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Crítica | WandaVision – 1X01 e 02: Filmed Before a Live Studio Audience / Don’t Touch That Dial

por Ritter Fan
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Visão, isso está mesmo acontecendo?
– Maximoff, Wanda

Era para o filme solo da Viúva Negra marcar o início da Fase 4 do Universo Cinematográfico Marvel, seguido de Os Eternos, mas a pandemia chegou e os planos de lançamento dos longas viraram pó, cabendo à WandaVision a honra de começar essa ambiciosa nova era para o Marvel Studios, agora unificando de verdade televisão e cinema em um projeto de continuidade narrativa ainda mais ambicioso que as fases anteriores. E, melhor ainda, no lugar de a produtora ir pelo caminho mais fácil e testado, ela tenta inovar com um formato de minissérie sobre Wanda Maximoff e Visão vivendo juntos em uma sucessão de episódios que recriam sitcoms de décadas passadas sem, nesse início, dar qualquer contextualização ao espectador, um movimento sem dúvida arriscado, mas muito bem-vindo.

Claro que os leitores de quadrinhos que conhecem as histórias da Feiticeira Escarlate, especialmente A Queda e Dinastia M, têm vantagens na compreensão do que pode estar acontecendo pelo menos em linhas gerais, mas, quem nunca leu nada – ah, que inveja de quem está encarando WandaVision completamente às cegas! – provavelmente está lidando com algo completamente inesperado, curioso e, não tenho dúvidas, bizarro, que nem parece que decorre direta e naturalmente dos acontecimentos da saga cinematográfica de até agora 23 filmes consistentemente entrelaçados, ainda que seja perfeitamente possível ter pelo menos uma ideia da premissa. No entanto, seja como for, fiquem tranquilos, pois não abordarei esses aspectos aqui para manter a crítica completamente livre de spoilers.

Os dois primeiros episódios nos fazem viajar para as sitcoms americanas dos anos 50 e 60, notadamente I Love Lucy no primeiro e A Feiticeira (Bewitched) no segundo, como as aberturas customizadas não deixam dúvidas. Apesar de parecem capítulos autocontidos, eles claramente contam uma história única, com personagens coadjuvantes – notadamente a vizinha abelhuda Agnes (Kathryn Hahn, de I Know This Much Is True) – que transitam de um para o outro mesmo que os cenários internos e externos, além dos figurinos, maquiagem e penteados mudem na medida em que as décadas televisivas também passam. Aliás, a fotografia em preto e branco e o design de produção são irretocáveis na missão muito bem cumprida de capturar os estilos das referidas eras da televisão, com Elizabeth Olsen e Paul Bettany perfeitamente à vontade em seus papeis e finalmente recebendo a atenção merecida nesse universo tão rico.

Em termos de história mesmo, no sentido tradicional, ainda não está clara a linha narrativa da série para além da paródia das sitcoms clássicas, algo proposital, evidentemente. Mas o fato de Wanda e Visão, no primeiro episódio, não saberem de seu próprio passado ou mesmo a natureza do compromisso que têm naquele dia e, no segundo, Wanda ser chamada pelo rádio e os dois verem um apicultor saindo do bueiro, sem contar com os “intervalos comerciais” que citam os icônicos nomes Stark e Strücker, já estabelecem o mistério que, não duvido, será constantemente alargado e explorado nos capítulos seguintes.

Mesmo parecendo algo muito hermético, na órbita restrita de Wanda e Visão, há um cuidado muito grande dos roteiros, o primeiro escrito pela showrunner Jac Schaeffer (co-responsável também pelo argumento de Viúva Negra) e o segundo por Gretchen Enders em expandir a mitologia do UCM. Mas, com exceção dos já citados nomes “jogados” nos comerciais, a abordagem é bem mais discreta do que nos filmes da franquia, como a presença de Teyonah Parris (de Chi-Raq) como “Geraldine”, o logotipo com uma espada que aparece por pelo menos duas vezes e a própria figura do apicultor. O que cada elemento significa, não abordarei aqui, mas podemos conversar nos comentários abaixo. O que realmente importa é que, apesar de a série como um todo ser uma enorme referência, a série não parece viver para as pequenas referências, o que é sempre uma excelente notícia que costuma indicar roteiros mais enxutos que não se desviam do caminho somente para agradar os fãs.

WandaVision é uma deliciosa surpresa e divertimento garantido especialmente para quem já tiver tido a oportunidade de ver alguns episódios de séries das décadas “imitadas”. É impagável ver Wanda como a dona de casa perfeita que usa sua magia para afazeres domésticos variados como fazer um jantar de uma hora para outra ou ver Visão como o “marido provedor” todo bobão, permitindo que Olsen e Bettany esbanjem química e carisma. A Fase 4 do UCM começou muito bem e a série promete muito à medida em que avançar nas décadas e no mistério que a cerca.

WandaVision – 1X01 e 02: Filmed Before a Live Studio Audience / Don’t Touch That Dial (EUA, 15 de janeiro de 2021)
Criação: Jac Schaeffer
Direção: Matt Shakman
Roteiro: Jac Schaeffer (1X01), Gretchen Enders (1X02)
Elenco: Elizabeth Olsen, Paul Bettany, Debra Jo Rupp, Fred Melamed, Kathryn Hahn, Teyonah Parris, Asif Ali, Emma Caulfield Ford, Amos Glick
Duração: 30 min. (1X01), 37 min. (1X02)

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