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Crítica | Um Amor de Múmia

por Roberto Honorato
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Quando menciono os filmes originais do Disney Channel, muitos provavelmente estão pensando em High School Musical, Camp Rock, ou qualquer coisa representada em pôsteres nas paredes de toda adolescente apaixonada por Zac Efron na década retrasada (nossa, já faz tanto tempo). Mas as produções do estúdio feitas direto para a TV possuem um longo histórico, antes mesmo de Vanessa Hudgens revelar todo seu talento se escorando nas paredes de um colégio abandonado, e o estúdio teve algumas produções menos aclamadas, mas outras completamente ignoradas, como é o caso de Um Amor de Múmia (Under Wraps, no original).

Com uma premissa tão simples quanto a resolução do terceiro ato da maioria dessas DCOMs (Disney Channel Original Movies, como os fãs chamam os filmes originais do canal, carinhosamente), Um Amor de Múmia apresenta três amigos descobrindo que há um sarcófago escondido no porão do vizinho que acabou de morrer. Depois de acidentalmente acordar uma múmia milenar, Marshall, Gilbert e Amy precisam correr contra o tempo e devolvê-la para o túmulo antes da meia-noite de Halloween; caso contrário, a múmia será reduzida à poeira e pode perder a chance de se reencontrar com um antigo amor perdido.

E com uma proposta de enredo que faria Charlie Kaufman orgulhoso, devo admitir que esse filme me surpreendeu em alguns aspectos, mais por conta de ser um filme da Disney do que qualquer coisa. A cena de abertura me deixou confuso por alguns minutos, porque mostra uma família jantando e uma das crianças xinga a irmã. Até aí tudo bem, é fácil relevar uma profanidade verbal simples como “vaca” em um filme da época, mas na sequência assistimos a família sendo vigiada por uma figura grotesca, quebrando a janela da casa e assustando o pai, que derruba uma faca afiada no triturador de comidas. Se aproveitando da faca, girando no triturador, de ponta para cima, a criatura puxa a cabeça do pai em direção à lâmina. E quando eu já estava começando a questionar se estava vendo uma produção do Disney Channel ou um longa da franquia Premonição, temos um corte e a revelação dos protagonistas de Um Amor de Múmia em uma sessão de cinema.

Mesmo sendo apenas a cena de um filme dentro do filme, o resto da aventura dos três amigos e a múmia atrapalhada também se distancia bastante do tom que logo seria estabelecido como o padrão das DCOMs. É esperado que a comédia abrace piadas mais bregas e romances melosos (não entenda errado, isso é um dos pontos altos, quando não é a melhor parte, de alguns dos filmes do estúdio), mas a primeira coisa a se notar aqui é a forma como alguns dos diálogos são carregados de comentários mais ácidos, e até certa conotação sexual, como quando Amy (Clara Bryant) evita falar com um colega de classe depois dele ter assistido um filme das irmãs Olsen duas vezes, ou uma piada recorrente envolvendo a informação de que a múmia é “celibatária”.

Mas muito foi dito sobre a sequência de abertura (deixei de mencionar suas tomadas surpreendentemente decentes, tentando emular Sam Raimi no começo de carreira), e nada sobre a estrela do filme, a adorável múmia Harold, interpretada pelo ainda mais adorável Bill Fagerbakke, dublador de Patrick Estrela na animação Bob Esponja. Tirando o fato dela ser apenas o típico mascote de aparência assustadora, mas bom coração, não há muito a ser dito sobre a personagem… talvez um elogio para o departamento de maquiagem, que fez um ótimo trabalho na prótese facial, mas isso não é um mérito da atuação.

Por falar em atuação, não espere algo do nível Troy Bolton berrando pelos corredores, como em High School Musical 3, ou a surreal sequência de dança em movimento de Camp Rock 2, que talvez tenha sido inspirada no filme Império dos Sonhos, de David Lynch, nunca vamos saber. A única personagem que mostrou carisma o suficiente para salvar algumas cenas foi Gilbert, de Adam Wylie, que parecia estar se divertindo bastante no papel, tendo que correr, ter as reações mais exageradas do grupo e tentar um pouco de comédia física.

Um Amor de Múmia é o começo estranho e sem muito brilho das produções originais do canal Disney Channel, que logo seria o lar de alguns clássicos da geração passada (nossa, quantos anos se passaram?). Um remake já foi confirmado pelo estúdio, e com a chegada de serviços de streaming como Disney+, seria uma despedida apropriada terminar essa era com o filme que a introduziu.

Um Amor de Múmia (Under Wraps | EUA, 1997)
Direção: Greg Beeman
Roteiro: Don Rhymer
Elenco: Adam Wylie, Mario Yedidia, Clara Bryant, Ken Hudson Campbell, Corinne Bohrer, Ramesses Nightingale, Penny Peyser, Ed Lauter, Bill Fagerbakke, Tom Virtue, Nakia Burrise, Velina Brown, Robert Bailey Jr.
Duração: 95 minutos

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