responder
Rafael Bianchi 26 de junho de 2017 - 21:10

Achei um episodio bonito visualmente mas realmente dificil em relaçao aos outros. Vamos acompanhando para ver o que acontece. Ate porque ainda estamos quase na metade da jornada.

Responder
Luiz Santiago 26 de junho de 2017 - 21:49

Pois é! Ainda tem muita coisa para acontecer. Acho que do meio para frente vai dar uma acelerada.

Responder
Cláudio 26 de junho de 2017 - 17:52

Cara, eu concordo com praticamente todos os pontos abordados no texto. É incrível como eu concordo com vcs em 90% dos textos e notas, kkkkkkkk.

Mas, quanto à falta de pistas narrativas, creio que quando Lynch disse que esse retorno é um filme de 18 partes, ele realmente estava falando sério.

Claro que devemos esperar o fim da série para ver a importância e conexão desse episódio com o todo.
Porém, eu confesso que o achei espetacular, e que me emocionei de verdade, mesmo com várias passagens indecifráveis. Não achei que Lynch superaria Império Dos Sonhos, mas creio que aqui temos o estilo “Lynchiano” em sua máxima.
Quero assistir de novo, e juntamente com as ótimas referências apresentadas no texto, fazer algumas anotações para poder conferir mais precisamente no decorrer dos capítulos. Mas, olha, tem que ter culhões para apresentar um episódio desses, mesmo na tv.

Responder
Luiz Santiago 26 de junho de 2017 - 19:48

@disqus_g7z2ZsSfe4:disqus, é bem isso mesmo, tem que ter colhões pra fazer um negócio desses. Admiro demais Lynch e Frost por nos trazerem isso. E eu concordo com você, eles não estavam de brincadeira com esse negócio do filme de 18 horas. Como eu coloquei no texto, acho que no todo, isso irá fazer sentido, irá compor bem todo o mistério. Mas aqui eu fiquei meio com o pé atrás. Mas eu consigo jogar o jogo dos criadores. Estou MUITO animado para o próximo capítulo, quero ver para onde tudo isso irá nos levar.

Responder
jv bcb 26 de junho de 2017 - 17:50

Meu episódio favorito da temporada até agora. Não acho que seja solto e desconexo, não é o primeiro episódio insano da temporada, esse foi apenas um pouco mais doido que os primeiros episódios deste ano, mas ao meu ver foi ainda mais eficiente, pois nos dá uma base da origem de boa parte da mitologia da série, dando coesão ao universo. Foi um episódio bem sensorial, atmosférico, parecia Arvore da Vida, que é um dos meus favoritos. Parece desconexo e solto, mas ao meu ver não tem problema, sei que o objetivo da crítica é julgar o episódio em si, mas não é possível analisá-lo de maneira isolada, pois o mesmo é só uma parte de todo o quebra cabeça.
Quem você acha que é aquela menina que engole o inseto, A mãe da Laura?
Aquele inseto é mesmo o BOB? Eu entendi que aquele ovo era a bola de luz que a mulher tinha segurado, que tinha o rosto da Laura, porque seria o BOB?
Você chamou essa mulher de Señorita Dido, ela já apareceu antes na série?

Responder
Luiz Santiago 26 de junho de 2017 - 19:45

Como eu não gosto tanto assim de A Árvore da Vida, imagina para onde foi a coisa toda, né. A peça isolada me pareceu quase gratuita para falar a verdade. Não vi problemas internos. A questão é, como eu coloquei no texto, esse desprendimento todo no montante da série. Deu até tontura hahahahaah.

As datas não combinam muito, porque a Sarah Palmer deveria ter o quê… 11 anos em 1956, e aquela garota não tinha cara de 11 anos. Mas seria uma possibilidade.

Sim sim, para mim, o inseto bizarro é o BOB. Aquela criatura expeliu vários ovos e um deles era BOB. E o inseto nasce de um ovo. Pelo que entendi, a gente ainda não viu a bola do Gigante e da Señorita Dido cair na Terra. Eu acho que ela só vai cair mesmo quando Sarah Palmer estiver no momento da concepção da Laura.

O nome da personagem é Señorita Dido mesmo, está nos créditos do episódio (ela é interpretada pela Joy Nash), mas é uma personagem nova. Não apareceu antes na série não.

Responder
jv bcb 26 de junho de 2017 - 21:34

obrigado pelos esclarecimentos.
Sobre a Sarah Palmer, aquela menina poderia ter uns 15, a Laura deve ter nascido mais ou menos em 73, a Sarah pode ter tido ela com 32 anos, logo ela teria uns 49 na série clássica, a atriz tinha essa idade em 1990, logo poderia fazer sentido.

Responder
Luiz Santiago 26 de junho de 2017 - 21:54

Eu estava tomando como base a idade da Sarah como se tivesse nascido em 1945, que é uma indicação antiga, já. Agora é esperar para ver se teremos uma mudança nisso. Aqui, o Lynch está, de alguma forma, consertando coisas também, então se for o caso, é possível que ele defina de vez essa parte.

Responder
fellipekyle 8 de julho de 2017 - 03:20

eu vim aqui justamente falar isso, achei os atores “mirins” com características semelhantes ao de Leland e Sarah Palmer, e faria todo o sentido essa conexão, visto que a Sarah era a única que tinha visões envolvendo o Bob. Se for, vai ser genial. Adorei o episódio.

Luiz Santiago 8 de julho de 2017 - 08:29

Aos poucos essa sopa de referências vai começando a fazer sentido…

Neto Ribeiro 26 de junho de 2017 - 17:39

Eu também gostaria bastante que nos próximos 10 episódios, toda essa insanidade se relacionasse diretamente à elementos não respondidos da série original. A sequência da explosão em diante me lembrou bastante o final de 2001, aliás.

Eu acho que Lynch tá aproveitando pra fazer o trabalho de sua vida. Tudo que ele queria fazer na série original e não pode, ele está fazendo aqui. Agora gostaria de saber até que ponto esse surrealismo extremo é válido. E o que você falou nas últimas linhas é justamente o que acontece comigo: não tô entendendo nada mas tô amando haha

Responder
Luiz Santiago 26 de junho de 2017 - 19:36

Acho que é por aí mesmo, viu, @disqus_M9BMhMI2Yi:disqus. O Lynch está completamente solto aqui, aplicando coisas que já tinha dado a entender que queria fazer. É bem característico que essa loucura toda apareça agora. Eu torço para que tudo isso seja bem amarrado no final!

Responder
Ranieri Marinho de Souza 26 de junho de 2017 - 17:21

Sinceramente, achei ao mesmo tempo belo e chato. Me parece uma explicação tipo Deus Ex Machina.

Responder
Luiz Santiago 26 de junho de 2017 - 17:25

Consigo entender perfeitamente por quê você achou chato. Mas não vejo como uma explicação Deus Ex Machina não. Na verdade, bem longe disso. Acho bastante aprimorada a forma como se criou as forças desse Universo. Meu problema aqui é mais de ordem narrativa do que de conteúdo.

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