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Crítica | VFW

por Ritter Fan
6 views (a partir de agosto de 2020)

Se no cartaz de um mesmo filme você nota a presença de Stephen Lang, o militar sádico de Avatar, William Sadler, o vilão de Duro de Matar 2, Fred Williamson, o grandalhão mascador de charutos que frequenta o Titty Twister em Um Drink no Inferno e Martin Kove, o treinador do Cobra Kai, todos com rostos ameaçadores e segurando objetos cortantes dos mais variados, você sabe automaticamente que está diante de uma obra que simplesmente precisa ser conferida, independentemente de qualquer outra consideração. Se esse cartaz, então, tem uma aura trash setentista, a coisa fica ainda mais séria e transforma-se em uma efetiva obrigação cinéfila, daquelas que merece até um ritual para assisti-la, algo que pelo menos invoque mentalmente os filmes de brucutu dos anos 80, herdeiros dos exploitation movies da década anterior.

VFW, sigla para Veterans of Foreign Wars (“Veteranos de Guerras Estrangeiras”, ou seja, aquelas travadas fora dos EUA), entrega exatamente o que promete e que descrevi acima, com saudáveis hectolitros de sangue, membros cortados e violência de toda natureza dispensada pelos mencionados veteranos e mais alguns outros que estão no bar para VFWs de Fred Parras (Lang), que por acaso também faz aniversário. A desculpa para a pancadaria comer solta é a chegada da jovem Lizard (Sierra McCormick) com um carregamento de drogas que furtara da gangue local como vingança pela morte de sua irmã. Ela imediatamente torna-se protegida dos veteranos (o que inclui um “veterano jovem”, Shaun Mason, vivido por Tom Williamson) que fazem de tudo para segurar a fúria ensandecida dos vilões e de seu exército de viciados na tão cobiçada droga.

Basicamente um filme de espaço confinado, com quase toda a ação passada dentro do bar, e na estrutura de filme de terror em que cada “mocinho” tem sua vez apoteótica de morrer, VFW é diversão garantida para quem gosta desse tipo de trasheira de extrema violência para relaxar por rápidos 92 minutos. Lang, por mais que seja um ator subaproveitado, tem um enorme potencial para viver esse tipo de personagem durão e deveria aparecer mais vezes em filmes hollywoodianos de orçamentos mais polpudos. E o mesmo pode ser dito de Sadler, Williamson e Kove, ainda que, exatamente nessa ordem, a capacidade dramática vá caindo exponencialmente. Aqui, porém, como a ação se resumindo a morticínio iluminado com neon ou enquadrado pela fotografia escura (não confundir com sombria) de Mike Testin, atuação é algo subsidiário e, devo confessar, desnecessário. O que interessa é o quanto cada machado, facão e porrete arranca de sangue de suas vítimas, e isso sem contar com uma obrigatória serra elétrica usada lá pelo terço final.

A direção de Joe Begos, que tem em seu currículo pérolas como Quase Humano, The Mind’s Eye e Bliss, é surpreendentemente honesta, com suficiente cuidado para emular a atmosfera dos filmes setentistas de exploitation até mesmo com a granularidade do celuloide, o que empresta aquela atmosfera de “filme velho” que combina muito bem não só com os veteranos que o protagonizam, como também com toda a decadência de uma cidade tomada pelas drogas e que por vezes lembra muito a Detroit do primeiro (e convenhamos, único) RoboCop. Claro que, com baixíssimo orçamento, não se pode esperar muito em termos de efeitos, ainda que as inserções metálicas em diversas partes do corpo humano, com o consequente jorro escarlate esteja no mesmo nível de clássicos do terror dos anos 70 e 80 que até hoje são cultuados por aí, ou seja, Begos consegue acertar até mesmo na forma como emprega seu parco orçamento: emulando parcos orçamentos de décadas atrás.

VFW certamente não é para todos os gostos, mas os cinéfilos que apreciarem trash de qualidade com altíssima contagem de corpos certamente encontrarão um veio valioso aqui. Já quero um VFW 2, de preferência com um daqueles subtítulos bem bregas, para suprir minha cota mensal de “sangue, vísceras e durões com caras de poucos amigos e muitos instrumentos afiados”.

VFW (Idem, EUA – 2019)
Direção: Joe Begos
Roteiro: Max Brallier, Matthew McArdle
Elenco: Stephen Lang, William Sadler, Fred Williamson, Martin Kove, David Patrick Kelly, George Wendt, Tom Williamson, Sierra McCormick, Travis Hammer, Dora Madison, Josh Ethier, Graham Skipper, Linnea Wilson
Duração: 92 min.

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