Crítica | Um Dia Negro (1971)

Dia Negro (1971) foi o terceiro longa-metragem do diretor Luigi Bazzoni, e seu primeiro giallo. Do ponto de vista puramente narrativo, o roteiro, que foi escrito pelo diretor ao lado de Mario Fanelli e Mario di Nardo, baseado em um romance do escocês David McDonald Devine publicado em 1961, acompanha de maneira direta a vida de um jornalista alcoólatra (Andrea Bild, muito bem interpretado por Franco Nero) que vê diversas mortes acontecendo ao seu redor e estranhamente com ele por perto, o que o coloca sob um olhar vigilante da polícia.

Dia Negro (1971) foi o terceiro longa-metragem do diretor Luigi Bazzoni, e seu primeiro giallo. Do ponto de vista puramente narrativo, o roteiro, que foi escrito pelo diretor ao lado de Mario Fanelli e Mario di Nardo, baseado em um romance do escocês David McDonald Devine publicado em 1961, acompanha de maneira direta a vida de um jornalista alcoólatra (Andrea Bild, muito bem interpretado por Franco Nero) que vê diversas mortes acontecendo ao seu redor e estranhamente com ele por perto, o que o coloca sob um olhar vigilante da polícia.

Visualmente, este Giornata Nera Per L’ariete não deve nada ao excelente Os Passos, giallo posterior e último longa de ficção do cineasta. Com Vittorio Storaro na direção de fotografia aqui, temos uma ambientação caprichada, destacando sempre a surpresa do olhar para fora, para um outro espaço onde uma “novidade” tem lugar. Notem como indivíduos olhando pelas janelas e a câmera praticamente se escondendo entre um cômodo e outro, espiando quase disfarçadamente o que ali ocorre, são coisas que atravessam o filme inteiro, o que torna o drama desses personagens bem mais integrado com o seu macrocosmo, condição generalizada que faz com que alguns deixem de ser progressivamente interessantes, já que não recebem tanta atenção do roteiro.

Franco Nero assume de maneira interessante esse seu personagem meio hitchcockiano, na esteira do “falso acusado”. Embora não seja exatamente esse o grande dilema aqui, há uma semelhança com o tipo de linha objetiva que vemos nos filmes do Mestre do Suspense, com o que temos nessa história, somando, claro, as particularidades do giallo. Já comentei sobre o trabalho escrupuloso de Storaro na fotografia, e essa forma como os personagens são filmados destaca-os de maneira curiosa, estranha, como se fossem intrusos em um drama completamente oculto do espectador. E de fato passa algum tempo até que a gente comece a encaixar bem as peças e veja uma motivação mais clara, o que torna a narrativa tensa e faz com que o assassino esteja o tempo inteiro presente, stalkeando as vítimas, fazendo joguinhos com elas, assustando-as consideravelmente antes de matá-las.

Os temas de Ennio Morricone na trilha sonora também criam uma sensação de estranheza (positiva), às vezes tornando ações simples do cotidiano em algo macabro, como se fosse um ensaio para uma ação trágica logo na cena seguinte, linha de abordagem visual e auditiva que nos faz lembrar bastante o estilo de Dario Argento dirigir e manipular música, especialmente nos longas da Trilogia dos Bichos. Quanto mais suspeitas são levantadas em torno do jornalista, mais convencido o espectador fica de que ele é inocente, e esse me parece ser o jogo do diretor aqui, fazer-nos perceber a estratégia de desvio de atenção quando na verdade ele está traçando um caminho bem diferente de exploração psicológica, emocional e moral do personagem, do fato de ele ser um alcoólatra e agressor de mulher até o fato de ser alguém comprometido com o seu trabalho e, não fugindo ao impulso dos mocinhos galãs nos gialli, ter uma grande habilidade como detetive amador.

A formulação do ato final, com o cerco e captura do assassino, só chega a ser (imensamente, devo dizer) interessante através da imagem. No texto, encontramos muitas reticências e um pouco de confusão na hora de cruzar dados do início do filme com esse momento final. Mesmo tendo uma apresentação mais didática — e não falo isso de forma negativa –, a resolução sofre porque herda uma construção aberta demais para conseguir atribuir tudo a ela no desfecho, e mesmo que o enredo seja simples, o ritmo geral da fita sugere algo mais encorpado, mais relevante ou até mesmo impactante do que aquilo que temos de fato. Não chega a ser ruim, mas é um pouco decepcionante.

Um Dia Negro mantém o olhar acurado de Luigi Bazzoni para intrigas em um cenário imponente e sob um encadeamento ágil das coisas. Sua forma peculiar de olhar os assassinatos, a bela fotografia, jogo de luz e sombra e jogo de “gato e rato”, levado a cabo pelo assassino, garantem bons momentos ao longo do filme, mesmo não sustentando essa boa jornada na forma como a obra se encerra.

Um Dia Negro (Giornata Nera Per L’ariete) — Itália, 1971
Direção: Luigi Bazzoni
Roteiro: Luigi Bazzoni, Mario Fanelli, Mario di Nardo (baseado na obra de David McDonald Devine)
Elenco: Franco Nero, Silvia Monti, Wolfgang Preiss, Ira von Fürstenberg, Edmund Purdom, Rossella Falk, Renato Romano, Guido Alberti, Luciano Bartoli, Agostina Belli, Corrado Gaipa, Andrea Scotti, Luigi Antonio Guerra, Irio Fantini, Maurizio Bonuglia, Pamela Tiffin
Duração: 92 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.