Número de temporadas: 1
Número de episódios: 52
Período de exibição: 07 de setembro de 1996 a 30 de agosto de 1997.
Há continuação ou reboot?: Sim. Foi precedida por 10 outras séries e foi sucedida por dezenas de outras séries nas décadas seguintes, até hoje em dia.
XXXXXXXXX
Foram 14 anos entre a primeira série Ultraman e Ultraman 80, com sete séries live-action nesse período, descontando Ultra Q, que não tem o super-herói e incluindo o intervalo longo de seis anos entre a Ultraman Leo e a última. Depois, Ultraman ficou sem uma série padrão produzida no Japão por inacreditáveis 15 anos, ainda que, nesse intervalo, o personagem tenha ganhado animações, minisséries, filmes e até mesmos duas séries faladas em inglês, a nipo-australiana Ultraman Great e a nipo-americana Ultraman Powered. Foram várias as razões para esse hiato, incluindo questões econômicas do Japão e de popularidade dos tokusatsu, mas o retorno do super-herói com Ultraman Tiga em 07 de setembro de 1996 marcou o começo da Era Heisei da série e acabou com as saudades do personagem que passou a ter séries quase todos os anos até os dias de hoje.
Para todos os efeitos – e levando em conta apenas o piloto A Herança da Luz, claro – a nova série é um reboot completo da franquia, sem qualquer continuidade em relação às anteriores e apresentando, pela primeira vez, uma versão do personagem que tem mais de um modo de combate (três logo de uma vez, todos com uniformes muito estilosos, especialmente o principal), além de inaugurar o uso de cores diferentes de prateado e vermelho. Apesar de valores de produção mais elevados e caprichado, com bom uso da tecnologia da época em que foi produzida, a série não arriscou demais em termos narrativos e não fez quase modificação alguma na história de origem do protagonista. O padrão continua: um herói de uma força tarefa anti-monstros que está prestes a morrer (no caso Daigo Madoka, vivido por Hiroshi Nagano) tem sua “alma” unida ao de um ser alienígena poderoso que, depois de meia dúzia de tabefes, toca um alarme sonoro e luminoso em seu peito dizendo que ele tem que acabar logo de brigar para poder recarregar as baterias.
Escrevo jocosamente, mas confesso que me incomodou de verdade a natureza de reboot não ser aproveitada para realmente recriar os alicerces do personagem. Obviamente que eu entendo que jogar seguro é sempre mais… hummm… seguro e mudar muito pode levar as pessoas a não reconhecerem seu amado personagem na nova versão, mas acho que não custava ir além de detalhes insignificantes como uma pirâmide de luz com três estátuas Ultra, uma historinha mequetrefe sobre civilizações milhões de anos antes da nossa que foram atacadas por monstros e defendidas por Ultraman Tiga e um providencial meteoro artificial com uma mensagem holográfica que explica tudo detalhadamente para nós e para os membros da GUTS, Esquadrão-Tarefa Global Ilimitado, que é a força “policial” que passa a ficar encarregada das novas ameaças em um planeta Terra do começo do século XXI que está próximo da paz global.
Se a história é a mesma coisa mais uma vez, só que com uma pretensa “nova” roupagem, pelo menos o design de produção merece destaque, com um bom uso da computação gráfica disponível na época ampliando os cenários tecnológicos da GUTS e, principalmente, com o desenvolvimento de monstros (no bom e velho estilo de humanos vestindo roupas de borracha) muito bem feitos. No caso específico, essas ameaças que surgem do nada são Golza, que vem da Mongólia, e Melba, que vem da Ilha de Páscoa, o primeiro terrestre e o segundo alado, ambos vistosos e até mesmo bonitos, ainda que as sequências de voo de Melba deixem muito a desejar. A breve pancadaria – afinal, grande parte do episódio tem que dar conta da história de origem – é também eficiente, ainda que o roteiro não faça esforço algum para explicar a lógica das modificações de uniforme de Tiga em plena luta, até porque, do segundo para o terceiro, já com a lampadinha piscado, nada muda e ele continua tendo que encerrar tudo logo antes de ficar fraco demais. Não duvido que explicações venham em episódios futuros, mas, considerando que estamos falando de um capítulo inicial, teria sido interessante que pelo menos uma ou duas pistas fossem plantadas aqui para serem desenvolvidas posteriormente.
Seja como for, Ultraman Tiga é um bom retorno da franquia à sua casa e estilo originais que não se afasta muito do que já existia antes, mas oferece novidades suficientes para atrair uma nova geração de espectadores. A prova de que a estratégia deu certo está na existência de cinco longas-metragens com Tiga e o fato de que, como dito no começo da presente crítica, de 1996 até hoje (estamos falando basicamente de 30 anos!), nenhum ano se passou sem uma nova série da franquia. Nada mal para um personagem que permaneceu quase inteiramente dormente por 15 anos, tempo suficiente para esfriar interesses e fazer com que boa parte dos espectadores originais crescesse e se afastasse desse tipo de produção.
Ultraman Tiga – 1X01: A Herança da Luz (ウルトラマンティガ, Urutoraman Tiga – Japão, 07 de setembro de 1996)
Direção: Shingo Matsubara
Roteiro: Masakazu Migita
Elenco: Hiroshi Nagano, Takami Yoshimoto, Mio Takaki, Akitoshi Ohtaki, Yukio Masuda, Shigeki Kagemaru
Duração: 25 min.
