Crítica | Você eu Amo

estrelas 2

Um representante polêmico do novíssimo cinema russo, Você eu Amo destaca um triângulo amoroso e uma história homossexual na Moscou economicamente caótica dos anos 2000. A história nos mostra dois profissionais de sucesso, um âncora de um telejornal e um publicitário, que se encontram e estabelecem uma relação amorosa intensa. Quando Tim encontra o jovem Ulmooji, sua relação com Vera sofre grandes mudanças, porque os dois garotos acabam se apaixonando. Como nenhum dos três querem deixar as pessoas que amam, um complicado triângulo amoroso se estabelece.

A história até pode parece interessante, mas o filme não é nenhuma obra essencial do cinema russo contemporâneo. O grande problema do filme encontra-se nas mãos dos roteiristas e do editor, que abusaram das elipses narrativas, fazendo as coisas acontecerem tão rápido que o teor das cenas de intimidade entre os três protagonistas, num primeiro momento, ultrapassam a categoria de “muito artificiais”. Como um agravante, temos a estranha teimosia do roteiro em querer abordar muitas histórias, dando atenção a elas durante um determinado tempo para depois abandoná-las sem mais nem menos. Dá-se então prosseguimento a uma obra que não se conclui porque mais da metade das janelas narrativas abertas permanecem assim.

Por outro lado, a trilha sonora e a interpretação dos atores nos fazem ter extrema simpatia pelo filme, ou pelo menos por algumas cenas muito belas e instigantes. A sexualidade está posta como descoberta por parte de Tim, que não aceita de imediato o que sente por Ulmooji, embora não o dispense. Paralelo a isso, a família do jovem mongol tenta resgatá-lo “dessa vida”, levando-o a médicos, analistas e o obrigando a se alistar no Exército. É claro que de nada adianta essas tentativas de afastar os dois jovens. Como plano de fundo desse poliamor homossexual, a estrutura econômica da Rússia aparece nos noticiários a na busca de Ulmooji por emprego. Diferente de Tim e Vera, o jovem é de família humilde, e mora no Zoológico de Moscou. Seus hábitos simples, oriundos de sua criação humilde em uma aldeia mongol – infância da qual temos rápidos flashbacks -, chegam a nos incomodar algumas vezes porque parecerem muito caricatos – mas dos grandes problemas do filme, esse é o menor.

O valor cinematográfico de Você eu Amo é dúbio. Não é um filme relevante, mas tampouco é um filme ruim. Para além dos problemas já citados, temos uma série de qualidades que parecem nos desviar para sua humanização da obra, e acabamos por nos identificar com algumas coisas, embora haja (no sentido negativo da colocação) coisas demais para se identificar. Um pouco menos de tramas paralelas e menor afetação em determinadas sequências poderiam elevar o filme a uma categoria mais “cinematográfica”. De certo modo, a forma interna de Você eu Amo me pareceu um pouco com a de Albergue Espanhol (2002), e a trama homossexual aliada a um triângulo amoroso traz alguns elementos contidos em Almodóvar, embora essa seja apenas uma comparação indireta e um tanto falha. Você eu Amo não é um filme que se deve aconselhar não ver, mas muitos dos que o virem certamente irão preferir não tê-lo visto.

Você eu Amo (Ya Lyublyu Tebya, Rússia, 2004)
Direção: Olga Stolpovskaia e Dmitri Troitski
Roteiro: Alisa Tanskaya, Dmitri Troitski, Olga Stolpovskaia
Elenco: Damir Badmaev, Liubov Tolkalina, Evgeny Koriakovski, Nina Agapova, Irina Grineva, Anatoli Mankhadikov, Valentina Mankhadikova, Yuri Sherstniov, Victor Shevidov
Duração: 86min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.