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Crítica | Ulisses: A Vingança do Guerreiro

A intrigante jornada desafiadora do astuto herói da Odisseia.

por Leonardo Campos
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O documentário Ulisses: A Vingança do Guerreiro, com duração de aproximadamente 45 minutos, apresenta uma análise acessível e envolvente da jornada do herói na obra clássica Odisseia, de Homero. Com um roteiro instigante elaborado por Christopher Cassel e Scott Miller, e animações criativas de Ben Spivak, o filme ilustra como a poesia homérica antecipa temáticas que se tornarão centrais nos evangelhos cristãos. A produção utiliza gráficos atrativos e uma trilha sonora cativante para envolver o público, ao mesmo tempo em que provoca reflexões sobre a identidade do herói, colocando a pergunta essencial: Quem foi Ulisses? O narrador sugere que este personagem representa uma parte de nós, simbolizando a necessidade humana de vivenciar desafios em nossa própria jornada. A narrativa do documentário contextualiza o poema atribuído ao poeta Homero, em uma época de expansão marítima grega, ressaltando sua relevância histórica e cultural. À medida que a trama se desenrola, ficam claras as experiências que moldam Ulisses como um personagem mitológico, refletindo as complexidades da condição humana. Essa análise não apenas ilumina o significado do poema homérico, mas também destaca a universalidade das lutas e triunfos do protagonista.

Ao conectar o herói ao nosso cotidiano, convida o espectador a se identificar com o herói e a considerar suas próprias jornadas e desafios. Assim, Ulisses: A Vingança do Guerreiro se torna uma rica exploração do mito e de sua influência duradoura na narrativa ocidental. No documentário, as artimanhas de Circe são exploradas como um elemento crucial na jornada do protagonista, revelando a importância da descida ao “inferno” para encontrar Tirésias. Essa busca é fundamental para que Ulisses possa obter as estratégias necessárias para derrotar Poseidon. O roteiro sugere uma fascinante conexão entre a trajetória de Ulisses e a de Cristo, destacando como Homero pode ter influenciado o Evangelho de Mateus. As similaridades são notáveis: ambos os personagens enfrentam sofrimentos em nome do coletivo, e suas jornadas incluem descidas ao submundo e a participação em banquetes que simbolizam desafios mortais, como as provações enfrentadas por Ulisses e Cristo. Tudo muito didático e elucidativo, além de envolvente enquanto entretenimento, algo que facilita a conexão com diversos públicos.

O documentário também investiga o episódio do encontro de Ulisses com as sereias, questionando se esses mitos podem ter raízes em fenómenos naturais. Pesquisas na Itália revelaram formações rochosas que atuam como megafones, produzindo sons altos, que poderiam ter influenciado a lenda das sereias. Além disso, as expressões sonoras de leões marinhos na região poderiam ter contribuído para essa conexão sonora, entrelaçando o real e o mítico. Assim, a produção não apenas analisa a narrativa homérica, mas também propõe uma reflexão sobre a interação entre a mitologia e elementos da natureza, enriquecendo a compreensão sobre a jornada de Ulisses e seu impacto duradouro na cultura ocidental.

Ulisses: A Vingança do Guerreiro se destaca pela sua abordagem inovadora, interligando pesquisas contemporâneas e questões atemporais da mitologia homérica. Ao examinar a postura estrategista de Penélope, que constrói e desconstrói uma colcha em um jogo de espera e astúcia, o filme ressalta a complexidade dos personagens que cercam Ulisses. Além disso, ele explora os desafios enfrentados pelo herói, como os redemoinhos de Silas e a temível lula gigante, que personificam os perigos que permeiam sua jornada. A passagem pela Ilha de Calipso é outro ponto crucial, onde Ulisses demonstra sua astúcia e intelectualidade, habilidades indispensáveis para superar as dificuldades que se apresentam em seu caminho.

Com uma narrativa dinâmica e envolvente, a produção nos proporciona, como já mencionado, uma experiência tanto de entretenimento quanto educativa, levando o espectador a refletir sobre os vastos desdobramentos da mitologia clássica nas sociedades ocidentais e suas implicações atuais. Mantendo o nível do anterior Ulisses: A Maldição dos Mares, há no documentário a mesma eficácia em conectar o passado mitológico com interpretações e descobertas modernas. É uma narrativa acessível, que apenas encanta pela sua estética e conteúdo, mas também instiga o público a reavaliar a relevância dos mitos em nossas vidas contemporâneas. Sua jornada de retorno a Ítaca não é apenas uma simples viagem de volta para casa, mas uma rica pavimentação de caminhos repletos de aventuras que revelam características fundamentais da condição humana. O herói se destaca como um modelo de humanidade, exemplificando tanto a astúcia quanto a resiliência, virtudes que o tornam não apenas um guerreiro mítico, mas um reflexo dos desafios enfrentados pelo ser humano em sua busca por identidade e pertença.

Importante observar que desde o início da Odisseia, ele é apresentado como um homem astuto. Sua inteligência é manifestada em diversos episódios, sendo o mais emblemático o famoso estratagema do Cavalo de Tróia, que ilustra seu talento em manipular situações a seu favor. Ao longo de sua jornada, Ulisses enfrenta criaturas fantásticas, como os ciclopes e as sereias, e cada desafio exigiu dele não apenas força física, mas principalmente um pensamento rápido e criativo. Sua habilidade de pensar fora da caixa e de enganar seus oponentes quando necessário revela que a astúcia é uma ferramenta vital para a sobrevivência e o triunfo. Em um mundo repleto de perigos, a sabedoria e a habilidade de se adaptar às circunstâncias tornam-se essenciais. Outro aspecto vital do caráter de Ulisses é sua resiliência, tema viral na atualidade.

Os longos anos errantes, após a guerra de Tróia, colocam Ulisses diante de provações que testam não apenas sua força e inteligência, mas também seu espírito. Ele enfrenta a solidão, a tentação e a dúvida, sempre mantendo viva a esperança de retornar a Ítaca e reencontrar sua amada Penélope e seu filho Telêmaco. Cada obstáculo, seja o confronto com as forças da natureza ou as artimanhas de deuses e semideuses, serve para enfatizar seu compromisso inabalável com seus objetivos. A resiliência de Ulisses ensina que a perseverança e a fé em si mesmo são tão cruciais quanto a astúcia no caminho para a superação. Além de suas habilidades individuais, Ulisses também personifica a importância da comunidade e das relações humanas.

Ao longo de sua jornada, ele não atua isoladamente; ao contrário, muitas vezes depende da ajuda e da lealdade dos outros. Sua relação com seus companheiros é complexa e, em diversas ocasiões, suas decisões têm consequências diretas sobre a vida dos que o acompanham. Esse aspecto ressalta a ideia de que a verdadeira postura heroica não reside apenas em conquistas pessoais, mas também na capacidade de inspirar e liderar os outros. Ulisses demonstra que, mesmo nos momentos mais sombrios, o apoio mútuo e a amizade são fundamentais para enfrentar adversidades. A viagem de Ulisses, didaticamente apresentada no documentário, portanto, é emblemática das lutas humanas que chamamos de “universais”. A história de sua busca por casa não é apenas uma narrativa de aventuras épicas, mas uma alegoria da vida humana, repleta de desafios e decisões a serem tomadas. O protagonista da poesia homérica encarna a luta pela sobrevivência e pelo amor, o desejo de encontrar um lar e a busca constante por conhecimento e crescimento pessoal. Seus desafios refletem as provações enfrentadas por cada um de nós, ao longo de nossas próprias “odisseias”.

Ulisses: A Maldição dos Mares (Clash of Gods/Estados Unidos, 2009)
Direção: Christopher Cassel, Jessica Conway
Roteiro: Christopher Cassel, Jessica Conway
Elenco: Stan Bernard, Greg Ford, Tracey-Anne Cooper, John Rennie, Scott A. Mellor, Michael Drout
Duração: 45 min.

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