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Crítica | Versos de um Crime

por Melissa Andrade
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estrelas 3,5Existe algo nos poemas que fascina. Alguns falam a nossa alma, narram nossas angústias, anseios, amores, tragédias e parecem saber exatamente como sentimos. Mas, do outro lado, pouco ou nada sabemos sobre as pessoas que os escrevem.

O jovem Allen Ginsberg passa os dias cuidando da mãe que tem problemas mentais. Seu pai é professor e poeta já tendo lançado alguns livros. Mas, essa não é a vida com a qual ele sonha e tudo muda ao ser aceito na Universidade da Columbia. Lá ele conhece Lucien Carr, outro jovem poeta como ele que vai lhe apresentar um mundo de libertinagens, drogas, noitadas, muito jazz e outros que pensam igual a ele como Jack Kerouac e William Burroughs. Em meio a tudo isso, Allen vai se descobrir como pessoa, amadurecer e enfrentar as dificuldades de se encaixar em um mundo pré-estabelecido pela sociedade acadêmica, o qual ele não concorda. Porém, seu novo mundo irá virar de cabeça para baixo quando um crime o obrigar a realmente abrir seus olhos.

Versos de um Crime está longe de ser um filme biográfico, mesmo que esteja sendo vendido como tal. Na verdade ele vai além disso, explorando mais a fundo a essência desses escritores que alguns anos depois criariam um movimento conhecido como Geração Beat e que influenciou os vindouros hippies e até os Beatles.

Lucien Carr era um menino perdido e muito manipulador. Allen Ginsberg sabia o que queria, mas não quando queria. Jack Kerouac estava preso a um noivado fadado ao fracasso e precisava de mais perspectiva. Todos eles, sem exceção, necessitavam se auto- descobrir e somente ao se unirem, conseguiram determinar o que fazer de suas vidas em separado.

Por mais estranho que seja ver o ator Daniel Radcliffe em outro papel que não o do bruxo Harry Potter, é ele o responsável pelo êxito do filme, mais até do que os outros atores. Seu colega Dane DeHaan tenta muito, mas não tem um desempenho igual e as suas muitas caretas para expressar dor, raiva ou mesmo frustração incomodam, pois são exageradas.

A montagem mesmo que lastimável em alguns momentos, não consegue apagar a necessidade que essa história tem em ser contada. A trama nos obriga a entrar na cabeça dos personagens e entender melhor seus sentimentos. O crime em si, mesmo que dê o pontapé inicial à película, acaba ficando em segundo plano, pois é muito mais interessante acompanhar essa jornada de descobertas do que tentar desvendar a causa do crime.

Ainda assim, o mais interessante em Versos de um Crime é que não é um filme sobre escritores famosos. E sim, um filme sobre pessoas, com problemas como todos nós e que transformaram esses problemas em algo proveitoso, em arte e com isso, entraram para a história.

Allen Ginsberg se tornou um dos poetas mais prestigiados do século XX; Jack Kerouac, após uma longa viagem, escreveu seu famoso livro Na Estrada; Lucien Carr foi por muitos anos o editor do United Press International.

Mesmo com falhas, não deixa de ser um filme significativo e que em muito contribui para uma melhor compreensão do passado dessas pessoas que pensamos conhecer, apenas por lermos seus livros.

Versos de um Crime (Kill Your Darlings – EUA 2013)
Direção: John Krokidas
Roteiro: Austin Bunn
Elenco: Daniel Radcliffe, Dane DeHaan, Michael C. Hall, Jack Huston, Ben Foster, David Cross, Jennifer Jason Leigh, Elizabeth Olsen, John Cullum, Brenda Wehle, Erin Darke
Duração: 104 min.

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4 comentários

Tiago Lima 28 de maio de 2016 - 15:24

O interessante deste filme é vermos como Daniel Radcliffe está muito mais para Allen Gisnberg do que James Franco em Howl. E de fato, o crime em si pouco importa. O interessante é acompanharmos como as relações inter-pessoais influênciaram na arte da cada um.

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Tiago Lima 28 de maio de 2016 - 15:24

O interessante deste filme é vermos como Daniel Radcliffe está muito mais para Allen Gisnberg do que James Franco em Howl. E de fato, o crime em si pouco importa. O interessante é acompanharmos como as relações inter-pessoais influênciaram na arte da cada um.

Responder
Rafael Oliveira 13 de junho de 2014 - 12:52

Não gostei. Filme frio, caótico, vazio. E não sei o que vai ser do Radcliffe, que mesmo se esforçando, não consegue se livrar do estigma de Harry Potter.

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Melissa Andrade 14 de junho de 2014 - 23:35

Acho que o filme reflete os sentimentos dos retratados na época. Por isso eu acabei gostando, consegui sentir essa conexão. Quanto ao Radcliffe, ele está saindo aos poucos dessa sombra. Mas, é difícil já que foram muitos anos num único papel.

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