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Crítica | Wanted – O Procurado

por Pedro Cunha
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Mark Millar é um autor que dispensa apresentações, além de ser um dos roteiristas mais desejados pelas editoras do mundo todo, ele é dono de um dos universos mais ricos dos quadrinhos, o Millarworld. Esse universo, aliás, teve os direitos recém comprados pela Netflix, que pretende adaptar algumas obras do autor e lançar um selo exclusivo para o britânico.

Entre suas obras, encontramos Wanted – O Procurado, quadrinho que recebeu uma adaptação cinematográfica no ano de 2008, que é, para ser breve, ruim. O filme também possui uma história completamente diferente daquilo que vemos na HQ, ainda que existam semelhanças, afinal trata-se de uma obra adaptada. Você deve estar pensando que ser diferente do material original, nesse caso, é ótimo, pois se o filme é horrível talvez essa discrepância venha a calhar, mas infelizmente não é isso que acontece.

Wesley Gibson tem uma vida terrível, trabalha em um lugar que odeia, tem uma chefe que vive para humilhá-lo e sua namorada o trai com o seu melhor amigo. Ao invés de reagir, prefere ser passivo. Mark Millar o introduz com uma narração feita pelo próprio Wesley, o autor faz questão de estabelecer com rapidez a situação atual do seu protagonista, em poucas páginas já sabe-se que Gibson é um perdedor, que odeia a todos e a si próprio. É também nas primeiras páginas que Millar apresenta o pai do seu protagonista, ele é um vilão que trabalha para uma instituição chamada Fraternidade.

O autor é rapido em apresentar e também rápido para matar. É no começo do primeiro ato que vemos o pai, que não criou Gibson, morrer. E com a morte do pai, o filho é chamado pela Fraternidade para o substituir. Então, nós, junto com o protagonista, somos apresentados a todo esse universo onde não existem mais heróis, eles foram derrotados há muito tempo. Esses mesmos vilões alteraram a realidade para fazer com que ninguém lembrasse da existência tanto dos bonzinhos, quanto dos malvados. A forma como Millar apresenta esse universo é pífia, tudo é feito por meio de diálogos incongruentes e lotados de palavrões sem propósito. Gibson, que era pra ser o mais bem desenvolvido da trama, só é trabalhado no começo da história, além de ser predestinado ao crime, e ser ótimo em atirar nas coisas, sem ter nenhum treinamento.

A arte de J.G. Jones não é ruim, entrega aquilo que lhe é pedido, entretanto, como faço questão de repetir, quadrinhos não são livros ilustrados, para um desenho ter êxito nas HQs ele deve possuir sua narrativa própria e a de Jones está longe de ser boa, afinal ela nem existe. Os quadros são distribuídos basicamente da mesma forma, sempre na horizontal, com 4 ou 5 planos diferentes. Linguagem interessante, porém muito mal utilizada.

Mark Millar é rei em criar universos, mas não é rei em criar personagens. Existem exceções, mas o roteirista atua muito melhor quando escreve personagens criados por terceiros. Wanted – O Procurado existe em um universo que tem potencial, clichê, mas ainda interessante. O foco da narrativa parece ser exclusivamente para adaptação para o cinema, aliás, o foco de Millar tem sido esse há muitos anos. Pode-se dizer que pelo bem ou pelo mal, o autor atingiu seu objetivo com a trama.

Wanted – O Procurado (Wanted)  — EUA, 2003
Roteiro: Mark Millar
Arte: J.C. Jones
Cores: Paul Mounts
Editora original: Top Cow
Datas originais de publicação: 2003
Editora no Brasil: Mythos
Páginas: 164 Páginas

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2 comentários

Cadê o Yoshi? 8 de setembro de 2017 - 20:39

Você achou o filme Wanted ruim? Pra mim, ele entregou o que prometia: um filme de ação comum (que tem um poder da hora) com foco em uma sociedade secreta muito bem estabelecida, mas que não tira a essência do filme: uma jornada pessoal.

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JJL_ aranha superior 8 de setembro de 2017 - 16:24

Confesso que gostei de boa parte do roteiro, mas concordo sobre as incongruências.

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