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Crítica | Ultraman (2020) – Vol. 1: A Ascensão de Ultraman

por Ritter Fan
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Desde que Ultra Q lançou a “franquia Ultra” em janeiro de 1966, o mundo do entretenimento já viu uma infinidade de variações do super-herói espacial japonês e outra infinidade de monstros que ele enfrentou e ainda enfrenta. Conciliar isso tudo em uma nova HQ da Marvel Comics de maneira coesa, que conseguisse atrair novos leitores e ao mesmo tempo sem trair o que veio antes era uma tarefa impossível, mas, surpreendentemente, Kyle Higgins e Mat Groom até que estabeleceram uma ordem ao caos, começando de maneira até modesta o que pode ser chamado de um reboot em quadrinhos da franquia.

O primeiro volume da HQ, que ganhou o apropriado título The Rise of Ultraman (ou, em tradução direta, A Ascensão de Ultraman) é, sem tirar nem por, uma história de origem que traz para o presente – especificamente 2020 – a fusão de Shin Hayata com um ” guerreiro Ultra” vindo do espaço para lidar com a ameaça kaiju na Terra. Trata-se do mesmo Shin Hayata que, em 1966, fez a mesma coisa na televisão, uma escolha que talvez possa afastar fãs de longa data, mas que faz absolutamente todo sentido e que funciona melhor do que ele ser o “descendente” do Hayata original como é o caso da recente animação do Netflix. O Hayata apresentado aqui é apenas um candidato a cadete da United Science Patrol (USP), entidade multinacional secreta organizada para lidar com os monstros que aparecem vez ou outra por aqui, que já fora rejeitado antes, diferente de sua amiga Kiki Fuji, uma efetiva cadete.

Com isso, o Shin da HQ está ainda do lado de fora da USP, ainda que ele saiba da existência da organização e dos monstros que são eliminados por intermédio do uso do misterioso raio-K. Esse é, na verdade, o MacGuffin que serve de objeto a ser perseguido por Shin e Kiki em suas investigações sobre a USP depois que uma segunda nave com um guerreiro Ultra é abatida, levando à já mencionada fusão do alienígena com Shin, algo que é amarrado com a primeira página da primeira edição da HQ que revela que, em 1966, uma outra nave teria colidido com um avião do agente Dan Moroboshi, matando-o e tornando-o um mártir e símbolo de dedicação.

Dessa forma, para quem conhece a mitologia da série Ultra, o roteiro consegue reunir de maneira eficiente os eventos clássicos da década de 60, com o surgimento do Ultraseven, e o Ultraman moderno que, claro, faz referência direta ao Ultraman de 1966 não só com a manutenção do uniforme original, como também tendo o gigantesco lagarto Bemular como seu primeiro kaiju, exatamente como na série. Além disso, em uma interessante história secundária contida apenas na edição #1, há uma amarração extra justamente com a organização Ultra Q, uma das antecessoras da atual USP, resultando em uma mistura de conceitos e de entidades que dá os contornos de um universo muito mais amplo que, claro, não é explorado por completo neste primeiro arco.

Afinal, em apenas cinco edições, não há espaço para muito e os roteiristas, cientes disso, mantêm seu foco no raio-K e no real efeito que ele tem sobre os kaijus, de maneira que, ao final de A Ascensão de Ultraman, o status quo seja razoavelmente parecido com o começo da série de TV original de Ultraman, mas com uma contextualização bem mais interessante e complexa. E isso sem contar que há pontas soltas o suficiente – inclusive uma aparição misteriosa ao final – para que haja desdobramentos amplos em arcos futuros.

A arte, que ficou por conta de Francesco Manna, que usa uma lousa digital, tenta fazer o máximo para não só prestar homenagens aos personagens clássicos, inclusive Bemular, que mantém sua aparência desengonçada, como também para dar uma roupagem de mangá à HQ, mas sem os exageros físicos do estilo japonês de quadrinhos. O artista, com isso, consegue alcançar um bom equilíbrio entre o antigo e o moderno, além de conseguir trabalhar os espaços de maneira que o texto talvez um pouco carregado de Higgins e Groom não atrapalhe muito os momentos de ação que bebem copiosamente na série de TV original e de algumas seguintes.

É bacana ver a Marvel Comics mergulhar em licenças de franquias variadas, algo raríssimo nos dias atuais. A Ascensão de Ultraman é um bom começo para uma saga que promete e que, de quebra, pode muito facilmente trazer diversos outros “Ultras” famosos das séries mais antigas em uma contínua construção de universo. Quem sabe um dia não vemos o Spectreman ganhando uma versão moderna em quadrinhos também?

Ultraman (2020) – Vol. 1: A Ascensão de Ultraman (Ultraman – Vol. 1: A Ascensão de Ultraman, EUA, 2020/21)
Contendo: Ultraman: The Rise of Ultraman #1 a 5
Roteiro: Kyle Higgins, Mat Groom
Arte: Francesco Manna
Cores: Espen Grundetjern
Letras: Ariana Maher
Editoria: Martin Biro, Alanna Smith, Tom Brevoort, C.B. Cebulski
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: setembro de 2020 a janeiro de 2021
Páginas: 132

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