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Crítica | Vingadores: O Casamento do Visão e da Feiticeira Escarlate

por Ritter Fan
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Fazer a crítica apenas da história …Let All Men Bring Together contida em Giant-Size Avengers #4, HQ publicada originalmente em 1974 é não só difícil como uma injustiça com a história como um todo. Afinal de contas, trata-se da última edição da complexa Saga da Madona Celestial, uma história que costurava Mantis, Espadachim, os Krees, os Cotatis, Kang , Immortus, Serpente da Lua, além dos principais Vingadores da época, em um arco de caráter messiânico que só viria a ganhar um desfecho efetivo muito recentemente com Impéryo (Empyre).

Seja como for, é melhor simplificar do que complicar, já que a presente crítica não tem a menor intenção em falar da saga em si. Como publicação de encerramento de uma linha narrativa longa, que tomou as revistas dos Vingadores e do Capitão América nos anos 70, a edição é exageradamente verborrágica nos dois lados da história que conta. O primeiro é o do Visão, enviado através do tempo por Immortus, parando no reino de Dormammu para salvar a Feiticeira Escarlate, presa pelo demônio. O segundo é o de Mantis, com a revelação do que exatamente é a “versão verde e etérea do Espadachim” que surgiu no começo da saga.

Em ambos os casos, Steve Englehart cria um roteiro que basicamente resume tudo o que aconteceu tanto com Visão quanto com Mantis desde seus respectivos “nascimentos”, repisando as origens de cada um dos personagens de forma paralela e fazendo-as desaguar em casamentos surreais, o de Espadachim-Cotati com Mantis (ou seja, uma humana sensitiva com essencialmente uma planta) e o de Visão com a Feiticeira Escarlate (ou seja, uma humana bruxa com um androide), algo que só mesmo na Marvel nós podemos testemunhar. Ainda que toda a paralelização seja um toque bem feito pelo roteirista e que o casamento duplo tendo ninguém menos do que Immortus como celebrante sem dúvida chame a atenção, o fato é que a jornada até lá, para quem ou acompanhou a saga ou conhece as histórias dos personagens é extremamente cansativa e redundante, quase como se tudo parasse para que dois narradores contassem as respectivas histórias.

Claro que há ação, mas esses momentos são bem mal conduzidos tanto por Englehart quanto por Don Heck nos desenhos, sem que a dupla consiga criar qualquer urgência nos embates entre Gavião Arqueiro, Thor e Homem de Ferro contra Kang (ou Kangs) e Visão e Feiticeira Escarlate contra Dormammu e sua irmã. Na melhor das hipóteses, são páginas modorrentas e sem graça muito longe da qualidade vista em Vingadores vs. Thanos, saga dupla da mesma época que a da Madona Celestial. Na verdade, nem consigo colocar alguma culpa efetiva no colo de Heck, pois o texto de Englehart é tão expositivo, tão detalhado e tão gigantesco que não há quase espaço para mais nada nas 31 páginas da HQ, com o desenhista tendo que se desdobrar para arrumar espaço para que a letrista Charlotte Jetter consiga inserir o dilúvio de palavras.

Sei muito bem que esse tipo de escrita até fazia parte do estilo da época, mas, aqui, os flashbacks explicativos duplos fazem a história pesar a andar muito lentamente, com o espaço dedicado aos casamentos acabando apertado, lá nas duas ou três páginas finais, com a reunião apressada das linhas narrativas com se os trechos românticos da história tenham sido encaixados de má vontade. No entanto, ironicamente, enquanto um dos casamentos ficaria quase que completamente no limbo até 2020, o outro – do Visão com a Feiticeira Escarlate – ganharia fantásticos desenvolvimentos ao longo dos anos, com uma abordagem corajosa e inédita para a heroína trágica que Wanda Maximoff tornar-se-ia.

O encerramento da Saga da Madona Celestial merecia mais pompa e circunstância, com menos blá blá blá repetitivo e mais foco nos casamentos ao final. Pelo menos um evento aparentemente “menor” como o referido casamento de um androide com uma humana daria origem a incontáveis outras histórias fascinantes da Marvel Comics nas décadas seguintes.

Vingadores: O Casamento de Visão e Feiticeira Escarlate (Avengers:  … Let All Men Bring Together – EUA, 1974)
Contida em: Giant-Size Avengers #4
Roteiro: Steve Englehart
Arte: Don Heck
Arte-final: John Tartag
Letras: Charlotte Jetter
Cores: Petra Goldberg
Editoria: Len Wein
Editora original: Marvel Comics
Editora no Brasil: Editora Abril, Panini Comics
Datas de publicação no Brasil: dezembro de 1985 (Grandes Heróis Marvel #10 – Abril) e janeiro de 2021 (Visão e Feiticeira Escarlate: Dia das Bruxas – Panini)
Páginas: 31

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