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Crítica | Velozes e Furiosos 8

por Guilherme Coral
331 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 2,5

Obs: Leiam, aqui, as críticas de todos os filmes da franquia.

A trajetória da cinessérie Velozes e Furiosos ao longo desses anos é algo bastante peculiar. O que começou como apenas mais um filme de ação demorou a encontrar sua verdadeira linguagem, chegando a ter seu elenco alterado mais de uma vez, para, somente no quarto longa, reunir parte daqueles que compõem o quadro de Velozes e Furiosos 8. Embora tenha sido descoberto o “objetivo” da franquia, os filmes continuam, como Luiz Santiago bem disse em sua crítica de Operação Rio, “feitos para diversão alienada e só”. Esperar algo mais que isso dessa mais nova entrada da série, portanto, seria, no mínimo, ingenuidade. Evidente que isso não é desculpa para relevarmos seus pontos negativos.

A trama tem início em Havana, Cuba, onde, aparentemente, todas as mulheres usam shortinhos ou minissaias, exceto as “gringas”, é claro – já nos jogando na velha objetificação da mulher, além de colocar a de origem latina como nada mais que um pedaço de carne. Nesse meio encontramos Dominic Toretto (Vin Diesel) e Letty (Michelle Rodriguez), vivendo suas vidas alegremente até que a ciberterrorista, Cipher (Charlize Theron), decide recrutar Dom para seu lado. Forçado a trair sua equipe, sem dizer a eles o motivo, ele precisa seguir as orientações de Cipher, enquanto Hobbs (Dwayne Johnson), Tej (Ludacris), Letty e outros de sua antiga equipe o perseguem.

Velozes e Furiosos sempre se apoiou em altas galhofas para estabelecer suas cenas de ação, algo que preencheu a segunda metade dos anos 1990 e os 2000, vide obras como Triplo X e os 007 com Pierce Brosnan. Esse oitavo filme, contudo, atualiza as definições desses exageros, os colocando em um nível muito acima, a tal ponto que um submarino passa a perseguir carros no gelo. Estamos falando, porém, de uma franquia que não se leva tão a sério quanto Transformers, por exemplo, a intenção aqui é realmente fazer rir, como em uma comédia de absurdos. O verdadeiro problema da obra e, consequentemente, da franquia, não está aqui.

A pedra no sapato da cinessérie é ninguém menos que Vin Diesel, o homem que fora vendido como o astro radical na década anterior e que, desde então, se tornara praticamente uma relíquia, com sua carreira cinematográfica limitada basicamente a essa franquia e em sua participação em filmes no qual ele repete três palavras exclusivamente em uma ordem específica. Diesel e sua carisma negativa, aliada a sua única expressão facial, prejudica o longa-metragem por não conseguirmos nos relacionar sequer um pouco com o protagonista, tornando todas as sequências envolvendo ele, dentro da base móvel de Cipher, verdadeiras tragédias.

Felizmente, o que falta de carisma em Vin, sobra em Dwayne Johnson e Tyrese Gibson. O primeiro consegue, por mais incrível que pareça, nos fazer acreditar em todas as coisas que faz, unicamente pelo seu tamanho (tanto para cima quanto para os lados). Além disso, embora não seja um grande ator, suas expressões soam mais humanas e sinceras que a sobrancelha levantada de Diesel. Gibson, por sua vez, é o alívio cômico dentro de uma obra que, por si só, é um alívio cômico e, surpreendentemente, ele nos consegue fazer rir com sua atuação forçada, que traz gritos a cada segundo de projeção. Temos, também, é claro, o eterno Snake Plissken, Kurt Russell, com sua presença funcionando como uma aula para a novas gerações de como ser um astro de filme de ação, ainda que, no fim, ele seja o personagem que só fala.

Entramos, então, em outro dos sérios problemas de Velozes e Furiosos 8, a personagem de Charlize Theron, que não traz mais do que uma representação para lá de cliché de vilã. Para começar, todo seu plano mirabolante não faz o menor sentido – estamos falando de alguém que consegue hackear qualquer coisa e que conta com um pequeno exército a seu dispor, ela, portanto, não precisava de Dom para cumprir seus objetivos e sua justificativa simplesmente não funciona. Igualmente falando, temos a chantagem que ela utiliza para manter Toretto do seu lado, o que é agravado pela forma como ele sai dessa situação. Ele não poderia ter feito isso desde o início? O coup de grâce, porém, é o objetivo de Cipher em si, que não faz o menor sentido já que ela consegue simplesmente hackear tudo e poderia muito bem fazer um belo estrago sem necessitar de armas convencionais.

Mas, como dito anteriormente, estamos falando de um longa-metragem no qual devemos deixar o cérebro de lado e, nesse quesito, ele funciona quase que completamente. Algumas sequências de ação são exageradamente longas, o que prejudica a tensão e a imersão do espectador, felizmente, elas são diferenciadas entre si e, surpreendentemente, uma das melhores sequer conta com carros. Dito isso, estamos falando de uma exceção, já que a obra retorna às suas origens e mantém o foco evidente nos veículos nas suas cenas mais agitadas. Em determinados momentos a direção de F. Gary Gray cai no velho problema dos filmes de ação da atualidade, com sequências excessivamente picotadas e a irritante câmera tremida, dificultando nosso entendimento. Isso, todavia, não se mantém durante toda a projeção, ainda que na maior parte dela esteja presente.

Descerebrado, com um protagonista com carisma negativo e um roteiro repleto de furos, Velozes e Furiosos 8 ainda consegue nos divertir, em geral pelas gigantescas mentiras que preenchem a narrativa e os esforços do elenco de apoio que, todos, conseguem ser melhores que Vin Diesel. Se tudo o que você busca é o entretenimento puro então certamente encontrará isso aqui. Os problemas do longa, contudo, não podem ser deixados de lado, especialmente quando, mais de uma vez, nos vemos entediados pelo que ocorre em tela. Dito isso, a franquia continua como pura diversão alienada.

Velozes e Furiosos 8 (The Fate of the Furious) — EUA, 2017
Direção:
 F. Gary Gray
Roteiro: Chris Morgan (baseado nos personagens criados por Gary Scott Thompson)
Elenco: Vin Diesel, Jason Statham, Dwayne Johnson, Michelle Rodriguez, Tyrese Gibson,  Ludacris,  Charlize Theron, Kurt Russell,  Nathalie Emmanuel,  Luke Evans,  Elsa Pataky, Kristofer Hivju, Scott Eastwood
Duração: 136 min.

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30 comentários

SUPRAMATY 12 de maio de 2020 - 20:33

Esse ficou empatado com o +Velozes +Furiosos e Operação Rio em nível de cafonice. O 2Fast 2Furious é de mau gosto pela produção precária, e o Operação Rio é ridículo a representação que fizeram do Brasil quando claramente percebe que não chegaram perto. E a respeito de produção, aqui os efeitos são tão artificial, que os personagens Toretto e Letty andando lado a lado em seus carros numa rua cheia de lombadas e sem nenhuma movimentação conseguem conversar muito bem obrigado.
Em se tratando de atuação, Vin Diesel estava indo bem variando estilos mas quando voltou para essa franquia pedrificou em todos os sentidos, não existe atuação.
Charlize Theron concordo com todas as letras, ela simplesmente engatou um automático e ficou naquilo mesmo. E a personagem dela é puro merchandising -repare a roupa, telefones, e produtos onde ela mostra o armamento pro Toretto. Você até se pergunta se eles estão num avião ou num setor de um shopping.
O que me irrita nesses casos, é que muitos desses entretenimentos são muito descerebrados e atores que já mostraram terem talentos de sobra acabam embarcando nessas breguices -e por um momento pensei que Vin Diesel estava numa franquia de Soldado Universal pela atuação mecânica e pastelona.
Sou fã do original, mas desde o segundo filme que não sinto empolgação porque é mais do mesmo porém um mais ruim que o outro. Até a trilha sonora do original é marcante, e depois dele é algo tão descartável que você nem percebe ou lembra o Score de cada cena.

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King 25 de junho de 2020 - 22:20

Eu lembro de cada cena da maioria dos filmes e poderia escrever um livro aqui pra vc citando cada uma, o primeiro junto com o segundo e o quarto, são os que considero menos memoráveis.

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Beatriz Lynch 6 de maio de 2020 - 04:51

Foi legalzinho, mas ainda fico com o 7, Jason e principalmente The Rock foram grandes acertos que ainda mantem a franquia viva, pois eu tambem não entendo o pq de tanta babação em cima do Diesel (deve ser mais barato que a gazolina xD), e ainda tem quem o chama de “carismatico”, é de matar.

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Pedrinho Rude Boy 16 de fevereiro de 2019 - 01:35

Haha, esse filme me lembrou Carga
Explosiva e Mad Max – Estrada da Fúria.
Lembrou Mad Max principalmente no 3º ato na perseguição do gelo, talvez uma homenagem à “Furiosa” de Charlize Theron hehehe

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Jason Mota 12 de fevereiro de 2019 - 00:10

Acho esse bem legalzinho. Continua divertido e empolgante mas, eu acho que devo ser um dos poucos que entende detalhadamente o que acontece nas cenas de ação com câmera tremida.

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Gabriel 2 de agosto de 2018 - 22:31

Mesmo com cenas de ação que são muito radicais, eu não me empolguei em nenhuma parte do filme. Aliás, é difícil se empolgar com um longa que não respeita as leis da física. Velozes e Furiosos funciona pra entretenimento, mas ao meu ver, até pra isso a franquia não consegue ter tanta força por culpa de absurdos exagerados. Coerência nunca é demais.

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Marcella 12 de maio de 2017 - 11:59

Concordo com os furos no roteiro, mas acho que o filme cumpre bem o objetivo de entreter, assisti em 3D e acho que valeu cada centavo. Esse é o tipo de filme que TEM que ser assistido no cinema, os efeitos são incríveis. A ideia dos carros zumbis achei genial e a cena do Vin Diesel encurralado por toda a equipe tb foi impressionante. Admito que história mesmo quase não tem, são poucos diálogos recheados com frases de efeito. Acompanho a franquia desde sempre e achei bacana transformarem o filme em algo tipo 007 ou Missão Impossível! Quero até ver qual a história que eles vão inventar pro próximo…

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Daniel Arendt 22 de abril de 2017 - 11:44

Apesar de todo mimimi, é a maior estréia de todos os tempos no cinema.

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Jair Taylor 21 de abril de 2017 - 14:48

Este é um filme complexo, que deve ser analisado em várias camadas, fim de poder se emitir um julgamento justo sobre ele:
Como comédia: nota 8.
Como filme de ação: nota 7;5.
Como contribuição para a história do cinema: NOTA ZERO

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Sllaker 19 de abril de 2017 - 01:21

Desliguei o cérebro, liguei a suspensão de descrença lá no alto e aproveitei um filme com belas cenas de ação, sem pontas soltas (apesar de previsível) e ainda dei boas gargalhadas. É o suficiente para um filme da franquia F&F me agradar.

Franquia esta que já está massante mesmo pra mim que não vi todos os filmes. Sério, eu não sei qual o limite desses caras… já vi cogitarem fazerem até um filme no espaço (por que não, né?).

Sobre a crítica, não posso concordar mais sobre o Vin Diesel. Graças ao ator e sua única expressão, não há como o público se conectar com o personagem mesmo depois de 8 filmes da franquia.

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Kate Bishop 17 de abril de 2017 - 18:56

O clímax desse filme é uma afronta à minha inteligência.

Nunca vi nenhum filme da franquia antes, justamente por isso – existem mentiras que… simplesmente não dá. E pelos trechinhos que eu via aqui e ali, já sabia que eles eram cheios de “não dá”. Acabei vendo esse por acaso, só pra distrair um pouco a mente (fazer isso com explosões não é muito aconselhável).

Ele não é lá essas coisas, mas acaba divertindo. Ri várias vezes e iSSO ME IRRITOU PORQUE CARA COMO PODE O HOMEM NO MEIO DE UMA EXPLOSÃO FICAR SÓ COM UMAS FULIGENS NO ROST-

parei.

xx

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Elton Muendi 15 de abril de 2017 - 10:57

Tá chato já esta franquia, está na hora de acabar

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Jason Mota 12 de fevereiro de 2019 - 00:15

Cara, eu discordo. Tudo depende de como os filmes são feitos.

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Ricardo F. 13 de abril de 2017 - 22:07

Charlize tá investindo na “furiosa” errada, se é que me entendem…

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Luis Fernando 13 de abril de 2017 - 18:28

Eu amo essa franquia, mas esse filme realmente não parece ter a ”aura” campeã dos anteriores, principalmente o 6 e o 7, que estão na minha lista de favoritos em todos os tempos.

Mas de qualquer forma, vou assistir e este oitavo filme da franquia deve figurar nas primeiras posições dos meus top 2017 movies.

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Beatriz Lynch 6 de maio de 2020 - 04:43

O 7 é imbativel mesmo.

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JCésar 13 de abril de 2017 - 17:40

Mais um exemplo de quando alguém não sabe que o fim chegou. Terminasse no filme anterior e tínhamos uma obra parcialmente memorável. Eu não assisti esse filme e minha vontade de faze-lo é zero.

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Jason Mota 12 de fevereiro de 2019 - 00:15

Fazê-lo? Como assim fazê-lo? ‘-‘

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JCésar 15 de fevereiro de 2019 - 16:18

assisti-lo. Mas acabei por assistir e mantive minha opinião, não precisava nem um pouco existir.

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Jason Mota 27 de fevereiro de 2019 - 17:47

Na minha opinião, cinema não pode ser feito apenas de obras primas, mas, também entretenimento.

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planocritico 27 de fevereiro de 2019 - 18:26

Claro. Mas há o entretenimento bom e o entretenimento ruim, não é mesmo?

Abs,
Ritter.

JCésar 31 de março de 2019 - 14:37

O problema não é entretenimento e sim falta de criatividade ficar requentando algo que já deu.

planocritico 31 de março de 2019 - 14:43

Pois é… Oito vezes a mesma coisa e contando é dose…

Abs,
Ritter.

Rodrigo Patini 13 de abril de 2017 - 15:10

Quem mais precisa morrer para essa franquia acabar???

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Gabriel Carvalho 13 de abril de 2017 - 17:12

@rodrigopatini:disqus, eu entendo sua revolta com a franquia, mas o comentário saiu bem fora de tom, até um pouco ofensivo.

Fora isso, realmente The Rock é infinitamente mais carismático que Vin Diesel.

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JJL_ aranha superior 13 de abril de 2017 - 12:11

Poderiam fazer a lista dos melhores filmes de ação recentes, para mostrar como é feito um bom entretenimento.

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Luis Fernando 13 de abril de 2017 - 18:30

Velozes e Furiosos 7, Mad Max: Fury Road, Jurassik World, Guardiões das Galaxias, Deadpool, Doutor Estranho, Batman v Superman.

Pra mim estes foram alguns dos melhores filmes de ação feitos em hollywood nos últimos anos.

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Beatriz Lynch 6 de maio de 2020 - 04:43

Só discordo de Batman vs Superman (e nem sou marvete).

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Gabriel 12 de abril de 2017 - 21:59

Essa franquia me dá arrepios… E não no bom sentido

Responder
Alice Olivia 12 de abril de 2017 - 17:43

Charlize, eu esperava mais de vc.

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