Crítica | Vicious – 2ª Temporada

estrelas 3,5

A primeira impressão que temos dessa segunda temporada de Vicious é que os criadores resolveram “sair da casa”. Os protagonistas, vividos pelos excelentes Ian McKellen e Derek Jacobi ganham agora situações que extravasam as paredes do apartamento, uma mudança que vem com algum custo narrativo — representado especialmente pela montagem muitas vezes falha –, mas trouxe uma nova atmosfera para a série e demonstrou o crescimento dos personagens, um pouco mais afeitos ao convívio social.

Esta temporada foi mais ou menos construída como um grande arco, cujo “resultado” foi o casamento de Freddie e Stuart, no episódio final. O modelo de crônica se mistura aqui com o de sitcom, formando uma combinação estranha, mas em sua maior parte deliciosa. Todos os atores em cena estão claramente se divertindo muito nos respectivos papeis e o espectador é quem ganha com isso, porque o comprometimento é visível e os personagens são tão exagerados, tão extremos e tão legais por serem bem desenvolvidos dentro desse parâmetro (pura ironia dos criadores) que não tem como não rir.

Surpreendentemente, devo dizer que quem me arrancou mais gargalhadas essa temporada foi Penelope, a personagem de Marcia Warren. As falhas de memória, os palavrões precisos e nos melhores momentos, as reações claramente genuínas a algumas coisas e a ótima construção da atriz para a “velhinha simpática” que interpreta simplesmente me encantaram. E vejam como ela se apresenta em tonalidades bem distintas: basta compararmos episódios como Ballroom e Wedding, com modelos diferentes de humor e que a personagem leva da maneira mais doce e muitas vezes inesperada para o espectador. Uma grande compensação para a persona menos evidente que ela fora na 1ª Temporada, embora já ali tivesse bons momentos em tela.

As brigas entre Freddie e Stuart muitas vezes são cansativas, mas os atores não nos deixam desgostar do que vemos. Não há como. Na temporada inicial da série havia ficado claro que, mesmo havendo pontos falhos, fica muito difícil deixar de apreciar por completo algo que Ian McKellen e Derek Jacobi fazem como tiração de sarro. E os dois levam isso com a maior seriedade possível, muitas vezes segurando-se para não rir e com momentos de grande companheirismo. A reação de Stuart ao final do último episódio e o apoio de Freddie a ele é exatamente o tipo de reação que aquece o coração de qualquer espectador. Aliás, toda a sequência final, pós casamento, é um primor. Simples, mas bastante afiada nos diálogos e muito bem construída esteticamente, ela nos lembra muito alguns momentos da temporada passada.

Vicous é uma série com precisão cômica, dramaturgia fora de série e situações que normalmente conhecemos muito bem, mas que são elevadas a um patamar máximo de brincadeira e sátira; por isso aparecem na tela como se fossem “coisas novas”. Bons shows de comédia normalmente fazem isso, pegam frações do cotidiano e transformam o que normalmente se sabe delas em algo muito mais interessante, engraçado, ridículo e humano. É exatamente sobre o que se trata essa temporada: as muitas facetas do ser humano em um grupo que lhe é familiar. Amor, idiossincrasias e lealdade (a defesa de Ash a Violet é o maior exemplo disso) marcam o comportamento de cada um e nos fazem enxergar um pouquinho de nós neles. Como resistir a uma temporada dessas?

Vicious – 2ª Temporada (Reino Unido, 2015)
Direção: Ed Bye
Roteiro: Gary Janetti
Elenco: Ian McKellen, Derek Jacobi, Frances de la Tour, Iwan Rheon, Marcia Warren, Philip Voss
Duração: 23 min. (cada episódio – seis no total)

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.