Crítica | Walk Run Cha-Cha

A prolífica documentarista Laura Nix, responsável, dentre outros, por Inventing Tomorrow (2018) e The Yes Men Are Revolting (2014) pontuou 2019 com apenas um trabalho na direção e roteiro, o curta-metragem Walk Run Cha-Cha que, em 20 minutos, aborda um casal de meia-idade que imigrou do Vietnã para a Califórnia, nos EUA, e redescobriu-se na pista de dança. Diferente de outros trabalhos mais engajados, o objetivo de Nix, aqui, é abordar o amor que vence fronteiras e a paixão pela dança em uma pegada bonita e singela que, porém, não oferece muito mais do que apenas o que está na superfície.

Chipaul e Millie se conheceram ainda adolescentes em seu país natal, namorando por um curto período de tempo até que a família de Chipaul decidiu fugir do jugo comunista para ter algum futuro nos EUA. Millie, porém, ficou para trás, mas um nunca esqueceu do outro, com Chipaul, bem mais tarde, fazendo de tudo – e conseguindo – trazer seu amor seu país adotivo. Aprendemos isso por meio de entrevistas com a dupla cujas vozes são justapostas a imagens deles dançando ou sentando para fazer as entrevistas, mas de maneira dessincronizada para dar um charme à narrativa que é direta e sem firulas.

Há uma tentativa de se estabelecer uma elipse – ou talvez duas – que nos leva do primeiro encontrou dos dois até a reunificação e casamento nos EUA, mas Nix não é bem-sucedida em seu esforço, o que acaba quebrando a fluidez da proposta de seu roteiro. A simplicidade da história, que poderia ter ganhado contornos mais interessantes, talvez com imagens de época no Vietnã e uma contextualização histórica maior do que meras pinceladas aqui e ali por parte principalmente de Chipaul, acaba emprestando um caráter de conto-de-fadas que sem dúvida é capaz de trazer sorrisos aos rostos dos espectadores, mas não algo duradouro, que torne Walk Run Cha-Cha particularmente memorável.

Esteticamente, Nix trabalha primordialmente com câmeras paradas que se beneficiam do movimento dos dançarinos – tanto da dupla imigrante quanto de seus professores – e uma fotografia suave que reitera a abordagem fabulesca para essa história de amor. Mas, como a história sendo contada, não há nada particularmente especial também nesse quesito e tudo parece desaguar para a pièce de résistance, ou seja, um simpático, mas brevíssimo número de dança ao final ao som de The Carpenters. Bonito, sem dúvida, mas que não tem tanta força assim para marcar o espectador ou para efetivamente até justificar a história sendo contada.

Walk Run Cha-Cha é um pequeno lembrete de que pequenas coisas podem significar o mundo para muita gente. Uma mensagem inspiradora que sem dúvida tem o seu valor, mas que, porém, o documentário não sabe enriquecer para além de seu valor de face.

Walk Run Cha-Cha (Idem, EUA – 2019)
Direção: Laura Nix
Roteiro: Laura Nix
Com: Chipaul Cao, Millie Cao, Maksym Kapitanchuk, Elena Krifuks
Duração: 20 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.