Crítica | Watchmen – 1X05: Little Fear of Lightning

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Em certo momento de 20 Mil Léguas Submarinas, quando Verne explora particularidades em torno do Capitão Nemo, lemos a seguinte frase: “O raio, sem os estrondos do trovão, pouco assustaria os homens…” e é dessa frase que vem o título deste quinto capítulo de Watchmen, o mais fácil de se compreender, o mais resoluto e o mais objetivo de todos os episódios da série até o momento.

O grande foco aqui foi a dispersão da primeira névoa em torno de duas grandes investigações, a primeira, da 7K, que vimos aparecer com o massivo ressurgimento do grupo em It’s Summer and We’re Running Out of Ice e a segunda, após o assassinato de Judd, iniciada em Martial Feats of Comanche Horsemanship. Como estão ligados de forma ainda misteriosa para nós, esses dois fatos abriram as portas para o surgimento de novos personagens e novos caminhos para a própria investigação — sempre avançando em duas linhas –, tendo sobre ela uma aura de mistério envolvendo Will e, posteriormente, Lady Trieu. Aqui em Little Fear of Lightning, vemos a poeira abaixar um pouco e as coisas assumirem um ritmo menos misterioso. Algumas coisas são nomeadas, algumas respostas que tanto inquietavam os adoradores de resoluções-relâmpago foram dadas e até o bloco com Ozymandias conseguiu um notável avanço e parcial explicação.

E se nos capítulos anteriores as grandes estrelas eram as personagens femininas, aqui o destaque vai com louvor para Looking Glass, que conta com uma excelente interpretação de Tim Blake Nelson. Aqui temos um olhar rápido para o seu passado, mas essa é só a desculpa do roteiro para nos levar exatamente ao dia em que o monstro de Ozy foi solto, e o resultado é absolutamente incrível. A filmagem é rápida e eficiente, saindo do lugar em que um jovem Wade Tillman gritava, pelado, para uma montanha de mortos e chegando ao verdadeiro ponto do massacre, numa imagem aérea com ótimos efeitos e que captura de outro ângulo o horror que vemos no final da HQ.

Com esse olhar mais pé no chão para a investigação, a série dá um novo passo (um ótimo passo!) no fortalecimento do mistério e suspense estando o lado sci-fi já estabelecido. É como ver as coisas entrando parcialmente no lugar e dando a oportunidade de novos caminhos serem tomados a partir de agora, já que a verdade sobre Judd, sobre o Senador Keene, o envolvimento de Looking Glass e a prisão de Angela dão uma nova cor ao show. Confesso que não esperava essa tomada de rumo tão cedo, mas estou feliz que tenha vindo e de maneira muito bem pensada. Mesmo que o roteiro deixe de dar falas ou mesmo ações para Wade (desperdiçando parte do tempo de tela de Tim Blake Nelson) e infelizmente sendo muito didático na relação entre ele e seu passado — aquela insistência na repetição das cenas irritou bastante, porque já tínhamos entendido a relação — o episódio consegue empurrar a série para frente e deixar a história ainda mais interessante. Mal posso esperar para ver como a coisa se desenrolará em torno de Sister Knight a partir de agora.

Watchmen – 1X05: Little Fear of Lightning (EUA, 17 de novembro de 2019)
Direção: Steph Green
Roteiro: Damon Lindelof, Carly Wray (baseado na obra de Alan Moore e Dave Gibbons)
Elenco: Regina King, Jean Smart, Tim Blake Nelson, Andrew Howard, Jacob Ming-Trent, Tom Mison, Sara Vickers, Jeremy Irons, James Wolk, Paula Malcomson, Steve Coulter, Cheyenne Jackson, Chris Whitley, Philip Labes, Julia Vasi
Duração: 60 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.