Crítica | Watchmen – 1X04: If You Don’t Like My Story, Write Your Own

If You Don't Like My Story, Write Your Own plano crítico watchmen

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Mais uma misteriosa personagem chega à lista de pontos de interrogação neste futuro Universo de Watchmen. Com texto de Lindelof e Christal HenryIf You Don’t Like My Story, Write Your Own apresenta interrupções estranhas, chegada de novidades e confronto com ideias e pessoas já estabelecidas nesse cenário, seguindo exatamente a dinâmica do livro de onde tira a citação-título, o maravilhoso O Mundo se Despedaça, de Chinua Achebe (e sim, o spoiler que Angela dá para o marido é real, e devo dizer que a referência vai muito além da questão de escrever a própria história… ela tem a ver com as motivações para um enforcamento. Vamos ver como isso aparecerá nas semanas seguintes).

Aqui, o texto explora ainda mais o trio de conceitos que seguem como bandeiras hasteadas na série desde o primeiro episódio: trauma, memória e legado. Embora um pouquinho bagunçado e estranhamente didático, algo que eu realmente não esperava que fosse ver aqui — e mesmo que não seja um didatismo grave, ainda assim, incomoda a quem está assistindo ao show com atenção –, esse episódio explora bastante as relações familiares ou pactos sociais (como parceiros de trabalho, por exemplo), vagarosamente firmando o pé em algo que podemos chamar de “plano”. A gente não sabe ainda do que se trata (exatamente como no original), mas sabemos que existe algo grandioso em andamento.

Eu tenho aproveitado bastante essa “tomada de forma” das coisas na série, embora não exista nada de definitivo até o momento. A questão, todavia, pode ser vista de outra maneira. Notem como conceitos mais ou menos já entendidos por nós passam a ganhar novos significados — e mesmo que este seja, até agora, o capítulo mais fraco da temporada, é claramente um com uma enorme serventia para o desenvolvimento da trama central, mostrando diferentes pistas e criações em blocos distintos.

Um dos meus momentos favoritos aqui foi a brincadeira com a colocação de Angela e Laurie em um mesmo cenário, fazendo coisas diferentes, mas igualmente referenciadas naquele instante em que o carro cai do céu. E o que é ainda mais legal é a visão que a gente tem da “impossibilidade” disso, ou das coincidências que não são, de fato, coincidências. A conversa entre as duas mulheres no carro mata essa questão e acaba dando um gancho bem mais interessante para o que vem na reta final. Criar coisas, legar coisas e lidar com os traumas do passado são conceitos que também orbitam Angela e Laurie, alguns possivelmente como pistas que ainda não sabemos identificar.

O pântano de bebês de Ozymandias e novas dicas em torno do Dr. Manhattan deixam a gente pensando no tal grande plano de Lady Trieu (Hong Chau), uma personagem que pela postura, poder e ideal de “construir algo misterioso através de um longo processo” me lembrou bastante a Whiterose, de Mr. Robot. E o que gostei de mais esta camada da série é que ela não está sozinha; não é apenas “mais uma adição confusa” à história. Ela está conectada a Will e a Ozy. Faz parte de algo que já estamos, de certa forma, familiarizados.

Eu tenho visto indicações preocupadas (nesse caso, não hostis) de que talvez a série esteja “estranha demais para seu próprio gosto“, o que de fato pode ser um problema a longo prazo, porque a gente está falando de Damon Lindelof, convenhamos, mas ao mesmo tempo não há nada que quebre rigorosamente o padrão de estranhezas que a série trouxe até aqui. Há uma organicidade na bizarrice, o que me deixa, ao menos por enquanto, tranquilo e feliz com o que temos. O futuro… só o azulão sabe.

Watchmen – 1X04: If You Don’t Like My Story, Write Your Own (EUA, 10 de novembro de 2019)
Direção: Andrij Parekh
Roteiro: Damon Lindelof, Christal Henry (baseado na obra de Alan Moore e Dave Gibbons)
Elenco: Regina King, Jean Smart, Tim Blake Nelson, Hong Chau, Yahya Abdul-Mateen II, Andrew Howard, Tom Mison, Sara Vickers, Dylan Schombing, Louis Gossett Jr., Jeremy Irons, James Wolk, Lily Rose Smith, Adelynn Spoon
Duração: 55 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.