Crítica | Um Clarim ao Longe

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Um Clarim ao Longe (1964), western elencando a cavalaria americana e ambientado na reta final dos conflitos territoriais indígenas, foi o 138º e último filme assinado pelo diretor Raoul Walsh. Baseado na icônica obra Paul Horgan, o texto se passa no início dos anos 1880, no Fort Delivery e suas proximidades geográficas, tendo apenas duas sequências em lugares afastados do ‘oeste selvagem’. Recém-formado em West Point, o 2º Tenente Matthew Hazard (Troy Donahue) é destacado para o Fort Delivery e o filme, de uma maneira bastante simbólica, mostra os desafios de se viver e trabalhar em um lugar onde cada dia traz uma batalha pela vida.

O roteiro aqui não poderia ser mais propício para um canto do cisne, a começar pela marca de acerto de contas com uma etnia, algo que o enredo no traz e que Walsh abraçou de muitíssimo bom grado, fazendo valer com muita beleza na tela cada indicação disso. Como era filho de uma Era cinematográfica onde os westerns retratavam os índios majoritariamente como inimigos e nada mais, Walsh via agora uma oportunidade de mostrar uma outra visão, premissa vinda também pela mudança dos tempos e revisão de valores do gênero no país, afinal de contas, era o ano de 1964 e historicamente já estavam no pós-Western Clássico, com suas temáticas de decadência e filmes crepusculares.

Temáticas transversais como um velho, influente e habilidoso militar a menos de um ano de sua aposentadoria; uma última missão em campo e a oportunidade de passar o bastão, ensinando um jovem prodígio + o acordo de paz feito com uma nação indígena, evitando uma guerra, são exemplos de visões de vida que o diretor nos traz aqui, sempre usando as deixas do roteiro para mostrar o lado daquele novato que aprende e do  veterano cheio de truques práticos e políticos, como se fossem duas distintas escolas militares, uma entrando em cena e outra se despedindo. Como disse antes, Walsh realmente escolheu bem o filme que finalizaria a sua carreira e fez uso de todos os indicativos visuais e dramáticos sobre o legado de um homem, criando uma história acima de tudo pacificadora, destino conquistado a duras penas, como bem sabemos ser a realidade.

As filmagens no Red Rock State Park, no Novo México, trazem cenas de batalha absolutamente fascinantes, sendo este um dos grandes destaques do filme. No meio do caminho, o espectador deve se deparar e se incomodar com a má escalação de Troy Donahue para o papel central, assim como os caminhos amorosos em torno dele, com duas mulheres de comportamento e origens distintas. Suzanne PleshetteDiane McBain estão bem em seus papéis, certamente melhores que seu par amoroso em comum, mas o texto romântico que as envolve parece destoar a cada vez que aparece na obra. Como o roteiro investe em uma jornada cotidiana de aprimoramento de militares despreparados e uso dessa disciplina para lidar com uma ameaça cada vez mais próxima, toda vez que se dá o corte para a vida íntima do Tenente protagonista o filme muda de figura.

Para a nossa sorte, a parte que realmente importa aqui está mostrada de maneira exemplar, com todo o destaque para as excelentes cenas de ação, para a escolha do diretor em usar a língua indígena em diversas ocasiões na fita e para a maneira sempre muito instigante de manter ativo o nosso interesse para essa espécie de diário ameaçador e da vida no Forte, sob uma fotografia que destaca fortemente a tonalidade do solo ou das formações rochosas onde as filmagens ocorre, criando uma grande imersão desses personagens no ambiente, serviço finalizado pela trilha sonora quase onipresente de Max Steiner, cujo último western havia sido A Árvore dos Enforcados (1959). Um Clarim ao Longe é, em tudo, um filme de despedida. Um adeus belo e relevante de Raoul Walsh.

Um Clarim ao Longe (A Distant Trumpet) — EUA, 1964
Direção: Raoul Walsh
Roteiro: John Twist, Richard Fielder, Albert Beich (baseado na obra de Paul Horgan)
Elenco: Troy Donahue, Suzanne Pleshette, Diane McBain, James Gregory, William Reynolds, Claude Akins, Kent Smith, Judson Pratt, Bartlett Robinson, Bobby Bare, Larry Ward, Richard X. Slattery, Mary Patton, Russell Johnson, Lane Bradford, Bill Zuckert
Duração: 117 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.