Crítica | Volcano – A Fúria

Desastres da natureza são fontes de intensidade criativa para o setor ficcional da indústria cultural por diversos motivos, dentre eles, o apelo dramático das vítimas, a dimensão trágica e destruidora do acontecimento e a possibilidade de realização de cenas de ação avassaladoras, principalmente no terreno audiovisual, seara que por meio dos seus efeitos visuais e especiais, boa trilha sonora e edição, consegue trazer um espetáculo de imagens delirantes e assustadoras.

Volcano – A Fúria consegue seguir a estrutura básica do cinema catástrofe. Uma família ou grupo de pessoas precisa se unir para enfrentar um terremoto, furacão, tsunami, enchente, etc. O antagonista da vez é um imenso vulcão que explode no meio de Los Angeles. Lançado em 1997, mesmo ano em que O Inferno de Dante chegou aos cinemas, a produção dirigida por Mick Jackson executa a história de Jerome Armstrong, transformada em roteiro por Bill Ray. Tendo o vulcão como centro nervoso da tragédia, o filme mescla entretenimento e algumas pitadas de ciência.

No enredo, alguns operários de uma obra urbana em pleno metrô de Los Angeles morrem durante um incidente que exala estranheza. Um terremoto que marca 9 graus na escala Richter também alerta os especialistas. O que acomete a geologia da região? Para descobrir como agir antes que seja tarde demais, entram em ação Mike Roark (Tommy Lee Jones) e a Dra. Amy Barnes (Anne Heche). Ela é uma geóloga e ele o Chefe de Defesa de Los Angeles. Juntos, assumirão o protagonismo que justapõe representações da ciência e do município para traçar estratégias de redução de danos e compreensão do antagonista que precisam enfrentar. Para o personagem de Lee Jones ainda há a sua filha, Kelly (Gabby Hoffman), jovem que se torna mais um problema a ser resolvido, pois precisa ser salva o tempo inteiro.

Quando um novo terremoto sacode a cidade e uma tampa de esgoto é lançada pelos ares com força descomunal, os seres humanos que circulam pela região precisam buscar uma forma de se salvar, pois o vulcão já começou o seu trabalho e a dimensão de destruição é gigantesca. Uma das soluções é criar uma barreira de contenção com deslocamento para o mar. Engraçado que ninguém pensou no nível de destruição da vida marinha e suas causas e consequências posteriores, mas isso seria pedir demais de um filme com personagens sem profundidade e foco nos efeitos visuais e ação.

Deste momento em diante as soluções são estapafúrdias e a produção parece entrar numa disputa com o seu concorrente lançado no mesmo ano, tendo em vista observar quem consegue mais cenas chocantes. Além de ter cenas com coreografias mais bem realizadas, O Inferno de Dante possui personagens mais interessantes, além de melhor interação dos conflitos e desafios entre magma, lava, vulcão e seres humanos. Volcano – A Fúria não só apresenta problemas de ordem estrutural em termos de narrativa, mas também é cheio de distrações dramáticas que não encontram boa resolução do roteiro à execução do diretor em seus 104 minutos de filme.

Diversos modelos de erupção se unem para a exposição do espetáculo hollywoodiano de fúria da natureza. Inspirado no caso real, ocorrido em 1943 na cidade de Paricutin, no México, local que segundo os cientistas, possui o vulcão mais jovem do mundo. Conforme registros históricos, trata-se do único que a humanidade viu nascer, pois os demais são formações geológicas milenares. A história real não traz vítimas como o filme, mas apresenta pessoas diante de um fenômeno pouco explicado. Cultivadores de milho, assustados com o acontecimento, mudaram-se do local que hoje não possui mais o vulcão ativo, mas ainda é possível ver em alguns pontos, vapor de enxofre e água expelidos em alguns trechos rochosos. Voltemos, agora, ao filme.

A produção em questão teve direção de fotografia assinada por Theo van de Sande, profissional que segue a cartilha dos manuais com planos bem abertos para contemplação do desastre, imagens adornadas pela condução musical Alan Silvestre e design de produção eficiente de Jackson de Govia. Chris Bailey, no comando da equipe de efeitos visuais, imprime estilo ao filme, mas ainda assim, os artefatos computadorizados não se apresentam suficientes para aceitarmos a história fraca. Com a evolução tecnológica e passados mais de vinte anos de lançamento, o que a indústria hollywoodiana está a esperar para fazer um novo e melhor filme com vulcões?

Volcano – A Fúria  — (Volcano) Estados Unidos, 1997.
Direção: Mick Jackson
Roteiro: Billy Ray, Jerome Armstrong
Elenco: Al Naipo, Alina Recasens, Andrea Wynn, Angela Albarez, Angie Crouch, Anne Heche, Bert Kramer, Bo Eason, Brad Parker, Brian Markinson, Bruce R. Orchid, Catherine Schreiber, Tommy Lee Jones, Valente Rodriguez, Walter Richards, Warren Olney, Wayne Grace
Duração: 108 min.

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.