Crítica | Veneno Mortal (2001)

Serpentes geneticamente modificadas. Serpentes tomadas por fúria e antropomorfizadas, numa busca por “liberdade poética” dos roteiros. Serpentes a bordo, rastejantes em aviões, iates, trens ou metrôs. São tantas as interações com as serpentes em nossa indústria contemporânea que os tais répteis ganharam a alcunha de midiáticas. O mote de Veneno Mortal é uma das narrativas com as serpentes envolvidas em conspirações militares, animais testados para a transformação do seu estado natural em bélico. São temas clichês desde o cinema clássico, mas que constantemente retornam porque a abordagem funciona bem para determinado público consumidor. A trama é simples, os efeitos visuais da equipe supervisionada por Chris Ervin são ruins e como entretenimento, fica bem abaixo do esperado, pois bem o design de som de Charles Bruce consegue emular de maneira assustadora os sons para nos inserir no contexto de pavor que é a presença desses seres expressivamente aterrorizantes. Plano Crítico.

Serpentes geneticamente modificadas. Serpentes tomadas por fúria e antropomorfizadas, numa busca por “liberdade poética” dos roteiros. Serpentes a bordo, rastejantes em aviões, iates, trens ou metrôs. São tantas as interações com as serpentes em nossa indústria contemporânea que os tais répteis ganharam a alcunha de midiáticas. O mote de Veneno Mortal é uma das narrativas com as serpentes envolvidas em conspirações militares, animais testados para a transformação do seu estado natural em bélico. São temas clichês desde o cinema clássico, mas que constantemente retornam porque a abordagem funciona bem para determinado público consumidor. A trama é simples, os efeitos visuais da equipe supervisionada por Chris Ervin são ruins e como entretenimento, fica bem abaixo do esperado, pois bem o design de som de Charles Bruce consegue emular de maneira assustadora os sons para nos inserir no contexto de pavor que é a presença desses seres expressivamente aterrorizantes.

Tudo começa nos anos 1990. Um grupo de terroristas, disfarçados de jornalistas, infiltram-se numa instalação de pesquisa no deserto de Mojave, nos Estados Unidos, e detonam o local com explosivos. A ação que visava um interesse acaba se voltando para outro, pois isso permite que uma cascavel escape e tenha contato com substâncias que modificam a sua estrutura biológica. O drama todo, então, respinga em Santa Mira Springs, uma dessas cidades interioranas comuns aos filmes sobre serpentes estadunidenses, tais como Eden Valley, de As Cobras Atacam, lançado dois anos antes. É lá que o médico David Henning (Treat Williams) atende os seus pacientes diariamente e começa a perceber a estranheza dos casos que se repetem com uma frequência muito acima do esperado, isto é, as vítimas de ataques de cobras, picadas e mortas em decorrência da força devastadora do veneno. Quem entra para ajudar é a sua ex-esposa, Christine Edmonton (Mary Page Keller), uma cientista civil do Departamento de Virologia de uma universidade.

Guiado pelo roteiro escrito por Sean Mc Ginly e Dan Golden, o cineasta Fred Olen Ray conduz o espectador para o centro de uma história que já conhecemos exaustivamente. O que sabemos é que as cobras assassinas deste filme estão contaminadas e os envolvidos na resolução do problema precisam encontrar um antídoto, antes que as cobras façam mais vítimas e aumentem as estatísticas do horror. Os personagens que representam o eixo governamental propõem a destruição em massa da cidade por meio de explosivos, grupo que também não leva o problema à sério durante bastante tempo, algo que atrasa a dinâmica dos protagonistas em luta constante contra as forças da natureza geneticamente modificadas. Os pacientes morrem de maneira muito rápida, pois o veneno das serpentes em questão também apresenta modificação em relação ao que os cientistas já conhecem na interação com casos anteriores.

Para nos contar essa história curiosa, Olen Ray emprega planos e movimentos sem inspiração, oriundos da direção de fotografia de Andrea V. Rossotto, setor despreocupado em impressionar artisticamente com a captação de imagens para a narração da história. Confesso que não o que esperar em termos de fotografia de um filme com a abordagem medíocre de Veneno Mortal, cópia da estrutura dramática de uma pilha de produções realizadas ao longo dos anos 1990. O design de produção de Steve Ralph consegue fazer alguma coisa interessante para as cenas de laboratório e nos ambientes domésticos, mas é prejudicado com a nossa atenção a saltar constantemente para os diálogos muito abaixo da média, desvio que impede que possamos contemplar qualquer traço de visualidade que seja minimamente interessante no filme. A trilha sonora de Neal Acree também trabalha dentro das condições orçamentárias que lhe é possível, sem expressividade musical memorável, algo que, convenhamos, não se espera de um filme deste segmento.

Ademais, ao longo de seus 97 minutos, Veneno Mortal é um filme que fornece entretenimento questionável, numa trama de qualidade duvidosa, lançada em 2001 direto para o mercado de home vídeo. Aumentada aos extremos para dar conta das demandas ficcionais, situações como a apresentada no filme não estão longe de ser algo da nossa realidade. Em 2009, por exemplo, algumas cobras gigantescas causaram medo e pavor numa determinada região da Flórida, pois espalharam-se por outras zonas, haja vista o alto impacto do desenvolvimento urbano em áreas florestais, tornando-se um problema enorme para o Estado resolver. Num desses casos, uma python rochosa africana, oriunda de algum tráfico, provavelmente, fez estragos na fauna local devida ao fato de estar fora de seu habitat natural. A serpente de seis metros de comprimento, conhecida no popular por ter um “gênio” ruim, causou estresse para quem teve contato e demonstrou que situações como essas, apresentadas nos filmes com serpentes, não estão longe de se tornar uma notícia da nossa realidade a qualquer momento.

Veneno Mortal (Venomous) — Estados Unidos, 2001
Direção: Fred Olen Ray
Roteiro: Sean Mc Ginly, Dan Golden
Elenco: Treat Williams, Mary Page Keller, Hannes Jaenicke, Catherine Dent, Tony Denison, Geoff Pierson, Brian Poth, Nicole Nieth, Christal Chacon, Jim Storm, Rick Hurst
Duração: 97 min.

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.