Crítica | Watchmen – Trilha Sonora Original Vol. 2

Em 2009, além do lançamento da trilha sonora com faixas de diversos artistas da cultura pop, em suas versões originais ou mixadas, Watchmen também ganhou a versão comercial da textura percussiva de Tyler Bates para o épico de super-herói dirigido por Zack Snyder, material com ampla apresentação de personagens, conflitos e subtexto cultural. Ao longo de seus 44 minutos e 42 segundos, o segundo volume da trilha traz um trabalho coeso e complexo, mas que infelizmente deixa de ser inesquecível por conta da brevidade de muitas faixas, editadas de maneira muito brusca e que são avançadas quando ainda estamos nos envolvendo com suas progressões.

Anteriormente, Bates já havia colaborado com Snyder em Madrugada dos Mortos e 300. Nesta terceira parceria, os padrões industriais se estabelecem, com uso de orquestra, coral e sintetizadores, apresentados com as peculiaridades do músico que em sua carreira, tem experiência como guitarrista da banda de rock PET, execução da função de produtor musical de Marilyn Manson e compositor de trilhas sonoras desde O Corvo – Cidade dos Anjos, em 1993. Bates também trabalhou com Rob Zombie nas versões do roqueiro para a saga de Michael Myers e além de compor para videogames, assumiu as trilhas de séries televisivas, tais como Californication e Uma Noite de Crime. Em suma, um compositor de trabalhos referenciáveis.

Em Watchmen, sua textura percussiva apresenta rock acelerado, algo que envolve o ouvinte num ritmo frenético, chiados, guitarras elétricas em profusão, mixagem de elementos urbanos, alegres, melancólicos e frios, grunge dos anos 1980, coral anárquico que juntamente com os sintetizadores, digladia com os sons naturais em prol da dinâmica interna da condução musical do filme. Os instrumentos de cordas se fazem bastante presentes, com violinos, violas e violoncelos numa simbiose quase perfeita, às vezes coesa, mas em alguns breves trechos, dissonantes do conjunto.

O álbum é composto de 21 faixas: Rescue Mission, Don’t Get Too Misty Eyed, Tonight The Comedian Died, Silk Spectre, We’ll Live Longer, You Quit!, Only Two Names Remain, The American Dream, Edward Blake – The Comedian, The Last Laugh, Prison Fight, Just Look Around You, Dan’s Apocalyptic Dream, Who Murdered Hollis Mason?, What About Janie Slater?, I’ll Tell You About Rorschach, Countdown, It Was Me, All That Is Good, Requiem (Mozart) e  I Love You Mom.

Em Rescue Mission, Tyler Bates “pisa fundo no acelerador” instrumental e apresenta uma composição firme e bastante veloz. O clima sombrio de The Comedian Died ganha destaque por seu volume, repleta de zumbidos e presença de tons de harpa que nos remetem vagamente ao estilo de Marco Beltrami. Silk Spectre é uma faixa breve, com traços de fanfarra. The American Dream, ao esbanjar “ironia”, traz loops turbinados, antecipadora do clima breve e emocional de The Last Laugh. Os zumbidos e velocidade da guitarra elétrica retornam, juntamente com os demais elementos da orquestra que impõem um ritmo abrasivo em Prison Fight.

Just Look Around You, composta com sonoridade que nos remete ao trabalho de Philip Glass, estabelece um clima melancólico, antes do otimismo de Dan’s Apocalyptic Dream. O coral de What About Janie Slater demonstram pungência e textura eficiente para o momento em questão, diferente do barulho em excesso de Rorschach, décima sexta faixa. Coundtdown e seu poderoso clima sinfônico nos levam para a proximidade do desfecho do álbum, que ainda contém como destaques, Requiem, de Mozart, mixada por Gustavo Borner, com arranjos de Tim Williams, material que tal como todo o conjunto, é erguido com sinos, ecos, sintetizadores, instrumentos “marteladores”, dentre outras sonoridades em ritmo fluente.  Ademais, uma trilha eficiente, mesmo com as suas irregularidades.

Watchmen – Trilha Sonora Original Vol. 2
Compositor: Tyler Bates
Gravadora: Warner Records
Ano: 2009
Estilo: textura percussiva, Trilha Sonora

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.